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Xexênia, “chefe de comunicação” do PCC, pega 10 anos de prisão

Criminosa condenada em 2ª instância era responsável pela distribuição de celulares já com chips para a cúpula do PCC presa e em liberdade

atualizado

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Arte gráfica de mão segurando celular, com fundo infernal vermelho - Metrópoles
1 de 1 Arte gráfica de mão segurando celular, com fundo infernal vermelho - Metrópoles - Foto: Arte/Metrópoles

Carla Riciotti Lima, de 36 anos, conhecida no mundo do crime como Xexênia, foi condenada a 10 anos e três meses, em segunda instância, por coordenar uma complexa rede de comunicação privada da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ela está atrás das grades desde 14 de setembro de 2020, quando celulares apreendidos em sua casa ajudaram a polícia a entender sua relação com os chefões da maior facção criminosa do país.

Denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), obtida pelo Metrópoles, afirma que a criminosa geria um esquema para adquirir, configurar e distribuir celulares, além de chips novos, à cúpula do PCC.

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Marcola: líder do PCC é levado a hospital de Base no DF sob forte esquema de segurança
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A troca dos chips, ainda de acordo com a Promotoria, seria constante, para dificultar a identificação e teor das conversas entre as lideranças da facção — tanto nas ruas como no sistema carcerário.

Os aparelhos distribuídos por Xexênia já contavam com uma agenda de contatos, para que os criminosos retomarem suas conversas, sem maiores dificuldades.

“Bate-bolas”

Além de organizar a distribuição dos celulares, a criminosa também auxiliava na codificação de salves — mensagens do PCC — servindo como uma criptografia artesanal, para dificultar a compreensão dos diálogos, caso caíssem nas mãos de pessoas erradas.

As mensagens, de acordo com MPSP, eram posteriormente decodificadas por Xexênia, permitindo o entendimento de ordens, recados e esclarecimentos trocados entre a cúpula da facção criminosa. Esse método é chamado entre os criminosos de “bate-bolas”.

Quando estava em liberdade, Xexênia era integrante da Sintonia da Financeira Geral, setor da facção na qual coordenava as redes de comunicação fechadas do PCC.

“Carla [Xexênia] era a responsável pela aquisição de celulares em massa, pagos com recursos da organização criminosa”, diz trecho da denúncia, acrescentando que ela também resguardava as conversas dos chefões.

Orientada por “superiores” hierárquicos, ela também organizava planilhas, mencionadas inclusive em “bate-bolas” nos quais constava como interlocutor Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue.

Ele foi assassinado juntamente com Fabiano Alves de Souza, o Paca, em 15 de fevereiro de 2018, em uma reserva índigena em Aquiraz (CE) — iniciando aí uma crise interna entre as lideranças máximas da facção, cuja cúpula acabou rachando, como mostrado pelo Metrópoles.

Xexênia é uma peça importante na engrenagem do crime. Isso fica evidenciado em mensagens trocadas entre chefes da facção, os quais afirmam que ela “sabe mais das coisas [informações internas da cúpula] que muitos aí”. Por saber de detalhes e segredos trocados entre o mais alto escalão do PCC, os criminosos ressaltam que precisam “cuidar dela”.

Defesa

A defesa de Xexânia alegou ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) que ela é uma “pessoa honesta”, afirmando não possuir vínculo com o mundo do crime.

Foi argumentado ainda que o apelido atribuído à Carla refere-se a outra pessoa.

Os itens apreendidos no dia da prisão de Carla, ainda afirmou a defesa, pertenciam ao companheiro dela, cuja condenação classificou como “injusta”.

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