Bolsonaro: entenda como é o procedimento de bloqueio do nervo frênico

Diagnóstico de irritação do nervo frênico pode causar soluços persistentes e exigir bloqueio cirúrgico. Ex-presidente foi levado às pressas

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1 de 1 Foto colorida de Jair Bolsonaro - Metrópoles. - Foto: KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou ao centro cirúrgico com urgência neste sábado (27/12) para realizar um procedimento de bloqueio do nervo frênico após crises persistentes de soluço.

O nervo frênico é o principal responsável por controlar o diafragma, músculo essencial para a respiração. Ele sai da região do pescoço, percorre o tórax e chega ao abdômen. Quando sofre inflamação ou irritação, pode provocar contrações involuntárias do diafragma — mecanismo que está por trás dos soluços.

Segundo o Ministério da Saúde, o soluço é resultado de uma contração súbita do diafragma, seguida do fechamento rápido da glote, o que gera o som característico.

Em geral, o quadro é passageiro. No entanto, quando dura mais de 48 horas, passa a ser considerado persistente e pode indicar irritação do nervo frênico ou do próprio diafragma. Segundo a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro, o ex-presidente sofre com soluços diários há nove meses.

Além dos soluços frequentes, a irritação do nervo frênico pode causar falta de ar, dor no ombro e cansaço constante. Quando o problema se prolonga, pode interferir no sono, na alimentação e na fala, impactando a qualidade de vida.

Entre as causas mais comuns estão cirurgias torácicas ou abdominais, refluxo gastroesofágico, inflamações na região do tórax, infecções pulmonares, tumores que comprimem o nervo e algumas doenças neurológicas ou metabólicas.

Ilustração mostra por onde passa o nervo frênico no corpo - Metrópoles
O nervo frênico é um nervo bilateral, misto, que se origina no pescoço e desce através do tórax para alcançar o diafragma

Como é feito o bloqueio do nervo

A cirurgiã torácica Gabrielle Oliveira explica como funciona o procedimento realizado no ex-presidente:

“É feito o bloqueio do nervo frênico que, ao estar inflamado, provoca soluços. A terapia para soluços crônicos envolve, muitas vezes, medicação, bloqueio do nervo com anestésicos e, em casos mais sérios, é necessário fazer a secção, o corte, que é a frenicotomia”, explica.

A especialista acrescenta que o soluço crônico pode ter diferentes origens. “A mais comum é o refluxo. No caso de Bolsonaro, a inflamação e irritação do nervo ocorreu devido às múltiplas abordagens às quais ele foi submetido”, diz a cirurgiã.

No caso do ex-presidente, um laudo médico reforçou a necessidade de intervenção.

“Diante do exposto, essa Junta Médica pericial conclui que o periciado JAIR MESSIAS BOLSONARO é portador de hérnia inguinal bilateral que necessita reparo cirúrgico em caráter eletivo. No tocante ao quadro de soluços, o bloqueio do nervo frênico é tecnicamente pertinente. Quanto à tempestividade do procedimento, esta Junta Médica entende que deve ser realizado o mais breve possível, haja vista a refratariedade aos tratamentos instituídos, a piora do sono e da alimentação, além de acelerar o risco das complicações do quadro herniário, em decorrência do aumento da pressão intra-abdominal”, diz o documento.

O Ministério da Saúde alerta que soluços persistentes não devem ser ignorados. Quando prolongados, podem levar à desnutrição, insônia, fadiga e estresse mental. A recomendação é buscar avaliação médica sempre que os episódios durarem mais de 48 horas ou vierem acompanhados de outros sintomas.

No caso de Jair Bolsonaro, segundo a cirurgiã Gabrielle Oliveira, a taxa de eficácia do procedimento é resolutiva de imediato pelo corte do nervo que promove a contração do diafragma.

“Essa contração involuntária é o que causa clinicamente o sintomas do soluço. Com o passar do tempo, o corpo pode gerar adaptações que tornam a eficácia a longo prazo, na literatura, variável. O procedimento só é indicado em casos extremos e refratários às terapias iniciais”, conclui.

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