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Saúde

Benzetacil: antibiótico tradicional não serve para curar qualquer doença

O Benzetacil dói por ser viscoso e só age em quadros bacterianos específicos, como os de sífilis, erisipela e amigdalites bacterianas

02/09/2026 02:00
Mufid Majnun/Unsplash
Close-up das mãos de uma pessoa segurando uma seringa puxando líquido de uma ampola. Conceito de vacina. Metrópoles

Quem nunca escutou a frase “toma um Benzetacil que passa”? A depender do caso, uma simples agulhada do antibiótico é o suficiente para trazer melhora ao quadro clínico. Porém, a fama de “resolve tudo” tem ligação com o impacto causado quando o medicamento foi lançado, em 1951.

“A penicilina benzatina foi uma das maiores revoluções da medicina. Quando surgiu, salvou milhares de vidas e resolvia infecções graves em uma época com pouquíssimos recursos”, conta a farmacêutica Pâmela Saavedra, integrante da equipe de coordenação técnica do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

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No entanto, não é em toda situação médica que o Benzetacil vai fazer efeito. Na verdade, o medicamento só age em quadros bacterianos específicos, como os de sífilis, erisipela, febre reumática e algumas amigdalites bacterianas.

Em quadros de gripe, resfriado e dengue, o medicamento não funciona, pois tratam-se de condições médicas virais. “A maioria das dores de garganta são virais, e nesses casos o Benzetacil não faz efeito nenhum”, acrescenta Pâmela.

Fama de “resolve tudo” pode provocar resistência antimicrobiana

O uso indiscriminado de antibióticos é o principal fator que tem provocado uma maior resistência das bactérias aos tratamentos atuais e, com a fama de “resolve tudo”, a utilização do Benzetacil passa a ser ainda mais indiscriminada.

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Segundo a infectologista Eliana Bicudo, o medicamento frequentemente é recomendado de forma errônea em prontos-socorros, especialmente em casos de infecção das vias aéreas.

“Existem estudos mostrando que cerca de 50% dos antibióticos prescritos em prontos-socorros e serviços de urgência são desnecessários”, afirma a especialista do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília.

A utilização incorreta faz com que várias bactérias antes tratadas com penicilina benzatina não respondam mais adequadamente ao tratamento, como em algumas pneumonias e infecções. “Elas sofreram a pressão causada pelo uso indiscriminado dos antibióticos. Ao longo do tempo, foram selecionadas bactérias capazes de resistir aos medicamentos”, explica Eliana.

A infectologista explica que a solução é usar o medicamento somente em situações em que realmente existam vantagens na evolução do quadro, como em indivíduos que estejam com dificuldade de engolir ou com sintomas mais graves, incluindo vômitos e febre alta.

Por que o Benzetacil dói tanto?

Além de resolver quadros causados por bactérias, o Benzetacil também é conhecido por outra fama: a dor “rasgante” na hora da aplicação. De acordo com Pâmela, o incômodo tem a ver com a alta viscosidade e o volume do líquido, que irrita as fibras musculares ao entrar no corpo.

“O produto é uma suspensão densa composta por microcristais, o que torna a sua passagem pelos tecidos mais pesada e lenta. Além disso, como a medicação precisa ser injetada profundamente no tecido muscular, o volume introduzido acaba distendendo as fibras da região, gerando um desconforto imediato”, diz a especialista do CFF.

No entanto, existem maneiras de diminuir a dor durante e após a aplicação intramuscular do medicamento. Relaxar a perna, não apoiar o peso do corpo sobre o lado da aplicação, utilizar compressas mornas no local e nunca massagear ou friccionar o local de aplicação são dicas importantes.

“O procedimento em si deve ser realizado por um profissional treinado para injetar o líquido de forma lenta e contínua no músculo glúteo, o que ajuda a suavizar a experiência”, avalia a farmacêutica.