Bebê é operado na barriga da mãe para reduzir problema de má-formação

Cirurgia foi realizado em hospital do DF para auxiliar desenvolvimento do pulmão do feto. Mãe está com 27 semanas de gestação e passa bem

atualizado 04/02/2019 22:11

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Uma equipe formada de cirurgiões obstetras e pediátricos realizou, nesta segunda-feira (4/2), um procedimento cirúrgico intrauterino, no Hospital Santa Luzia, para corrigir uma hérnia diafragmática fetal. O problema aconteceu durante a formação do diafragma do bebê e, agora, impede o desenvolvimento completo do pulmão. A mãe está grávida de 27 semanas (cerca de seis meses) e, junto com o bebê, passará por novo procedimento quando estiver entre 33 e 34 semanas de gestação (cerca de oito meses). De acordo com a equipe médica, esta é a primeira vez que um procedimento assim é feito no Distrito Federal.

A operação durou cerca de uma hora e consistiu na colocação de um balão bem pequeno na traqueia do feto para permitir que o pulmão atinja o tamanho adequado. O balão bloqueia a traqueia, fazendo com que o pulmão consiga produzir secreção suficiente para se expandir. De acordo com o ginecologista obstetra do Centro de Medicina Fetal (Cemefe), Matheus Beleza, as cirurgias fetais são realizadas em caso de doenças muito graves, pois há vários riscos para a mãe e para o bebê.

Quando uma hérnia diafragmática fetal é detectada durante os exames pré-natais, a indicação é para cirurgia ainda dentro da barriga da mãe, pois os bebês podem ter graves sequelas respiratórias ou até não sobreviver. De acordo com relatórios médicos, o problema afeta aproximadamente um em cada 4 mil nascidos vivos. A doença é rara e a taxa de sobrevida em caso de operação aumenta para 70%.

Além do médico Matheus Beleza, de Brasília, também participaram do procedimento os médicos Renato Sá e Fernando Maia, do Rio de Janeiro. A cirurgia realizada nesta segunda ocorreu bem, a mãe e o feto estão em recuperação. Um novo procedimento será feito daqui a algumas semanas, antes de o bebê nascer, para que o balão seja retirado e, depois que a criança nascer, uma terceira operação será necessária. “O parto está programado para 38 semanas, e o pessoal da cirurgia pediátrica acompanhará o procedimento para ver qual o melhor momento para que o defeito do diafragma seja corrigido”, explica o médico.

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Segundo o ginecologista obstetra, o quadro clínico do bebê ainda é grave. Após o parto, os recém-nascidos diagnosticados com essa disfunção são colocados em respiração assistida na UTI neonatal, onde ficam em observação para se avaliar a capacidade dos pulmões. A cirurgia para correção é agendada de acordo com cada caso.

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