Vídeo mostra policial instantes antes de ser baleado por PM da Rota

Rafael Moura da Silva aparece caminhando por viela antes de ser atingido por disparos efetuados pelo sargento da PM Marcus Augusto Costa

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Rafael Moura, morto por PMs da Rota
1 de 1 Rafael Moura, morto por PMs da Rota - Foto: Reprodução

O policial civil Rafael Moura da Silva, baleado por um sargento da Rota no fim da tarde da última sexta-feira (11/7), no Campo Limpo, zona sul de São Paulo, aparece, em um vídeo feito por um colega, caminhando ao lado da viela em que foi atingido. Na gravação, é possível ver Rafael de camiseta e boné pretos e de calça cinza. O relógio do policial que faz a gravação marca 17h48. De acordo com o boletim de ocorrência do caso, os disparos teriam ocorrido por volta desse horário.

Rafael Moura da Silva, da Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco), da 3ª Seccional da Polícia Civil, permanece internado em estado gravíssimo no Hospital das Clínicas. Ele foi atingido por três disparos, um no braço e dois no abdômen.

Assista:

O autor dos disparos que atingiram Rafael Moura foi o sargento da Rota Marcus Augusto Costa Mendes. Após o ocorrido, o delegado Antonio Giovanni Neto determinou a instauração de um inquérito para apurar se o PM agiu de forma desproporcional ou com “excesso na legítima defesa”.

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Pedido de doação para o policial Rafael Moura
Rafael Moura tinha 38 anos
O agente da Polícia Civil foi morto em 11 de julho
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O agente da Polícia Civil foi morto em 11 de julho

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Pedido de doação para o policial Rafael Moura
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Rafael Moura tinha 38 anos
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Rafael Moura tinha 38 anos

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Em um primeiro momento, o caso é tratado como legítima defesa putativa, quando alguém, de forma equivocada, acredita estar sob injusta agressão e age como se estivesse em legítima defesa. Segundo a autoridade policial, não é possível determinar se houve excesso.

“Sendo assim, decide esta Autoridade Policial pela apuração investigativa em profundidade, eis que a dinâmica dos fatos, num juízo cognitivo sumário carece dessa apuração. O inquérito policial será instaurado”, diz o delegado no boletim de ocorrência.

O sargento Marcus Augusto Costa Mendes disse ter confundido os policiais com traficantes. Testemunhas afirmam que ele chegou atirando.


Dinâmica da ação que feriu policial

  • Agentes da Polícia Civil estavam em diligências no Capão Redondo, com viatura da Polícia Civil e distintivo.
  • Mesmo com a identificação, em uma viela, policias da Rota viram os agentes e, acreditando se tratar de traficantes, atiraram.
  • Os agentes, alvos dos disparos, tentaram alertar que eram policiais. Apesar dos avisos, eles foram baleados.
  • Um dos agentes, identificado como Rafael Moura, foi atingido com três tiros: um no braço, e dois no abdômen.
  • Em estado grave, ele foi encaminhado ao Hospital das Clínicas, onde passou por cirurgia.
  • O outro policial civil foi atingido de raspão, atendido no hospital e liberado.

Já a delegada Raquel Gallinati, diretora da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, classificou o episódio em que o investigador Rafael Moura foi baleado por um sargento da Rota na zona sul de São Paulo como “reflexo de um sistema que opera no improviso”, com violações sistemáticas do protocolo operacional. Segundo a delegada, a Polícia Militar apresenta falhas severas de comando.

“Trata-se de mais um episódio que escancara a repetição de erros estruturais crônicos. Não é a primeira vez — e, lamentavelmente, não será a última, enquanto não forem enfrentadas as causas profundas que alimentam esse tipo de ocorrência: ausência de integração doutrinária entre as forças e desvalorização profissional”, diz Gallinati.

Para Raquel Gallinati, a conduta do PM está ligada à falta de treinamento eficaz. “Que o policial que efetuou os disparos seja rigorosamente investigado e, se comprovada a responsabilidade, punido com severidade nos termos da lei. Da mesma forma, aqueles que ocupam cargos de chefia devem assumir a responsabilidade institucional inerente à função que exercem”, afirma a delegada.

“Politizar o sangue dos nossos é repugnante. É desrespeitar as famílias que choram. É desonrar o distintivo ou farda que tantos vestem com coragem. É trair os policiais que colocam a vida em risco todos os dias pela sociedade”, conclui.

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