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CAR-T: entenda tratamento que provocou remissão de câncer em 1 mês

Pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento deste tipo de terapia no Brasil afirmam que a CAR-T é a nova fronteira no combate ao câncer

atualizado

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Imagem em preto e branco mostra antes e depois de corpo de paciente com câncer CAR-T - Metrópoles
1 de 1 Imagem em preto e branco mostra antes e depois de corpo de paciente com câncer CAR-T - Metrópoles - Foto: Montagem-Instagram/Paulocfperegrino

Uma equipe médica ligada à universidade de São Paulo anunciou, na segunda-feira (30/5), que um brasileiro que convivia com um câncer em metástase teve remissão completa em um único mês usando o tratamento de terapia celular CAR-T. Paulo Peregrino, de 61 anos, teve três cânceres ao longo dos últimos 13 anos e passou pelo método, que ainda é experimental.

No CAR-T, o paciente tem células de defesa do próprio corpo modificadas para combater o tumor, explica o hematologista Dimas Covas, um dos responsáveis pelo caso de Peregrino. A remissão ocorre quando, após o tratamento, não se detectam mais tumores no corpo do paciente. Após cinco anos de remissão, já é possível falar em cura.

“O CAR-T é uma alteração genética feita nas células. Modifica-se o DNA de forma que as células de defesa atuem especificamente para encontrar o câncer e destruí-lo. É isso que permite respostas clínicas tão intensas como essas”, afirmou Covas, em entrevista ao Metrópoles.

O hematologista Vanderson Rocha, que atuou diretamente no caso de Peregrino complementa: “O nosso corpo já tem em si as melhores defesas disponíveis, é que o câncer se desenvolve driblando as células de defesa, enganando elas. O que a terapia celular faz é ensinar nossas próprias defesas a enxergar os tumores como inimigos”.

No experimento conduzido no Brasil, a terapia foi usada para combater tumores no sangue, mais especificamente a leucemia linfoblástica B e o linfoma não-Hodgkin B. No Brasil, há entre 1,8 mil e 2,2 mil pessoas que convivem com estas doenças.

Futuro da técnica

Para os médicos, porém, em um futuro “muito breve” as fronteiras terapêuticas de uso desta técnica serão expandidas para outros tipos de câncer. “Acredito que a terapia celular será a opção de tratamento número um, inclusive antes da quimioterapia, para boa parte dos tipos de tumor”, diz Rocha.

“As pesquisas que temos de combate as doenças no sangue são as mais avançadas disponíveis no mundo, mas, em um futuro muito breve, este tipo de tratamento vai estar disponível para outros tipos de câncer. Já há estudos semelhantes para câncer de mama, de estômago e de intestino. Não tenho dúvidas de que a terapia celular é a nova fronteira do tratamento do câncer: é específica, age rapidamente, com força, e sem causar os efeitos colaterais dos tratamentos convencionais”, exemplifica Covas.

Outros pacientes

A história de Paulo é uma entre as 13 histórias de sucesso de pacientes que passaram pela terapia celular desde a implantação da pesquisa. Todos tiveram uma redução de ao menos 60% de seus tumores e, em nove deles, houve uma remissão completa do câncer.

“Um dos pacientes selecionados, infelizmente, faleceu antes de receber a aplicação das células CAR-T. Ele era, inclusive, um dos que eu acompanhava diretamente. Isso é importante para nos lembrar de como o que estamos fazendo é urgente”, diz Rocha.

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Novos testes

Agora, o estudo vai avançar para mais 75 pacientes que receberão o tratamento ao longo do segundo semestre deste ano. Esse passo é essencial para conseguir que a Anvisa reconheça a terapia como um tratamento eficiente e não só como experimental. Com isso, Covas espera que o tratamento seja barateado e adotado no SUS.

“Atualmente, o CAR-T é um tratamento muito caro, são mais de 2 milhões de reais investidos em cada paciente. A partir do momento em que conseguirmos produzir todos os insumos necessários no Brasil, vamos ter uma redução de custo por paciente de pelo menos 50%, que pode ser ainda maior dependendo da escala alcançada”, diz Covas.

Os estudos estão sendo feitos em uma iniciativa do Butantan, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) e do Hemocentro de Ribeirão Preto. Para que esta tecnologia alcance larga escala, porém, os pesquisadores apontam que é preciso, desde já, pensar em meios de criar insumos e formas de distribuir o tratamento a quem mais precisa.

“Apenas o Brasil e a Espanha, entre todos os países do mundo, estão desenvolvendo pesquisas deste tipo de técnica em universidades e não dentro da indústria farmacêutica particular. Isso é essencial para disponibilizar para o público que depende fundamentalmente do SUS”, conclui Rocha.

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