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Saúde

"Achei que era gripe", diz homem diagnosticado com câncer na garganta

Médico alerta que rouquidão, feridas na boca e caroços no pescoço não devem ser ignorados quando persistem por semanas

19/07/2026 02:00
Arquivo pessoal
Foto colorida de homem asiático em ambiente ao aberto com montanha de neve atrás - Metrópoles.

Um incômodo na garganta que parecia uma gripe ou até uma sequela da Covid-19 acabou mudando a vida do administrador Fernando Ihara, de 57 anos. Em outubro de 2025, o que parecia ser apenas uma sinusite revelou um câncer de orofaringe, um dos tumores que fazem parte do grupo de cabeça e pescoço.

Dados do

Instituto Nacional de Câncer

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(Inca) mostram que 78,2% dos pacientes analisados entre 2000 e 2017 receberam o diagnóstico nos estágios três ou quatro da doença. No Brasil, a estimativa é de mais de 42 mil novos casos por ano no triênio 2026–2028.

Fernando conta que procurou atendimento após insistência da esposa, que sugeriu uma tomografia para investigar uma possível sinusite. “Tive muita sorte. Nunca tive sinusite, mas resolvi fazer o exame. Foi aí que tudo começou”, lembra.

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Antes da confirmação da doença, porém, ele já convivia com um sintoma que parecia comum. “Eu sentia um incômodo na garganta, mas achava que era algo comum, uma gripe ou até sequela da Covid-19. Com a correria do dia a dia, a gente acaba minimizando os sinais que o corpo dá.”

Segundo o oncologista Gilberto Castro, do Hospital Sírio-Libanês, situações como a vivida por Fernando são frequentes.

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“Quando falamos em câncer de cabeça e pescoço, estamos nos referindo principalmente aos tumores que surgem na boca, na garganta e na laringe. Uma afta ou ferida na boca que não cicatriza após duas semanas deve ser avaliada por um especialista, assim como rouquidão ou dificuldade para engolir que persistam por mais de duas semanas”, explica o especialista.


Principais sintomas do câncer de cabeça e pescoço

  • Ferida na boca ou na língua que não cicatriza.
  • Rouquidão persistente.
  • Dor ou dificuldade para engolir.
  • Caroço (gânglio) no pescoço.
  • Dor contínua na boca ou na garganta.
  • Tosse persistente ou sangramento ao tossir.

Castro explica que os sintomas variam conforme a localização do tumor, mas não devem ser ignorados. Muitas vezes, a descoberta da doença acontece durante um exame simples. “Basta examinar a boca. Por isso, o dentista tem papel fundamental na identificação precoce da doença”, afirma Castro.

O oncologista Guilherme Harada, de São Paulo, destaca que os nódulos cervicais, conhecidos popularmente como ínguas, também merecem atenção, principalmente nos tumores associados ao HPV.

“A prevenção e a detecção precoce são pontos fundamentais quando falamos em tumores de cabeça e pescoço. A medicina bucal tem um papel importante nesse acompanhamento”, enfatiza Harada.

Tabagismo, álcool e HPV continuam entre os principais riscos

Os principais fatores de risco para o câncer de cabeça e pescoço continuam sendo o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas e a infecção pelo HPV. Segundo os especialistas, o cigarro e o álcool são fatores evitáveis, e a vacinação contra o HPV representa uma importante forma de prevenção primária.

Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), cerca de 60% a 70% dos casos de câncer de orofaringe diagnosticados nos Estados Unidos estão relacionados ao HPV.

Diferente dos tumores associados ao cigarro e ao álcool, os casos ligados ao vírus costumam atingir pacientes mais jovens e sem os fatores de risco tradicionais.

Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura

Após a confirmação do câncer, Fernando foi submetido à quimioterapia e à radioterapia. Em maio deste ano, o primeiro PET-CT realizado após o tratamento mostrou resposta completa à terapia. Atualmente, ele segue em acompanhamento médico.

“Quando recebemos um diagnóstico de câncer, percebemos que muitos dos problemas do dia a dia deixam de ter importância. Saúde muda tudo. Por isso, não ignore os sintomas. Respeite o seu corpo”, alerta.

Castro reforça que o tempo faz diferença para o tratamento. “O carcinoma de células escamosas, que é o tipo mais frequente de câncer de cabeça e pescoço, pode ser curado quando diagnosticado em estágios iniciais. Infelizmente, na maioria das vezes, esses tumores são descobertos em fases mais avançadas”, diz.

Os médicos orientam que qualquer alteração persistente seja avaliada. Sintomas com duas semanas ou mais devem ser avaliados por um médico especialista.