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Estudo identifica DNA bacteriano em cálculos renais mais comuns

Pesquisa revela bactérias dentro de pedras de oxalato de cálcio, responsáveis pela maioria dos casos de cálculos renais

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PNAS / Divulgação
Foto microscópica e eletrônica de varredura de fragmentos de cálculos renais - Estudo encontra bactérias em cálculos renais mais comuns - Metrópoles
1 de 1 Foto microscópica e eletrônica de varredura de fragmentos de cálculos renais - Estudo encontra bactérias em cálculos renais mais comuns - Metrópoles - Foto: PNAS / Divulgação

Um estudo científico revelou que bactérias podem estar presentes dentro dos cálculos renais mais comuns, conhecidos como pedras de oxalato de cálcio. A descoberta desafia a visão tradicional de que essas formações surgem só por processos químicos na urina e pode abrir caminho para novas formas de prevenção e tratamento da doença.

A pesquisa, publicada em 26 de janeiro na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), analisou a estrutura interna de cálculos retirados por cirurgia e identificou biofilmes bacterianos — comunidades de bactérias organizadas — na parte mineral das pedras, indicando que microrganismos podem participar da formação dessas estruturas.

Bactérias dentro das pedras

Os cálculos de oxalato de cálcio são responsáveis por mais de 70% dos casos de pedra nos rins. Até agora, eles eram considerados formações “não infecciosas”, ou seja, os cientistas acreditavam que elas surgiam só quando substâncias presentes na urina, como cálcio e oxalato, se acumulam e formam cristais.

Porém, no estudo, analisando as pedras com microscopia avançada, os pesquisadores encontraram sinais claros de bactérias no interior da estrutura. Entre as evidências estavam células com formato típico desses microrganismos, além de DNA bacteriano e substâncias que formam biofilmes.

Esses sinais apareceram até em cálculos que haviam dado resultado negativo para bactérias nos exames clínicos tradicionais, o que sugere que os microrganismos podem estar “escondidos” dentro das pedras.

Bactérias viáveis nas amostras

Além de analisar a estrutura das pedras, os pesquisadores também tentaram identificar se havia bactérias vivas nelas. Para isso, coletaram fragmentos pequenos dos cálculos removidos por cirurgia e fizeram culturas em laboratório.

O resultado mostrou que 17 das 22 pedras analisadas tinham bactérias viáveis, ou seja, microrganismos capazes de se multiplicar. Entre as espécies encontradas estavam Escherichia coli, Proteus mirabilis, Enterococcus faecalis e Staphylococcus epidermidis, bactérias conhecidas por circular no organismo humano.

Em mais de 30% das amostras, os cientistas encontraram mais de uma espécie de bactéria ao mesmo tempo, indicando que diferentes microrganismos podem ocupar o interior dos cálculos renais.

Outra descoberta feita pelos pesquisadores foi que a estrutura dos cálculos não é uniforme, eles tinham camadas alternadas, com partes mais ricas em material orgânico e outras formadas principalmente por cristais minerais.

Nas áreas com mais material orgânico, os cristais são menores. Já nas regiões dominadas por minerais, eles aparecem bem maiores. Para os cientistas, esse padrão indica que componentes biológicos podem interferir no processo de formação e crescimento das pedras.

Uma das hipóteses levantadas pelo estudo é que o DNA liberado por bactérias presentes no local possa ajudar nesse processo. Esse material teria capacidade de atrair cálcio na urina e facilitar a formação dos cristais de oxalato de cálcio que dão origem aos cálculos.

Possível explicação para recorrência de cálculos renais

A presença de bactérias dentro das pedras pode ajudar a explicar por que os cálculos renais costumam voltar mesmo depois do tratamento. Isso porque os microrganismos podem ficar protegidos dentro dos biofilmes, estruturas que servem como uma camada de defesa.

Dessa forma, quando a pedra é quebrada durante procedimentos como a litotripsia, essas bactérias podem ser liberadas. Isso pode favorecer o surgimento de infecções urinárias depois do tratamento e, possivelmente, contribuir para a formação de novos cálculos.

Mudança no entendimento da doença

Os autores defendem que os cálculos renais de cálcio podem ser, na verdade, estruturas híbridas formadas por componentes minerais e biológicos.

Embora outros fatores — como proteínas urinárias e a concentração de sais na urina — continuem sendo importantes na formação das pedras, o estudo sugere que bactérias podem desempenhar um papel mais relevante do que se imaginava.

A descoberta abre novas possibilidades de pesquisa e pode, no futuro, levar ao desenvolvimento de estratégias de prevenção e tratamento que também levem em conta a presença de microrganismos.

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