Brasileiros são os que mais se preocupam com saúde mental

É o que aponta a pesquisa World Mental Health Day 2021, realizada pela Ipsos com entrevistados de 30 países

atualizado 21/10/2021 14:52

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De acordo com pesquisa World Mental Health Day 2021 realizada pelos Especialistas em Pesquisa de Mercado e Opinião Pública (Ipsos), brasileiros são os que mais se preocupam com o tema da saúde mental entre 30 nacionalidades analisadas para o levantamento. Três em cada quatro pessoas no Brasil (75%) afirmaram pensar recorrentemente em seu próprio bem-estar mental. O número coloca os brasileiros como os que mais se preocupam com o assunto.

Logo atrás do Brasil, a África do Sul (73%) e o Peru (71%) são as nações que mais admitem se preocupar com sua saúde mental. Por outro lado, chineses (26%), sul-coreanos (31%) e russos (33%) são os que demonstram pensar menos no tema. A média global é de 53%.

Gerente de Pesquisa na Ipsos, Helena Junqueira apresenta razões para a alta no interesse da população brasileira sobre o tema: “A preocupação dos brasileiros pode ser vista como um reflexo da alta incidência de transtornos de saúde mental no país. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que somos o país mais ansioso do mundo e o mais deprimido da América Latina, e a pandemia agravou esse cenário trazendo aumento no número de casos”.

No entanto, quando se fala em preocupação com o bem-estar físico, 74% dos brasileiros dizem pensar sobre o assunto, ficando atrás da África do Sul (85%), Colômbia e Peru (empatados com 84%), Argentina e México (empatados com 82%).

A China, que tem uma baixa na preocupação com a saúde mental, também apresenta menor reflexão sobre o tema, com 41%. Os sul-coreanos (48%) e holandeses (52%) ficaram na segunda e terceira posições, respectivamente. A média global de pessoas que dizem pensar muito ou consideravelmente na própria saúde física é 68%.

As mulheres e pessoas com menos de 35 anos fazem parte do perfil que mais demonstram se preocupar tanto com a saúde mental quanto com a física: “As mulheres são o público que mais sofre com questões de saúde mental e um dos motivos é a carga de responsabilidade que socialmente é colocada sobre elas. Com o isolamento social e os filhos estudando em casa, surgiram tarefas extras que geralmente recaem sobre a mulher”, afirma Helena.

O que é mais importante

Segundo os entrevistados dos 30 países, o bem-estar físico e o mental possuem o mesmo grau de relevância na hora de avaliar a própria saúde. Entre os brasileiros, 78% acreditam que ambos os vieses são igualmente importantes; 16% acham que a saúde mental importa mais e 4% dão mais valor à saúde física.

Na média dos países pesquisados, 79% avaliam que saúde mental e física são igualmente importantes, 12% creem que o bem-estar mental é mais relevante e 6% acreditam que importa mais a saúde física.

Apesar de ambos os assuntos terem a mesma relevância na opinião dos brasileiros, mais da metade (55%) acha que o sistema de saúde brasileiro se preocupa mais com a questão física da população do que com a mental. Além disso, para 40% dos entrevistados no país, a questão do bem-estar mental é um dos três maiores problemas sanitários enfrentados na atualidade.

“Os brasileiros estão cada vez mais conscientes em relação à importância da saúde mental, que é um tema ainda ligado a preconceito e falta de informação; mas temos observado essas questões sendo trazidas à tona pela mídia e pelas redes sociais. Falar sobre o assunto e divulgar informações confiáveis é fundamental para que a saúde mental deixe de ser um tabu”, finaliza Helena.

A pesquisa foi realizada com 21.513 pessoas com idade entre 16 e 74 anos em 30 países. Os dados foram coletados de 20 de agosto a 3 de setembro e a margem de erro para o Brasil é de 3,5 pontos percentuais.

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