“Vítima tratada como culpada”, diz cabeleireiro esfaqueado por cliente
Eduardo Ferrari disse que a sensação deixada após o episódio de violência que sofreu é a de que “a homofobia parece aceitável no Brasil”
atualizado
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Eduardo Ferrari, o cabeleireiro atacado por uma cliente na última terça-feira (5/5) em um salão de beleza na Barra Funda, zona oeste de São Paulo, afirmou nas redes sociais que a sensação deixada após o episódio de violência que sofreu é a de que “a homofobia parece aceitável no Brasil”. No texto, ele também criticou o tratamento dado ao caso pelas autoridades policiais e relatou ter ouvido de uma agente que a ocorrência não teria sido tratada como tentativa de assassinato porque ele “não tem parentes influentes”.
“Quem comete um ato como esse não tem nada a perder. Eu tenho. Tenho uma carreira construída com anos de luta, estudo, dedicação e trabalho. Tenho um negócio. Tenho responsabilidades. Tenho pessoas que dependem diretamente da minha cadeira e do meu trabalho para levarem sustento para casa. Meu único desejo era que tudo isso nunca tivesse acontecido. Que eu pudesse continuar exercendo a profissão que carrego tatuada no corpo e na alma. Poder acordar todos os dias e fazer aquilo que amo. De verdade, não aguento mais tudo isso”, afirmou.
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A designer de 27 anos que foi detida pela Polícia Militar após esfaquear um cabeleireiro, nessa terça-feira (5/5), em um salão de beleza na Avenida Marquês de São Vicente, reclamou nas redes sociais do corte feito pelo profissional no dia 7 de abril.
Lais Gabriela Barbosa da Cunha afirmou ter ficado revoltada com o corte da franja: “Ele pegou o meu cabelo e foi picotando com uma tesoura-navalha. Se vocês conseguem ver, a minha franja está parecendo o Cebolinha, porque ele cortou todo o meu cabelo. Eu mandei mensagem do WhatsApp e eles ficaram dois dias sem me responder”, disse. Em outra gravação, ela afirmou: “Aí sabe o que eu fiz? Ofendi ele e falei: ‘seu viado desgraçado, arruma o meu cabelo’”.
Imagens cedidas ao Metrópoles mostram o momento em que Lais Gabriela Barbosa da Cunha fica posicionada atrás da vítima e, em seguida, retira um objeto da bolsa e golpeia as costas do cabeleireiro Walmir Eduardo dos Santos Paranhos, de 29 anos — a vítima vai completar 30 anos nesta quinta-feira (7/5).
Na sequência do ataque, um segurança e outras pessoas presentes no salão intervém e retiram a faca usada no ataque contra o cabeleireiro, além de imobilizar a agressora.
A PM foi acionada e deteve Lais. Segundo os militares, o ataque aconteceu instantes depois de a mulher ir ao salão e causar confusão sobre o resultado de um corte feito pela vítima. O procedimento foi realizado no dia 7 de abril e chegou a ser publicado pela própria agressora nas redes sociais com um sinal de satisfação, segundo o cabeleireiro e proprietário do salão.
A vítima e demais responsáveis pelo espaço chegaram a convidar Lais a se retirar, mas ela permaneceu no local até o concretizar o crime. Apesar de detida, a mulher frisou que a motivação para o crime foi pelo descontentamento do corte realizado.
O cabeleireiro atacado falou ao Metrópoles estar sem trabalhar por temer pela segurança, e lamentou desfecho após o ataque.
“A faca pegou de forma superficial e não foi no meu pescoço. Estamos lutando para julgarem da forma correta, porque a delegada considerou como lesão corporal leve e ela [Lais] saiu pela porta da frente. Isso não pode ficar impune. Estou com medo pela minha vida, não sabemos até onde isso foi um fato isolado”, diz.
O crime vai ser investigado pelo 7° Distrito Policial (DP) da Lapa como lesão corporal e ameaça. Lais foi liberada depois de prestar depoimento, no 91° Distrito Policial (DP) Ceasa.
Ameaças
O Metrópoles teve acesso ao Boletim de Ocorrência (B.O). O documento diz que o proprietário do salão, bem como a vítima, pediram para que a mulher saísse do salão devido à confusão provocada. Apesar do pedido, Lais disse que “não resolvia coisas desse jeito”. Além disso, a designer falou que o cabeleireiro “estava marcado para morrer, nem que tivesse que trabalhar para pagar por isso”, destaca documento elaborado pela Polícia Civil.
De acordo com os responsáveis pelo salão, ela teria feito um procedimento para a aplicação de mechas no dia 7 de abril. Uma semana após o serviço, Lais começou a enviar mensagens demonstrando insatisfação com o resultado. Em um dos contatos, a mulher afirmou que gostaria de colocar fogo no profissional.
Eles explicaram para a cliente que o procedimento havia sido realizado conforme o combinado. Mas ela insistiu com os contatos e foi até o salão na tarde dessa terça, exigindo um reparo imediato ou a devolução do dinheiro pago pelo serviço.














