O Instagram vai ocultar os likes. E agora?

A nova decisão da plataforma pode ter consequências pessoais para os usuários e financeiras para empresas e geradores de conteúdo

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atualizado 09/05/2019 21:09

Recentemente, o Instagram anunciou que passaria a ocultar o número de likes. Como isso afetará a nossa vida? E por que uma notícia como essa se tornou motivo de tanta preocupação?

O Instagram é a surpresa da década. Quem imaginaria que uma plataforma de compartilhamento de fotos entre fotógrafos se tornaria o palco de toda a nossa existência? Por lá, mantemos contato com quem está longe, compramos joias, bolos, passagens aéreas e, principalmente, checamos a credibilidade de pessoas e empresas. Passamos a ter um CPF, um RG e um número de seguidores. Credencial social e instrumento de aceitação ou exclusão. A busca pela popularidade plástica se tornou um problema e até uma doença.

Ame ou odeie, a plataforma está sempre se reinventando e buscando maneiras de sobreviver no mercado. A novidade da temporada é ocultar o número de likes de fotos e vídeos. O dono da conta continuará visualizando o número total de interações, mas a informação será ocultada para seus seguidores. Sob quais argumentos? Adam Mosseri, presidente executivo da plataforma, apontou os seguintes motivos para a mudança:

» Minimizar o estresse durante o uso da plataforma, quando os usuários competem em relação ao número de likes que suas publicações atingem. “Queremos que eles se preocupem um pouco menos com o número de likes conseguidos e passem um pouco mais de tempo conectando-se com as pessoas que gostam”, disse ele, na conferência anual de desenvolvedores do Facebook, F8.

» Fazer um esforço mais amplo para repensar os fundamentos básicos de como o Instagram funciona: foco no conteúdo, e não nos likes.

E quais as possíveis consequências disso?

» Para pessoas físicas, a primeira consequência visível é a terapia coletiva. A mudança vai abalar a maneira como as pessoas se relacionam e, à primeira vista, de uma maneira ruim. Uma de nossas barreiras de conforto vai ser derrubada, vamos ter de lidar com fotos sem likes expostos para o mundo. Num segundo momento, os sobreviventes poderão desfrutar de um certo desapego em relação à plataforma. Parece até piada falar sobre isso, mas sanidade mental, autoestima e Instagram estão diretamente ligados nos dias de hoje. Ninguém solta a mão de ninguém!

» Mais foco em padrão de fotos e vídeos. O mercado vai começar a competir por compartilhamentos, e não por números absolutos. Pode surgir aí um nivelamento na exigência das marcas com os geradores de conteúdo.

» Influenciadores e geradores de conteúdo com menos audiência poderão se beneficiar da decisão. A competição por números será minimizada e vários talentos poderão ganhar destaque.

» As marcas contratantes poderão passar por um momento confuso. O costume de usar o número de likes como parâmetro vai obrigar empresas a encontrarem novas formas de avaliar a efetividade de um post, e o fator estético de imagem pode ser muito relativo. A contratação de influencers e geradores de conteúdo precisará de novos critérios.

» Falando ainda sobre a relação entre marcas e geradores de conteúdo, o número oculto de likes pode fortalecer uma prática já muito comum: o envio de prints dos números alcançados, dos quais só o dono da conta tem acesso. Os empreendimentos, antes mesmo de fechar um job com um influenciador, já cobram os prints dos números de desempenho da conta, ação que pode ser um tanto excludente e invasiva.

» Para as marcas que usam a plataforma como meio de negócio, likes são meios de comparação entre uma empresa e outra, mas isso nem sempre diz respeito à qualidade. Portanto, é importante resgatar um valor da era pré-Instagram: produto bom fala por si só, com like ou sem like. Experimentação, boas opiniões e boca a boca valem ouro em tempos de curtidas ocultas.

É difícil acreditar que uma marca esteja preocupada com a nossa saúde mental. Sempre esperamos alguma atividade oculta por trás de decisões como essa. O interessante é usar momentos assim para discutir e avaliar qual a nossa relação com algo que tende a ser tóxico e, no caso de empresas, comer todo o orçamento de comunicação.

Sejamos mais críticos com o uso das mídias sociais que notícias como essa deixarão de ser tão traumáticas.

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