Viagem de 10 dias de vereadores à China custa R$ 450 mil para a Câmara
Missão oficial ao país asiático conta com seis vereadores e trata de temas como eletrificação da frota, segurança e energias renováveis
atualizado
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A Câmara Municipal de São Paulo vai desembolsar R$ 452 mil para custear uma viagem de vereadores para a China. A missão oficial, feita a convite do governo do país asiático, ocorre desde a última sexta-feira (19/9) e vai até 28 de setembro. A comitiva é integrada por seis vereadores (foto em destaque) e outros dois servidores da Casa.
Para a organização da viagem, a Câmara contratou por R$ 323,4 mil a InvestSP, agência ligada ao governo de São Paulo e que possui um escritório de representação na China.
“A agência é a responsável por todo o planejamento estratégico da missão; agendamento de reuniões; apoio na logística interna (hospedagem, transporte interno e intracidades); tradução; acompanhamento da delegação; registro documental; produção de relatório técnico da missão com avaliação de resultados; entrega de material e documentos das instituições visitadas; entre outras atividades”, informou a assessoria da Câmara Municipal.
Outros R$ 129,1 mil foram gastos em passagens aéreas. De acordo com o Legislativo municipal, as passagens foram adquiridas por meio de um contrato de licitação. “A compra por meio deste contrato possibilita a aquisição de passagens com 25% de desconto em relação ao preço aplicado pelas companhias aéreas”, informou a Casa.
“Temas relevantes”
O requerimento sobre a missão foi aprovado em plenário no dia 12 de agosto. A comitiva é integrada pelos vereadores João Jorge (MDB), vice-presidente da Câmara; Fabio Riva (MDB), líder de governo; Hélio Rodrigues (PT); Dr. Milton Ferreira (Podemos); Major Palumbo (PP); e Carlos Bezerra (PSD), além de dois servidores da Câmara que assessoram os vereadores durante a missão. Com exceção de Rodrigues, os demais parlamentares são da base do prefeito Ricardo Nunes (MDB).
“A missão da Câmara trata de temas relevantes para a cidade de São Paulo, dentre eles eletrificação da frota, segurança, geração de emprego, energias renováveis, reciclagem, gestão de resíduos e atendimentos emergenciais em metrópoles”, afirmou a Presidência da Câmara.
Ainda de acordo com a assessoria, os mesmos temas já foram tratados pela missão oficial da Prefeitura de São Paulo que esteve na China e no Japão em abril deste ano. “Competem aos vereadores se aprofundarem para poder, assim como o Executivo, propor políticas públicas e fiscalizar as ações do Município”, disse a Câmara.
Nessa segunda-feira (22/9), os vereadores se reuniram com uma empresa de tecnologia. No encontro, foram apresentadas “soluções inteligentes voltadas à logística urbana”, como a utilização de drones e carros autônomos, dirigidos por inteligência artificial, para otimizar o processo de entregas nas cidades.
“Também foram apresentados os pontos de descanso e atendimento voltados aos entregadores, além de equipamentos de proteção desenvolvidos para garantir maior segurança e bem-estar durante a atividade profissional”, informou a assessoria da Câmara.
Já nesta terça-feira (23/9), um dos encontros foi com o cônsul do Brasil em Xangai, Augusto Pestana.
Polêmica com viagem
- Antes da missão oficial à China, uma viagem internacional que seria custeada pela Câmara gerou polêmica na Casa depois de um bate-boca entre as vereadoras Janaína Paschoal (PP) e Zoe Martinez (PL).
- Na sessão plenária do dia 20 de agosto, quando o requerimento foi lido antes de ser votado, Janaína foi ao microfone protestar contra o gasto de dinheiro público para a viagem, o que acabou gerando uma discussão com Zoe Martinez.
- Após a repercussão, Zoe e o vereador Rubinho Nunes (União), também autor do requerimento da viagem, optaram por fazer a viagem com recursos próprios.
O que diz a Câmara Municipal
Em nota, a Presidência da Câmara Municipal de São Paulo afirmou que, “assim como a Prefeitura, o Judiciário e outras casas legislativas organizam missões deste tipo, é papel da Câmara também realizar esses intercâmbios, que ajudam a embasar a atuação dos vereadores”.
“Com muita frequência a Câmara Municipal de São Paulo recebe comitivas oriundas de outros países, o que reforça que esse intercâmbio é natural, principalmente quando se trata da maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo”, afirmou o órgão.
