Anvisa amplia indicações da semaglutida, presente no Wegovy e Ozempic
Decisão da Anvisa permite indicação do Wegovy para reduzir o risco de eventos cardiovasculares graves e do Ozempic para doença renal crônica
atualizado
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novas indicações terapêuticas para a semaglutida, princípio ativo do Wegovy e Ozempic. A atualização, publicada em 2 de fevereiro, amplia as possibilidades de tratamento em diferentes áreas da saúde, incluindo doenças cardiovasculares e renais.
No mesmo parecer, a Anvisa também ampliou a indicação do tezepelumabe, comercializado como Tezspire, para o tratamento complementar em adultos com rinossinusite crônica grave com pólipos nasais.
Com a decisão, o Wegovy, originalmente indicado para o tratamento da obesidade, passa a poder ser usado também para reduzir o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), em adultos com doença cardiovascular já estabelecida e que também apresentam obesidade ou sobrepeso.
Estudos analisados pela agência indicaram redução significativa desses eventos quando o tratamento é associado a alimentação com menor teor calórico e prática regular de atividade física.
No Brasil, doenças cardiovasculares seguem entre as principais causas de morte, com centenas de milhares de casos todos os anos.
Ampliação também para saúde renal
Outro produto à base de semaglutida, o Ozempic, teve o uso estendido para pessoas com diabetes tipo 2 que também apresentam doença renal crônica. Segundo dados recentes da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), quase três em cada dez pacientes em diálise no país têm diabetes.
De acordo com pesquisas clínicas apresentadas pelo fabricante, a farmacêutica Novo Nordisk, o uso do medicamento junto ao tratamento convencional ajudou a reduzir a progressão da insuficiência renal e a ocorrência de eventos cardiovasculares graves.
A Anvisa também analisou um pedido adicional envolvendo a semaglutida, relacionado a possíveis benefícios em outras condições clínicas. No entanto, os dados apresentados não foram considerados suficientes para justificar nova indicação terapêutica, e a inclusão dessas informações na bula foi negada.
Tezepelumabe e doença respiratória crônica
Outro avanço envolve o tezepelumabe, comercializado como Tezspire. Antes indicado para o tratamento de asma grave em pacientes a partir de 12 anos, o medicamento agora também pode ser usado como tratamento complementar em adultos com rinossinusite crônica grave com pólipos nasais.
A condição inflamatória pode provocar obstrução nasal persistente, perda de olfato e impacto significativo na qualidade de vida. A nova indicação contempla pacientes que não tiveram resposta adequada a terapias anteriores ou que não podem utilizar corticoides sistêmicos ou recorrer a cirurgia.
