metropoles.com

Vereador do PT propõe cadastro público de habitações sociais em SP

Nabil Bonduki apresentou projeto de lei para fazer cadastro de habitações sociais e impedir locação de curta duração

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Douglas Ferreira / Câmara de Municipal de SP
IMAGEM colorida mostra vereador nabil bonduki. ele usa terno cinza, gravata vermelha, e óculos vermelhos. tem cabelo grisalho e pele branca
1 de 1 IMAGEM colorida mostra vereador nabil bonduki. ele usa terno cinza, gravata vermelha, e óculos vermelhos. tem cabelo grisalho e pele branca - Foto: Douglas Ferreira / Câmara de Municipal de SP

Vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga suspeitas de fraudes na venda de moradias sociais em São Paulo, o vereador Nabil Bonduki (PT) apresentou um projeto de lei para a criação de um cadastro dessas habitações existentes na cidade.

A ideia, de acordo com o PL, é frear o movimento irregular hoje em curso de aluguel das habitações sociais a preços fora do alcance da população de baixa renda, em flagrante distorção da função social das moradias. Há um decreto municipal, em vigor desde maior deste ano, determinando que os imóveis produzidos com subsídios públicos, como os das categorias Habitação de Interesse Social (HIS) e Habitação para o Mercado Popular (HMP), não podem ser alugados em plataformas de curta temporada como o Airbnb. Como já mostrou o Metrópoles, essa norma tem sido burlada.

Vereador do PT propõe cadastro público de habitações sociais em SP - destaque galeria
4 imagens
Empreendimento na zona leste gerou multa à construtora DSeven7
Construtora DSeven7 teve multa determinada pela Prefeitura por empreendimento em Artur Alvim
Empreendimento alvo de multa da Prefeitura
Today Pinheiros teve briga na justiça contra Airbnb em unidades HMP
1 de 4

Today Pinheiros teve briga na justiça contra Airbnb em unidades HMP

Jessica Bernardo / Metrópoles
Empreendimento na zona leste gerou multa à construtora DSeven7
2 de 4

Empreendimento na zona leste gerou multa à construtora DSeven7

Divulgação DSeven7
Construtora DSeven7 teve multa determinada pela Prefeitura por empreendimento em Artur Alvim
3 de 4

Construtora DSeven7 teve multa determinada pela Prefeitura por empreendimento em Artur Alvim

Reprodução / Street View Google Maps
Empreendimento alvo de multa da Prefeitura
4 de 4

Empreendimento alvo de multa da Prefeitura

Reprodução / Street View Google Maps

No chamado “Cadastro Municipal de Unidades com Destinação Social (CMUDS)” da Prefeitura de São Paulo, seriam reunidas informações como o endereço dos imóveis e o tipo de faixa na qual eles se encaixam – se são destinados para a população com renda familiar de três, seis ou dez salários mínimos.

Segundo o texto, as plataformas de aluguel, como AirBnb e Booking, deverão acompanhar o cadastro e bloquear antecipadamente anúncios de imóveis que estejam listados como moradias sociais. Caso os anúncios cheguem a ser publicados, as plataformas terão até 48 para remover o conteúdo do ar após serem notificadas pela prefeitura.

O projeto prevê ainda que as plataformas sejam impedidas de publicar anúncios de aluguel de longa duração para moradias sociais quando os preços da locação forem superiores a 30% da renda familiar  – o valor já é determinado pelo decreto municipal.

Em caso de descumprimento, as plataformas poderão ser multadas em até R$ 50 mil, além de terem o serviço suspenso na cidade por até 30 dias. Além disso, o texto obriga as empresas a fornecerem relatórios para a prefeitura sobre os bloqueios de moradias desse tipo.

“Base legal clara”

Nabil apresentou o PL nesta segunda-feira (10/11). Na justificativa, o parlamentar lembra que, durante os trabalhos da CPI, as principais plataformas argumentaram que precisavam de “base legal clara” para bloquear anúncios de moradias sociais.

Segundo o petista, as empresas mostraram que há “disposição técnica” para bloquear os anúncios se houver um procedimento padrão definido.

“Parte das unidades produzidas com incentivos municipais não está sendo destinada à população-alvo, mas utilizada como ativo de renda por agentes que as ofertam em locações de curta duração (temporada) ou, no caso de locações de longa duração, acima do teto de preço compatível com a renda de referência”, diz o texto do projeto.


Entenda o caso

  • Desde 2014, a legislação municipal incentiva que construtoras façam Habitações de Interesse Social (HIS) e de Mercado Popular (HMP), voltadas a quem tem renda familiar de até seis e também de até 10 salários mínimos, respectivamente, em áreas valorizadas da cidade, próximas a estações de trem e metrô, por exemplo.
  • O objetivo seria de aproximar a população mais pobre dos empregos e da infraestrutura urbana.
  • Para isso, construtoras que oferecem apartamentos do tipo HIS e HMP nos seus prédios ganham a possibilidade de construir empreendimentos mais altos, sem pagar a mais por isso.
  • Na prática, no entanto, construtoras fizeram studios e venderam estes apartamentos para investidores, que, por sua vez, compravam os imóveis com o objetivo de fazer o chamado “aluguel de curta duração” no AirBnb.
  • Assim, vários empreendimentos ficaram vazios e tiveram seu uso desvirtuado da proposta original da política pública, não sendo ocupados pela população mais pobre.
  • A CPI dos HIS na Câmara, assim como o Ministério Público de São Paulo, apuram o caso.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?