Bruno Covas: saiba primeiros sinais de câncer no trato digestivo

Caso do prefeito de São Paulo não é comum. O político não sentiu os sinais clássicos, como queimação, refluxo e indigestão

atualizado 29/10/2019 17:50

Reprodução

O prefeito de São Paulo Bruno Covas (PSDB) foi diagnosticado, na segunda-feira (28/10/2019), com câncer de estômago, e metástase no fígado. Aos 39 anos, o jovem político foi internado, inicialmente, para tratar erisipela, uma infecção de pele. A partir de uma trombose na perna, foi descoberto o tumor na parte superior do estômago, perto do esôfago.

O inchaço nos membros inferiores e irritações, porém, não são os sintomas mais comuns de câncer no trato gastrointestinal. Segundo o oncologista Allan Pereira, do Hospital Sírio Libanês de Brasília e chefe da oncologia do Hospital de Base, é comum que os pacientes sintam queimação, refluxo, indigestão, dor na porção superior do abdômen e perda de peso acentuada e sem explicação.

“A doença dele foi caprichosa porque se manifestou sem os sintomas típicos. Como o tumor fica na transição entre o estômago e o esôfago, pode se comportar como câncer de qualquer um dos órgãos. Não conversei com a equipe. Entretanto, pelo o que entendi, vão tratar como câncer de estômago. Nesses casos, o tratamento padrão envolve quimioterapia, cirurgia, e mais quimioterapia depois”, explica o médico.

Pesquisas recentes

Como há metástase no fígado, a situação é um pouco mais complicada. Porém, segundo o especialista, pesquisas recentes desafiam o conceito de incurabilidade do câncer gástrico metastático.

“Evidências mostram que pacientes com pouco volume de metástase podem se beneficiar desse tratamento com cirurgia e quimioterapia. É algo que está sendo estudado. No caso do Bruno Covas, como há metástase, não se usa o termo ‘inicial’, mas o caso poderia ser bem mais grave, caso o tumor estivesse no peritônio, que é membrana que reveste o abdômen”, detalha o especialista.

Outro dado que chama a atenção é a idade do prefeito de São Paulo. Ele está fora da faixa etária que normalmente é diagnosticada com a doença. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tumor no estômago é o terceiro mais frequente em homens no Brasil e o quinto em mulheres.

O médico Allan Pereira conta que são esperados 20 mil novos casos por ano no país, mas 65% dos pacientes têm mais de 50 anos. Por isso, deve ser investigada a origem da neoplasia em Covas: provavelmente, a família do político tem alguma pré-disposição genética.

Porém, a baixa idade pode ajudar no tratamento. Segundo o médico, pacientes jovens tendem a tolerar melhor o tratamento e se recuperar com mais facilidade de cirurgias.

Em casos comuns, alguns hábitos de vida podem facilitar o desenvolvimento do câncer, como dietas ricas em sal e alimentos em conserva, obesidade e tabagismo, bem como infecções específicas. “Em contrapartida, ingerir frutas, vegetais e fibras com regularidade tende a proteger os órgãos do sistema digestivo, assim como a prática de atividade física”, afirma o oncologista.

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