Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

Aspirina pode salvar vidas em caso de infarto agudo, mas exige atenção

Especialistas explicam quando a aspirina é indicada no infarto, as contraindicações e por que o atendimento rápido é essencial

20/07/2026 02:00
Magnific
Vários comprimidos de aspirina-Metrópoles

O uso da aspirina é uma das primeiras medidas recomendadas diante da suspeita de infarto agudo do miocárdio. O medicamento ajuda a impedir que o coágulo responsável pela obstrução da artéria continue aumentando, reduzindo o risco de morte quando administrado rapidamente.

Apesar da eficácia tradicional, especialistas alertam que a medicação não deve substituir a busca imediata por atendimento médico e nem é indicada para todos os pacientes.

Quanto mais cedo a aspirina é administrada, maiores são as chances de reduzir os danos causados ao músculo cardíaco. Segundo o cardiologista Ernesto Joscelin, do Hospital Brasília, a recomendação é que pacientes com suspeita de infarto mastiguem de dois a três comprimidos de AAS infantil (100 mg cada), já que isso acelera a absorção do medicamento.

“A aspirina deve ser administrada o mais precocemente possível em pacientes com suspeita de infarto. Quanto mais cedo ela for utilizada, maior o benefício, inclusive com redução do risco de morte”, afirma Joscelin.

O especialista explica que mastigar o comprimido faz com que parte do medicamento seja absorvida ainda pela mucosa da boca, permitindo ação mais rápida em um momento em que cada minuto pode fazer diferença.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Saúde e Ciência

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

Nem toda dor no peito é infarto

Embora a aspirina seja um dos pilares do tratamento inicial do infarto, ela não é indicada para qualquer dor no peito. Algumas doenças, como dissecção da aorta, hemorragias digestivas e outras emergências, podem provocar sintomas semelhantes e tornar o uso do medicamento inadequado.


Sintomas de infarto

  • Dor ou pressão intensa no peito, geralmente no centro do tórax.
  • Sensação de aperto, queimação ou peso no peito.
  • Dor que pode irradiar para o braço esquerdo, ambos os braços, ombros, costas, pescoço ou mandíbula.
  • Falta de ar.
  • Suor frio excessivo.
  • Náuseas e vômitos.
  • Tontura ou sensação de desmaio.
  • Palidez.
  • Fraqueza ou fadiga intensa e repentina.

Entre as principais contraindicações estão alergia grave ao AAS, sangramento ativo, pressão arterial muito elevada e descontrolada, hemofilia e algumas condições que reduzem significativamente o número de plaquetas.

O médico emergencista Yuri Castro Santos, que atende em Varginha (MG), ressalta que o paciente não deve tentar diferenciar sozinho a causa da dor.

“A regra de ouro na medicina de emergência é clara: dor no peito persistente e de forte intensidade exige avaliação imediata em um pronto-socorro, com realização de eletrocardiograma”, destaca Santos.

Atendimento rápido aumenta as chances de sobrevivência

Especialistas reforçam que a prioridade diante da suspeita de infarto é acionar imediatamente o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192. O transporte por ambulância permite monitoramento contínuo, realização de eletrocardiograma e início do tratamento ainda no deslocamento até o hospital.

Enquanto aguarda o atendimento, a orientação é permanecer em repouso e evitar qualquer esforço físico. Também é importante não dirigir até o hospital, já que complicações graves, como arritmias e parada cardiorrespiratória, podem ocorrer nas primeiras horas do infarto.

Após a confirmação do diagnóstico, o paciente pode ser encaminhado para procedimentos como angioplastia com implante de stent ou, em alguns casos, cirurgia de revascularização. Quanto menor o intervalo entre o início dos sintomas e a desobstrução da artéria, maiores são as chances de recuperação e menor o risco de sequelas permanentes.