Conheça Carla Arakaki, DJ que promove a força da mulher no rap

Também fotógrafa e produtora, Carla procura trazer diversidade aos seus sets

Reprodução/Instagram

atualizado 11/04/2019 19:06

Sabe aquela pessoa que é naturalmente cool? Essa é Carla Arakaki, DJ, produtora e fotógrafa. A vontade de entrevistá-la já era grande, mas foi o projeto 365 que me fez colocá-la no pedestal de “pessoa-que-usa-as-mídias-sociais-para-algo-incrível”.

Em seus Stories, 365 mulheres do rap ganham destaque, dia após dia, em um release detalhado, afetuoso e feito com muita força, daquelas que só se vê quando uma mulher fala de outra.

Carla conversou com a coluna sobre o seu trabalho e sua formação. Confira:

Qual a sua ocupação atual?
Sou DJ da Ice Cream Girls, produtora executiva na Trip Editora e fotógrafa.

Como foi a escolha da sua carreira?
Minha carreira é múltipla. Tenho espírito inquieto e gosto de aprender. Com produção, trabalho desde sempre: campeonato profissional de skate pelo Brasil, clipes, eventos, ações, ensaios fotográficos para revistas e publicidade. Também produzi o Quinto Andar, Shawlin e Subsolo.

O rap está na minha vida desde os 14, 15 anos. Gravava fitinhas cassetes com o som do rádio. Sempre pesquisei muito, já tive até blog para falar disso. Tem gente que me acompanha na net desde essa época. Graffiti e skate também sempre estiveram envolvidos nos meus trabalhos de alguma forma.

Qual a sua formação e quais cursos/trabalhos considera essenciais?
Gosto de estudar. Sou bacharel em turismo, MBA em marketing, técnica de áudio pelo IAV e fiz fotografia na Central Saint Martins.

Qual o maior desafio na sua profissão?
Conseguir colocar um pouco de mim em tudo o que faço: meu olhar na fotografia, minha pesquisa e gosto nos sets, minhas skills na produção.

Na fotografia, como tenho um projeto focado em pichação e graffiti ilegal, já quebrei o pé, passei madrugadas na delegacia, vi amigos apanharem e perdi equipamento. Muita gente não gosta, respeito também, mas nunca sofri diretamente com o machismo. Os meninos com que tenho fechamento me tratam sempre de igual para igual: capacidades iguais de pular, escalar, correr. Eles fazem eu me sentir muito bem.

Já como DJ, não posso dizer o mesmo. Acredita que ainda tem cara que chama para sair para “aproveitar e falar de tocar naquela gig que eu faço?”. O machismo acaba sempre sendo um desafio, em algumas áreas mais que outras.

Fale mais sobre o projeto no Instagram das minas no rap.
Esse é outro desafio na profissão. A falta de representatividade feminina nos palcos é notória e eu sempre senti isso nos sets dos DJs. Uma festa inteira com dois ou três sons de mulher e, muitas vezes, nenhum. Não acho que seja proposital, talvez falte atenção ou mesmo conhecimento, então resolvi compartilhar um pouco da minha pesquisa com as pessoas. Tento diversificar bem os países e tipos de rap, para agradar a todos os gostos.

Quem é sua maior inspiração?
Minhas amigas reais me inspiram. Quem quiser me seguir no Instagram e acompanhar meu rolê, elas estão sempre por lá.

Indique sites, livros, filmes e documentários imperdíveis.
Filmes: a trilogia de vingança de Park Chan-Wook; e Dolls, de Takeshi Kitano. Site: Trunk Archive eu amo, dá pra ficar horas se inspirando. Documentários: todos que puder assistir sempre. Livros: todos que puder ler sempre.

E quais os canais preferidos no YouTube?
Basicamente, sigo o canal da maioria dos artistas que gosto. O YouTube é onde eu mais procuro músicas novas e crio playlists. Muita coisa que tem lá, não tem em outras plataformas, é mais democrático.

E quais playlists/artistas no Spotify escuta sempre?
Não uso, acredita? Tenho o costume de baixar para poder tocar depois.Tentei fazer uma playlist das 365 mulheres na plataforma e não encontrei tudo.

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