Vigilância Sanitária fez inspeção em hospital de SP onde 36 bebês morreram
Segundo órgão, foram avaliadas condições de funcionamento das unidades neonatal e pediátrica. A polícia investiga o caso

São Paulo — A Vigilância Sanitária de São Paulo informou, na tarde desta sexta-feira (23/10), que realizou uma inspeção no Hospital e Maternidade Salvalus, na zona leste de São Paulo, para “avaliar as circunstâncias” das dezenas de mortes de bebês ocorridas na unidade ao longo do último ano, reveladas pelo Metrópoles em uma série de reportagens.
Segundo o comunicado, estiveram envolvidos na inspeção os Centros de Vigilância Sanitária (CVS) e de Vigilância Epidemiológica (CVE) estaduais, além da Vigilância Epidemiológica Municipal. A nota afirma que estão sendo avaliados 35 óbitos, embora informações obtidas pela reportagem indiquem pelo menos 36 mortes.
“As equipes avaliaram as condições de funcionamento das unidades neonatal e pediátrica, os protocolos de higienização e prevenção de infecções e o monitoramento dos indicadores assistenciais”, continua o comunicado. “Também analisaram as mudanças no perfil de atendimento, especialmente em relação aos pacientes de alta complexidade.”
A Vigilância Sanitária acrescentou, ainda, que toda a documentação coletada está em “análise prioritária” para que sejam tomadas as medidas administrativas cabíveis.

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A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar uma série de mortes de bebês ocorrida ao longo do último ano no Hospital Salvalus. As crianças teriam contraído infecções no ambiente hospitalar e morrido em decorrência de sepse ou choque séptico, além de outras complicações.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPO 8º Distrito Policial (Brás) apura seis casos, mas a reportagem teve acesso a 16 certidões de óbitos. Uma advogada, que representa os pais das vítimas, disse estar em contato, ao todo, com 36 mães que perderam os filhos nos últimos meses no hospital — que integra a rede HapVida. No entanto, o número de mortes pode ser significativamente maior.
Alguns dos casos reportados pelo Metrópoles envolvem um bebê que deu entrada com inflamação na garganta e morreu com necrose no pé, um recém-nascido que morreu após paradas cardiorrespiratórias e hemorragia e um bebê que teve infecção bacteriana no cérebro, entre outros.
“Pra todos os efeitos, na rede [HapVida] o Salvalus é o hospital referência. Então, todos os casos vão para lá. Por isso, a gente não tem noção da profundidade da quantidade de óbitos”, disse a advogada Eduarda Fragnan Gomes, ao Metrópoles.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou à reportagem que os casos, ocorridos nos meses anteriores, foram comunicados nessa quarta-feira (21/10).
“A autoridade policial realiza diligências, inclusive com as oitivas de profissionais de saúde e testemunhas, análise integral dos prontuários médicos, visando esclarecer as causas das mortes”, disse a pasta.
Hospital falou em “alta complexidade”
Segundo o Savalus, os pacientes mencionados tinham “condições clínicas distintas” e de “elevada gravidade”. Cada um deles teria recebido “assistência contínua e multidisciplinar, com suporte de uma estrutura hospitalar de alta complexidade e atuação integrada de profissionais de diversas especialidades”.
Ainda de acordo com o hospital, “as condutas terapêuticas foram individualizadas, considerando as necessidades de cada paciente e a evolução de seus quadros clínicos”.
A nota encerra com a informação de que a unidade mantém um “canal aberto de diálogo” por meio da diretoria de acolhimento do hospital, que se coloca à disposição para prestar os esclarecimentos necessários, “com respeito à privacidade e ao sigilo médico”.
