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São Paulo

Vereadora eleita é arrastada por GCM ao tentar impedir corte de árvore

Vereadora eleita Renata Falzoni (PSB) foi arrastada por GCMs ao tentar impedir corte de árvores para a construção de túnel na Vila Mariana

07/11/2024 16:01, atualizado 07/11/2024 20:02
Reprodução
Imagem mostra mulher sendo arrastada por guardas - Metrópoles

São Paulo — A vereadora eleita Renata Falzoni (PSB) foi arrastada por guardas civis metropolitanos (GCMs), nesta quinta-feira (7/11), ao tentar impedir o corte de árvores para a construção de um túnel na Rua Sena Madureira, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. O local foi cercado por tapumes no início desta semana para a sequência da obra.

A obra da prefeitura é alvo de três inquéritos no Ministério Público de São Paulo (MPSP), entre eles um que trata das questões ambientais, como o corte de 172 árvores na região. O projeto prevê também a remoção de dezenas de famílias da comunidade da Rua Souza Ramos.

A vereadora eleita conta que tentava impedir a remoção das árvores, agarrada a uma delas como forma de protesto, quando foi cercada e arrastada por GCMs. “Tive um estirão, comprometeram minha coxa esquerda”, afirma Renata.

Segundo a vereadora, ao menos 15 árvores já tinham sido cortadas até o meio da tarde desta quinta. “Aqui, nós perdemos. A Prefeitura de São Paulo está cortando um importante corredor verde até o Ibirapuera”, afirmou.

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Investigações

O MPSP tem três inquéritos em andamento para apurar eventuais irregularidades na construção dos túneis da Sena Madureira. Uma investigação determinada pela Promotoria do Patrimônio Público e Social apura o contrato assinado em 2024 a partir de uma licitação fraudada entre 2009 e 2010, segundo o promotor Silvio Marques. “Várias empresas, inclusive a contratada, tornaram um cartel para dividir obras municipais”, diz.

Também há um inquérito civil da Promotoria do Meio Ambiente, que apura a parte ambiental , com o corte das árvores, e eventual poluição sonora causada pelas obras.

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Na Promotoria de Habitação e Urbanismo, há outra investigação para apurar o impacto da obra na mobilidade urbana e também a retirada de famílias que residem na comunidade da Rua Souza Ramos. O MPSP quer saber se as pessoas serão retiradas do local e, caso isso aconteça, para onde vão. Também pretende investigar o impacto na vizinhança e em estruturas de saneamento básico e esgoto.

O que diz a prefeitura

A GCM diz que acompanhou uma manifestação na região da Rua Sena Madureira. Os agentes orientaram os manifestantes a se afastarem do local onde acontecia o corte de árvores autorizado pela Prefeitura para a obra do Túnel Sena Madureira. “Houve resistência e pela manhã uma mulher foi encaminhada pela GCM ao Distrito Policial, por desacato. A manifestação foi controlada e os agentes permanecem no local”, diz, em nota.

Sobre a obra, sempre que questionada, a administração afirma que beneficiará mais de 800 mil pessoas que circulam na região diariamente. “A intervenção prevê melhor fluidez do trânsito, comportando ônibus e veículos utilitários e garantindo a interligação entre a Vila Mariana, Ipiranga, Itaim Bibi e Morumbi”, diz.

A administração municipal também afirma que a obra respeita todas as exigências relativas a questões ambientais, tendo sido autorizada pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente a supressão de 172 árvores, sendo preservadas as demais 362 árvores.