Agonorexia: riscos do novo efeito colateral das canetas emagrecedoras

Perda excessiva de apetite ligada às canetas emagrecedoras pode levar à desnutrição, perda muscular e padrões alimentares perigosos

atualizado

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Renderização 3D de uma caneta injetora de agonista GLP-1, um medicamento para perda de peso, com uma fita métrica médica ou régua espiralando dinamicamente ao redor de sua forma. Metrópoles
1 de 1 Renderização 3D de uma caneta injetora de agonista GLP-1, um medicamento para perda de peso, com uma fita métrica médica ou régua espiralando dinamicamente ao redor de sua forma. Metrópoles - Foto: Love Employee/Getty Images

A popularização das chamadas canetas emagrecedoras transformou os medicamentos indicados para diabetes tipo 2 e obesidade em protagonistas de um fenômeno estético.

Com a promessa de emagrecimento rápido, substâncias como os agonistas de GLP-1 passaram a ser usadas por pessoas sem indicação clínica formal. Nesse cenário, médicos começaram a observar um efeito preocupante: a chamada agonorexia, termo informal utilizado para descrever a perda extrema de apetite associada ao uso desses remédios.

Embora o nome lembre anorexia, é importante esclarecer que agonorexia não é um diagnóstico médico oficial. A expressão surgiu para explicar situações em que a ação farmacológica reduz a fome de maneira tão intensa que a pessoa praticamente deixa de se alimentar.

Quando a falta de fome vira problema

A agonorexia se caracteriza pela redução tão intensa do apetite que a alimentação passa a ser negligenciada. A pessoa pode pular refeições com frequência, sentir repulsa diante da comida ou evitar situações sociais que envolvam alimentação. Com o tempo, essa restrição pode trazer consequências importantes para o organismo. Entre os principais riscos estão:

  • Perda significativa de massa muscular;
  • Deficiência de nutrientes essenciais;
  • Fraqueza constante;
  • Queda da imunidade;
  • Alterações metabólicas.

A perda rápida de peso nem sempre significa saúde. Quando o corpo deixa de receber energia e nutrientes suficientes, passa a utilizar reservas musculares, o que compromete força, disposição e equilíbrio metabólico.

Além dos efeitos físicos, especialistas alertam para o risco de reforçar padrões alimentares restritivos e que é fundamental diferenciar a anorexia nervosa — transtorno psiquiátrico caracterizado por distorção da imagem corporal e medo intenso de engordar — do efeito farmacológico provocado pelo GLP-1.

Como o medicamento age no cérebro

Os agonistas de GLP-1 atuam em áreas cerebrais ligadas ao controle da fome e da saciedade. A endocrinologista Marina Karam explica que esses medicamentos “atuam em regiões cerebrais relacionadas à fome e à saciedade”, reduzindo naturalmente a ingestão calórica.

Além disso, eles retardam o esvaziamento do estômago, prolongando a sensação de estômago cheio. Isso faz com que o paciente coma menos sem sentir sofrimento ou privação constante.

Segundo Marina Karam, o efeito vai além da fome física. Ao agir no sistema de recompensa do cérebro, os medicamentos podem diminuir impulsos associados à compulsão alimentar. “Eles diminuem a vontade de beber, e até de fumar, porque agem no sistema de recompensa”, afirma a médica.

Em pacientes com indicação médica adequada, esse mecanismo pode ajudar a romper padrões antigos de comportamento alimentar. O problema surge quando o efeito é exacerbado ou quando o uso ocorre sem acompanhamento.

A procura pelas canetas emagrecedoras cresceu impulsionada por relatos nas redes sociais e pela valorização da magreza rápida. No entanto, vale a pena reforçar que esses medicamentos foram desenvolvidos para tratar condições específicas e devem ser prescritos após avaliação médica.

Quando utilizados fora das indicações aprovadas, os riscos de efeitos colaterais aumentam. A ausência de monitoramento pode impedir a identificação precoce de sinais de desnutrição ou de alterações no comportamento alimentar. A agonorexia surge, portanto, como um alerta dentro desse contexto de uso indiscriminado.

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