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Tarifaço de Trump tem “impacto negativo” para São Paulo, diz Tarcísio

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu que a diplomacia brasileira tente reverter taxas anunciadas por Donald Trump

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Tarcísio acompanha chegada do Primeiro trem da Linha 6-Laranja no Pátio Morro Grande - Metrópoles
1 de 1 Tarcísio acompanha chegada do Primeiro trem da Linha 6-Laranja no Pátio Morro Grande - Metrópoles - Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) comentou nesta quinta-feira (10/7) a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu aplicar a partir do próximo mês. Ele reconheceu que a medida tem impacto negativo para os estados com produção industrial, como São Paulo, e defendeu que se abra uma mesa de negociação para tentar reverter a taxação até agosto, quando a oneração ao Brasil poderá ser aplicada.

“O tarifaço é deletério, principalmente para aqueles estados que têm produção industrial de maior valor agregado. E a gente precisa, obviamente, sentar na mesa, deixar de lado as questões ideológicas, deixar de lado as questões políticas, deixar de lado revanchismos, as narrativas e trabalhar”, disse o governador a jornalistas durante uma cerimônia para a entrega do primeiro trem da linha 6-Laranja do metrô, na Brasilândia, zona norte da capital paulista.

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“O impacto é negativo, porque, como eu falei, São Paulo é um grande exportador, o maior distrito de exportações industriais do Estado de São Paulo são os Estados Unidos. Então, obviamente, é deletério, pega empresas importantes, como, por exemplo, a Embraer, que fechou grandes contratos recentemente.  Então, é algo que a gente tem que resolver”, acrescentou.

O governador também cobrou a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), não está indo bem, tem um problema fiscal grande, e que a diplomacia brasileira é distante da Casa Branca.

“A gente precisa, agora, estabelecer uma mesa de negociação porque a gente vê que, dos países do G20, o mais afastado da Casa Branca é o Brasil. A gente tem dado demonstrações muito ruins, como foi agora na última reunião dos Brics”, criticou.

“Nós precisamos estabelecer o consenso e lembrar o seguinte: os americanos sempre foram aliados de primeira hora do Brasil. É o maior investidor estrangeiro direto no Brasil. Então, a gente tem muito a perder. Isso não é bom para ninguém. Nem para o Brasil, nem para o americano”, acrescentou o governador, que disse que os americanos não têm itens para substituir “diversos produtos brasileiros”.

Críticas ao STF

Na carta em que anunciou a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, Donald Trump criticou o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e disse que o Judiciário estava interferindo nas “eleições livres” brasileiras.

Questionado se o STF deveria suspender o julgamento contra Bolsonaro diante da represália americana, Tarcísio respondeu que o foco é solucionar o problema tarifário.

“Não estou falando isso, estou falando que agora o esforço do governo brasileiro tem de ser resolver a tarifa”, disse o governador que também afirmou que há “uma série de posturas que não condizem com a nossa tradição democrática e eu espero que o Brasil sente na mesa e resolva o problema das tarifas”.

Na quarta-feira (9/7), Tarcisio se manifestou nas redes sociais sobre as tarifas que podem ser aplicadas por Trump.

“Lula colocou sua ideologia acima da economia, e esse é o resultado. Tiveram tempo para prestigiar ditaduras, defender a censura e agredir o maior investidor direto no Brasil. Outros países buscaram a negociação. Não adianta se esconder atrás do Bolsonaro. A responsabilidade é de quem governa. Narrativas não resolverão o problema”, escreveu.

Na semana passada, Tarcisio já havia endossado uma publicação de Trump em defesa de Bolsonaro. Na ocasião, o governador de São Paulo afirmou que o ex-presidente “deve ser julgado somente pelo povo brasileiro, durante as eleições”.

Indulto a Bolsonaro

Na mesma entrevista coletiva, Tarcísio também afirmou ter certeza de que, em 2026, “qualquer candidato nesse bloco de centro-direita vai dar um indulto”, embora tenha ponderado de que a medida não deve ser necessária, uma vez que acredite que Bolsonaro consiga “provar sua inocência” no julgamento sobre a tentativa de golpe de Estado.

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