Teste de lealdade e atrito: o histórico de Tarcísio com o bolsonarismo

Afilhado político de Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas é alvo constante de fogo amigo e sucessivos testes de lealdade ao bolsonarismo

atualizado

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Eduardo e Tarcísio
1 de 1 Eduardo e Tarcísio - Foto: Reprodução

Apesar de ter ingressado na política pelas mãos de Jair Bolsonaro (PL), a lealdade de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao bolsonarismo é colocada à prova com frequência desde que o ex-ministro da Infraestrutura foi eleito ao governo de São Paulo, em outubro de 2022.

Do tarifaço dos Estados Unidos à defesa das urnas eletrônicas, não é de hoje que as opiniões e os interesses do governador esbarram nos do seu padrinho político. Também não são novidade as críticas e a desconfiança do clã Bolsonaro em relação a Tarcísio.

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O governador Tarcísio de Freitas e o ministro Fernando Haddad
 A obra do Túnel Santos-Guarujá terá 860 metros entre as margens (incluindo embocaduras) e ficará sob o fundo do canal a uma profundidade de 21 metros
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Lula e Tarcísio assinaram convênio para construção do Túnel Santos-Guarujá
Tarcísio e Alexandre de Moraes conversam durante sessão no STF
Tarcísio de Freitas e Lula da Silva
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Tarcísio de Freitas e Lula da Silva

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O governador Tarcísio de Freitas e o ministro Fernando Haddad
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O governador Tarcísio de Freitas e o ministro Fernando Haddad

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 A obra do Túnel Santos-Guarujá terá 860 metros entre as margens (incluindo embocaduras) e ficará sob o fundo do canal a uma profundidade de 21 metros
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A obra do Túnel Santos-Guarujá terá 860 metros entre as margens (incluindo embocaduras) e ficará sob o fundo do canal a uma profundidade de 21 metros

Vinicius Passarelli/Metrópoles
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Lula e Tarcísio assinaram convênio para construção do Túnel Santos-Guarujá
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Lula e Tarcísio assinaram convênio para construção do Túnel Santos-Guarujá

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Tarcísio e Alexandre de Moraes conversam durante sessão no STF
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Tarcísio e Alexandre de Moraes conversam durante sessão no STF

Fabio Rodrigues/ Agência Brasil
Tarcísio e Barroso
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Tarcísio e Barroso

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O deputado Eduardo Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas
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O deputado Eduardo Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas

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Eduardo bolsonaro e tarcisio
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Eduardo bolsonaro e tarcisio

Nas últimas semanas, Tarcísio mudou a sua posição sobre as novas tarifas de 50% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a produtos brasileiros, buscando uma negociação em vez de apoiar a pressão fiscal norte-americana articulada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) em favor do pai.

Eduardo reagiu à articulação, acusando Tarcísio de desrespeito e “subserviência às elites”. O governador não replicou, mas, nos bastidores, afastou qualquer possibilidade de dar um cargo ao filho 03 de Bolsonaro que poderia ajudá-lo a manter o mandato de deputado – a licença de 120 dias de Eduardo venceu no último domingo (20/7).

A tensão tende a aumentar com a aproximação das eleições de 2026 e a disputa sobre quem irá reunir o apoio de Bolsonaro e da direita bolsonarista para concorrer à Presidência da República, uma vez que o ex-presidente está inelegível.

Bolsonaro hesita em indicar um nome que não seja da sua família e insiste na própria candidatura, apesar da inelegibilidade. Já Tarcísio repete que tentará a reeleição em São Paulo, mas nacionalizou seu discurso nos últimos meses, centrando fogo em Lula.

A discussão sobre as tarifas ainda não foi definida, mas o fogo amigo tende a seguir um roteiro. Eduardo costuma ser o porta-voz da insatisfação e alfineta o governador pelas redes sociais. Tarcísio foge do embate público, mas se vê obrigado a fazer acenos ao bolsonarismo sempre que a artilharia contra ele aumenta.

Sinuca de bico das tarifas

O anúncio da taxação de 50% sobre produtos brasileiros por parte dos EUA colocou Tarcísio de Freitas em uma sinuca de bico. Na carta em que informou o governo brasileiro sobre as medidas, Trump mencionou o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) contra Jair Bolsonaro e disse que o ex-presidente brasileiro é vítima de uma “caça às bruxas”.

Tarcísio colocou a culpa das tarifas no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), posição que foi mal recebida pelo mercado e pela indústria paulista, a mais afetada pela medida. A interpretação foi que ele estaria endossando a politização sobre um assunto econômico delicado. O governador, então, começou a buscar negociações sobre a tarifa e se reuniu com o representante da embaixada norte-americana, Gabriel Escobar.

Eduardo Bolsonaro não gostou da movimentação. Para ele, Tarcísio desrespeitou a sua articulação com o governo estadunidense ao falar com Escobar. Além de criticá-lo pelas redes sociais, Eduardo disse, em entrevista à coluna Paulo Capelli, do Metrópoles, que o governador estaria tentando “usar outros canais e não o do presidente Bolsonaro”, o que seria ineficiente.

Apoio de Tarcísio a Haddad

Não é a primeira vez que uma agenda econômica separa o governador dos bolsonaristas. A primeira briga aconteceu em julho de 2023, quando o governo federal tentava aprovar a Reforma Tributária proposta pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).

Na época, Tarcísio se encontrou com Haddad, em Brasília, disse que concordava com “95% da reforma” e que não faria um “cavalo de batalha” sobre como funcionaria o conselho federativo para distribuir os impostos arrecadados entre os estados.

A manifestação gerou uma reação bolsonarista. Sem citar seu ex-ministro, Jair Bolsonaro fez inúmeras postagens contra a medida de Haddad, e seu filho Eduardo publicou a seguinte frase no X, com uma indireta a Tarcísio: “Não sou 95%, sou 100% contra reforma tributária”.

Elogio às urnas e relação com ministros do Supremo

Fora dos assuntos econômicos, a insatisfação do clã Bolsonaro com Tarcísio costuma vir à tona nos temas relacionados ao STF e ao sistema eleitoral. O governador evita atacar ministros e já demonstrou proximidade com antagonistas de Bolsonaro, como Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso. Logo quando venceu as eleições, em 2022, chegou a dizer que não era um “bolsonarista raiz” e que manteria diálogo com o STF.

“Vou conversar com ministros do STF. Não vou fazer o que erramos no governo federal de tensionar com os Poderes. Vamos conversar com ministros do STF. E Barroso é um ministro preparadíssimo, razoável”, disse Tarcísio de Freitas, em dezembro de 2022.

A boa interlocução do governador não é propriamente um problema para os aliados bolsonaristas, uma vez que poderia ajudar Bolsonaro em seus processos na Corte. Mas aliados do ex-presidente acusam Tarcísio de ter pouca proatividade para interceder pelo seu antigo chefe — questão que já foi apontada como argumento para que ele não seja escolhido como o candidato da direita em 2026.

Em aceno aos ministros do Supremo, Tarcísio já elogiou o sistema eleitoral brasileiro e a rapidez com que os votos são contabilizados. A fala, de março deste ano, foi interpretada como um elogio às urnas eletrônicas e colocou lenha na fogueira na desconfiança dos bolsonaristas.

Aliados acusaram Tarcísio de estar prejudicando o julgamento do ex-presidente no processo sobre os atos golpistas de 8 de janeiro, e o caso foi discutido em uma entrevista com a presença dos dois, quando o governador negou a defesa das urnas e fez inúmeros elogios ao padrinho político.

Encontros com Lula e “partido de esquerda”

Assim como no caso dos ministros do Supremo, Tarcísio se recusava a repetir a postura de Bolsonaro em relação ao presidente Lula. O governador já se reuniu mais de uma vez com o presidente, em Brasília, e participou, ao lado do petista, de um evento de publicação do edital da obra do túnel Santos-Guarujá, em fevereiro deste ano.

Jair Bolsonaro já manifestou sua insatisfação com esses encontros. Parte dos aliados do ex-presidente enxerga Tarcísio como uma figura muito condescendente com a gestão petista, o que é reforçado pela participação do Republicanos na base do governo, onde a sigla tem o Ministério dos Portos.

Em agosto de 2023, Eduardo Bolsonaro chamou a sigla de “partido de esquerda” e o seu líder, Marcos Pereira (Republicanos), tem sido atacado por bolsonaristas devido a sua postura crítica ao projeto de anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro. Tarcísio já foi cobrado inúmeras vezes para deixar a sigla e migrar para Partido Liberal, mas, apesar de ter feito acenos para Valdemar Costa Neto, nunca efetivou a mudança.

Apenas nos últimos meses, o governador passou a criticar de forma mais dura o governo Lula e o PT, como no último ato bolsonarista na Paulista, e deixou de participar das agendas do presidente da República em São Paulo, como a que ocorreu em Osasco, na sexta-feira (25/7).

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