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Após ameaça de greve, Tarcísio privatiza linhas da CPTM nesta sexta

Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, da CPTM, compõem leilão de concessão à iniciativa privada, realizada na sede da Bolsa de Valores (B3)

atualizado

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Imagem colorida da sede da Bolsa de Valores com leilão em banner
1 de 1 Imagem colorida da sede da Bolsa de Valores com leilão em banner - Foto: Bruna Sales/Metrópoles

São Paulo — O leilão da concessão à iniciativa privada das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), acontece nesta sexta-feira (28/3) na sede da Bolsa de Valores (B3), no centro de São Paulo. Duas empresas disputam a operação das linhas: o grupo Comporte, dona da concessão do Trem Intercidades entre São Paulo e Campinas, e a CCR, que domina as concessões de rodovias no Estado.

O leilão do Lote Alto Tietê compreende 124 quilômetros de ferrovias por 25 anos. O projeto prevê a construção de dez novas estações, das quais oito serão de responsabilidade da concessionária e duas da CPTM. O governo fala em diminuir os intervalos das linhas para a partir de três minutos, similar ao do metrô. Além disso, promete a reforma das 24 estações já existentes, entre outras mudanças. O investimento previsto é de R$ 14,3 bilhões.

O consórcio C2 Mobilidade Sobre Trilhos, responsável pelo trem entre São Paulo e Campinas, é formado pelo grupo Comporte, holding brasileira formada pelo empresário Nenê Constantino, e a CRRC, estatal chinesa com sede em Pequim, que é uma das maiores fornecedoras de material rodante ferroviário. Já a CCR, além de dominar as rodovias paulistas, é dona da ViaMobilidade, que opera as linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda.

O programa de privatizações é uma das apostas do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como vitrine de sua gestão – no caso da CPTM, é um desafio antigo aproximar o serviço da qualidade do metrô. Em resposta, o governador enfrenta como obstáculos a oposição de sindicatos, da esquerda e também o histórico de outras linhas privatizadas na CPTM.

Exemplo é a oposição do sindicato dos Ferroviários, que se organizou para entrar em greve nas três linhas a partir da última quarta-feira (26/2), mas recuou após aceitaram a “cláusula de paz” oferecida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2). Pela proposta, a paralisação será suspensa até esta sexta, data do leilão.

Os ferroviários argumentam que a proposta do governo deverá transformar o resto da CPTM na experiência das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda, da ViaMobilidade – no fim de 2023, o Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo (MPSP) homologou o acordo firmado com a concessionária, que prevê o pagamento de R$ 786 milhões pelas falhas ocorridas desde o início da concessão.

Confusão em protesto

Um protesto contra o leilão terminou em violência nessa quinta-feira (27/3). O ato ocorreu em frente à Secretaria de Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo. Nas redes sociais, circulam registros de manifestantes feridos e do uso de gás de pimenta para dispersar o ato. Os ferroviários emitiram uma nota para criticar a repressão.

“O sindicato repudia veementemente qualquer forma de violência e se solidariza com os manifestantes feridos e presos durante o protesto”, escreveu.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), os manifestantes tentaram invadir o prédio da Secretaria de Transportes, o que gerou a intervenção da Polícia Militar e três pessoas foram detidas.

“A Polícia Militar analisa as imagens da manifestação e, caso sejam constatadas irregularidades, as devidas providências serão adotadas. A instituição reforça que não compactua com desvios de conduta e todos os excessos são punidos com rigor”, afirma a SSP.

A confusão deu margem para a oposição atacar a gestão Tarcísio de Freitas. O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) criticou o governador.

“Tarcísio apela para a violência para justificar a privatização da CPTM”, disse.

O deputado estadual Simão Pedro (PT-SP) também criticou Tarcísio nominalmente, após a confusão.

“Mais um absurdo de Tarcísio. Ferroviários que protestavam contra as privatizações das linhas 11, 12 e 13 da CPTM, previstas para esta sexta-feira, foram atacados covardemente pela PM com balas de borracha e spray de pimenta, deixando três pessoas feridas”, disse.

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