Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Saúde

10 anos após vencer melanoma, paciente ainda vive com medo da doença

Acompanhamento médico e mapeamento das pintas seguem fazendo parte da rotina de quem já teve melanoma

28/06/2026 02:00
Compartilhar notícia
Arquivo pessoal
10 anos após vencer melanoma, paciente ainda vive com medo da doença

Uma pinta que começou a crescer, escurecer e coçar foi o primeiro sinal de que algo estava errado. Aos 29 anos, a social media Carolina Xavier acreditava que seria apenas mais uma lesão de pele retirada em consultório, como já havia acontecido antes. Em vez disso, recebeu o diagnóstico de melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele. Hoje, dez anos após o tratamento, ela está livre da doença, mas diz que o medo nunca desapareceu completamente.

O diagnóstico chegou em maio de 2016, depois que uma dermatologista decidiu investigar a lesão localizada acima do seio direito. Carolina lembra que a médica retirou um pequeno fragmento para biópsia e escreveu a palavra “urgente” no pedido do exame. Dias depois, ela recebeu sozinha o resultado.

“Quando peguei aquele papel e li o termo ‘melanoma maligno‘, acho que entrei em choque. É a sensação de o chão se abrir e você não vai conseguir fazer nada”, lembra.

Nos primeiros momentos após ler o resultado da biópsia, Carolina conta que ficou desesperada. Mesmo assim, voltou ao trabalho e tentou seguir a rotina normalmente, apesar de não conseguir dimensionar a gravidade do diagnóstico. “Eu travei. Continuei fazendo minhas coisas meio no automático”, lembra.

Nas semanas seguintes, porém, a rotina mudou completamente. Vieram novas consultas, exames e a cirurgia para retirar a lesão com uma margem de segurança. O maior receio era descobrir que o melanoma já havia atingido os linfonodos ou outros órgãos.

Os exames mostraram que a doença ainda estava restrita à pele, o que aumentava as chances de cura. Ainda assim, a preocupação não desapareceu.

“Os primeiros cinco anos foram muito intensos. A cada exame vinha aquela ansiedade pelo resultado. Também ficava apreensiva para saber se alguma das pintas tinha mudado ou se apareceria uma nova”, conta.
10 anos após vencer melanoma, paciente ainda vive com medo da doença - destaque galeria
9 imagens
Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença
A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.
Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago
A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão
Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e é uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser um problema cada vez mais comum, o quanto antes for identificado, maiores serão as chances de recuperação
1 de 9

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer é um dos principais problemas de saúde pública no mundo e é uma das quatro principais causas de morte antes dos 70 anos em diversos países. Por ser um problema cada vez mais comum, o quanto antes for identificado, maiores serão as chances de recuperação

boonchai wedmakawand
Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença
2 de 9

Por isso, é importante estar atento aos sinais que o corpo dá. Apesar de alguns tumores não apresentarem sintomas, o câncer, muitas vezes, causa mudanças no organismo. Conheça alguns sinais que podem surgir na presença da doença

Phynart Studio/ Getty Images
A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.
3 de 9

A perda de peso sem nenhum motivo aparente pode ser um dos principais sintomas de diversos tipos de cânceres, tais como: no estômago, pulmão, pâncreas, etc.

Flashpop/ Getty Images
Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago
4 de 9

Mudanças persistentes na textura da pele, sem motivo aparente, também pode ser um alerta, especialmente se forem inchaços e caroços no seio, pescoço, virilha, testículos, axila e estômago

FG Trade/ Getty Images
A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão
5 de 9

A tosse persistente, apesar de ser um sintoma comum de diversas doenças, deve ser investigada caso continue por mais de quatro semanas. Se for acompanhada de falta de ar e de sangue, por exemplo, pode ser um indicativo da doença no pulmão

South_agency/ Getty Images
Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido
6 de 9

Outro sinal característico da existência de um câncer é a modificação do aspecto de pintas. Mudanças no tamanho, cor e formato também devem ser investigadas, especialmente se descamarem, sangrarem ou apresentarem líquido retido

Peter Dazeley/ Getty Images
A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Além disso, dor e dificuldades na hora de urinar também devem ser investigados
7 de 9

A presença de sangue nas fezes ou na urina pode ser sinal de câncer nos rins, bexiga ou intestino. Além disso, dor e dificuldades na hora de urinar também devem ser investigados

RealPeopleGroup/ Getty Images
Dores sem motivo aparente e que durem mais de quatro semanas, de forma frequente ou intermitente, podem ser um sinal da existência de câncer. Isso porque alguns tumores podem pressionar ossos, nervos e outros órgãos, causando incômodos
8 de 9

Dores sem motivo aparente e que durem mais de quatro semanas, de forma frequente ou intermitente, podem ser um sinal da existência de câncer. Isso porque alguns tumores podem pressionar ossos, nervos e outros órgãos, causando incômodos

ljubaphoto/ Getty Images
Azia forte, recorrente, que apresente dor e que, aparentemente, não passa, pode indicar vários tipos de doenças, como câncer de garganta ou estômago. Além disso, a dificuldade e a dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago
9 de 9

Azia forte, recorrente, que apresente dor e que, aparentemente, não passa, pode indicar vários tipos de doenças, como câncer de garganta ou estômago. Além disso, a dificuldade e a dor ao engolir também devem ser investigadas, pois podem ser sinal da doença no esôfago

DjelicS/ Getty Images

Segundo a dermatologista Adriana Rochetto, colaboradora do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida, esse sentimento é comum entre pacientes que tiveram melanoma.

“Mesmo após o tratamento bem-sucedido, o acompanhamento continua sendo muito importante porque o melanoma é um câncer de pele mais agressivo, com potencial para atingir linfonodos e outros órgãos”, explica.

Ela afirma que cerca de 80% das recorrências acontecem nos três primeiros anos após o tratamento, motivo pelo qual esse período exige vigilância mais frequente.

Depois dos três anos, muitos pacientes passam a fazer consultas anuais, mas o acompanhamento costuma ser mantido por toda a vida. “É frequente que os pacientes convivam com medo do retorno da doença. Do ponto de vista emocional, isso pode ser bastante pesado”, afirma a especialista.

Acompanhamento para o resto da vida

Hoje, dez anos depois do diagnóstico, Carolina faz consultas anuais com o oncologista e com a dermatologista.

Além de exames de sangue, raio X e ultrassonografia, ela realiza um mapeamento corporal por dermatoscopia digital, exame que registra fotografias das pintas para comparar possíveis alterações ao longo do tempo. “O oncologista costuma brincar que será um casamento para o resto da vida”, conta.

Ela diz que tenta encarar os exames com tranquilidade, mas admite que a ansiedade aparece nos dias que antecedem as consultas. “Sair da sala sabendo que está tudo bem me deixa mais leve. Depois dos exames, eu e meu marido sempre vamos comemorar em algum restaurante”, compartilha.

Receba no seu email as notícias de Ciência&Saúde

Frequência de envio: Semanal

Ver todas as newsletters

O melanoma também mudou completamente sua relação com o sol. Antes do diagnóstico, Carolina buscava a marquinha de biquíni, tomava sol por longos períodos e quase nunca usava protetor solar.

“Hoje uso protetor o ano inteiro, boné, óculos escuros, roupas com manga longa quando viajo, manguito para dirigir e evito os horários de maior sol. Entendi que preciso me proteger”, diz.

Mais do que isso, ela passou a observar o próprio corpo com muito mais atenção. “Tenho muitas pintas, então estou sempre de olho para caso alguma comece a coçar, sangrar ou mudar de aparência.”

Melanoma exige atenção

Ao contrário de outros tumores de pele, o melanoma apresenta maior risco de se espalhar para outros órgãos quando não é diagnosticado precocemente.

“Nem todo câncer de pele é igual. O carcinoma basocelular, por exemplo, costuma crescer apenas localmente. Já o melanoma tem potencial para causar metástases e pode levar à morte quando não tratado adequadamente”, explica Adriana.

De acordo com a dermatologista, justamente por isso qualquer mudança em uma pinta merece avaliação médica. O acompanhamento também é importante porque quem já teve melanoma apresenta maior risco de desenvolver novos tumores ao longo da vida.

Além disso, parentes de primeiro grau também devem realizar avaliação periódica das pintas, pois apresentam risco aumentado para a doença.

Ao lembrar da própria trajetória, Carolina espera que sua experiência incentive outras pessoas a procurarem ajuda logo nos primeiros sinais.

“Sempre que alguém me diz que marcou uma consulta porque ouviu minha história, sinto que tudo isso ganhou um propósito. O diagnóstico precoce faz toda a diferença”, finaliza.