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Saúde

Bactéria intestinal de rãs elimina focos de câncer colorretal em ratos

Apesar dos resultados terem sido achados em ratos, os resultados podem nortear o desenvolvimento de novas terapias eficazes contra cânceres

11/07/2026 18:06
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Ilustração colorida de bolas verdes flutuantes em canal de cor rosa claro que simula um tubo do intestino - Metrópoles.

Em experimento feito com ratos, pesquisadores conseguiram eliminar completamente tumores de ratos com câncer colorretal. Em nova abordagem, os especialistas avaliaram cepas com potencial anticancerígeno e utilizaram uma dose única intravenosa da Ewingella americana, uma bactéria encontrada no intestino de rãs.

Ao contrário da maiorias dos estudos anteriores, que sugerem alterar a composição da microbiota intestinal para influenciar a eficácia de tratamentos contra o câncer, o novo trabalho propõe isolar individualmente cepas bacterianas, cultivá-las e administrá-las via intravenosa visando atacar diretamente os tumores. 

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Apesar dos testes com êxito terem sido feitos somente em ratos, os resultados podem nortear o desenvolvimento de novos tratamentos mais eficazes contra cânceres. O trabalho liderado pelo Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia do Japão (JAIST) teve os dados publicados na revista Gut Microbes no final ano passado.

“Nosso estudo estabelece uma base para o desenvolvimento de terapias bacterianas não patogênicas de ocorrência natural e ressalta a importância crítica da biodiversidade microbiana no avanço das estratégias de tratamento do câncer”, escrevem os pesquisadores no artigo.

Como as cepas bacterianas conseguiram eliminar os tumores

Durante o estudo, foram coletadas 45 cepas bacterianas de três diferentes tipos de animais, incluindo de rãs-arborícolas japonesas (Dryophytes japonicus). Depois de uma triagem, nove foram selecionadas por terem se mostrado com potencial anticancerígeno. De todas, a Ewingella americana foi a que mais se destacou.

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Nos testes com ratos com câncer colorretal, após receber a dose intravenosa da bactéria intestinal das rãs, os roedores tiveram os tumores eliminados por completo, com uma taxa de resposta completa (RC) de 100% – termo referente ao desaparecimento total de todas as lesões ou tumores visíveis em exames de imagem.

Em comparação ao tratamento com medicamento para “destravar” o sistema imune para permitir o ataque das células ao câncer, a terapia com a bactéria das rãs teve resultados melhores.

Segundo os pesquisadores, o modo de ação da cepa parece ocorrer por dois mecanismos distintos, mas complementares. Por ser bastante adaptável, a bactéria prospera também em ambientes com pouco oxigênio, comum em tumores, o que facilita sua proliferação e ataque direto ao câncer. 

Outro modo de ação que favoreceu o desaparecimento cancerígeno foi a presença da bactéria estimular a chegada de células do sistema imune, fortalecendo as investidas para matar as células do câncer.

O fato da bactéria atacar e se acumular somente nos tumores e não nos órgãos dos animais surpreendeu os pesquisadores. Segundo eles, os fatores que podem estar por trás da adaptação são:

  • A falta de oxigênio dentro dos tumores favorece o crescimento bacteriano;
  • A produção da proteína CD47 por meio das células cancerígenas cria condições de sobrevivência para as bactérias;
  • Os vasos sanguíneos dos tumores são mais permeáveis, o que facilita a entrada das bactérias no tecido tumoral;
  • As mudanças metabólicas tumorais fornecem nutrientes favoráveis ao desenvolvimento da bactéria.

A nova terapia se mostrou segura para os ratos e não provocou efeitos colaterais consideráveis. O próximo passo deverá testar o uso da bactéria contra outros tipos de câncer, como o de mama, pâncreas e melanoma.