Tarcísio critica novo contrato com a Enel e pede quebra da concessão
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, criticou a renovação do contrato com a Enel e defendeu a revisão do modelo de concessão

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou o modelo de concessão da Enel e defendeu que o contrato do governo federal com a empresa não seja renovado. Durante o Fórum Veja Infraestrutura, nesta segunda-feira (18/8), ele disse que os problemas no abastecimento de energia acontecem por falta de investimento da empresa no estado.
“Eu sou absolutamente crítico a esse contrato da Enel. Eu acho que é um contrato absolutamente ruim. Vamos lembrar que é um contrato muito antigo, que não tem boas servidões. (…) Ao longo do tempo a gente vê o seguinte: a empresa não faz os investimentos necessários”, disse.
Segundo o governador, o principal problema é que a forma como a concessão foi firmada não permite que a empresa repasse na tarifa de energia custos em infraestrutura e, por isso, deixa de fazer os investimentos na automatização do sistema. Isso seria a razão para a demora no reestabelecimento da energia nos apagões dos últimos anos.
“Se eu fosse titular do serviço, se eu fosse poder concedente, se eu tivesse no governo federal, o que eu faria? Primeiro, não prorrogaria o contrato; segundo, quebraria essa concessão, porque é muito grande, em pelo menos duas concessões e estabeleceria um contrato que amarrasse de fato os investimentos, as servidões e como isso vai ser cobrado ao longo do tempo”, completou Tarcísio.
O contrato da rede de energia de São Paulo é de 1998 e tem prazo de vigência de 30 anos. A concessão é de responsabilidade da Aneel, autarquia ligada ao Ministério de Minas e Energia. No início deste ano, a Enel deu entrada no processo de renovação do contrato com o governo federal, processo que está sob suspensão por conta de um processo administrativo aberto após os sucessivos apagões na capital paulista.
Ação da Prefeitura
No início de agosto, a Prefeitura de São Paulo ingressou com uma Ação Civil na Justiça Federal para impedir a renovação automática do contrato com a concessionária, previsto para terminar em 2028. A administração municipal cobra uma reformulação nos critérios de avaliação da empresa antes que qualquer renovação seja considerada.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPA prefeitura listou na ação um histórico de falhas no fornecimento de energia, especialmente nos apagões ocorridos durante o período de chuvas, que deixou bairros inteiros sem luz por vários dias, inclusive locais essenciais, como hospitais, escolas e abrigos. Segundo a procuradora-geral do município, Luciana Sant’Ana Nardi, “a população não pode continuar à mercê da omissão e da ineficiência de uma concessionária que ignora nossas particularidades ambientais e urbanas”.
A ação judicial mira a União e a Aneel, cobrando que as especificidades ambientais, urbanas e climáticas de São Paulo sejam consideradas na avaliação da concessionária.
Na ação, a administração municipal também defende a criação de um plano de contingência específico e eficaz para a cidade de São Paulo, com metas claras de atendimento e punições em caso de descumprimento.
A prefeitura argumenta que os atuais critérios de desempenho não consideram, por exemplo, a densa arborização da cidade, que tem mais de 650 mil árvores, nem o impacto das mudanças climáticas, como fortes chuvas e vendavais.
O que diz a Enel
Em nota ao Metrópoles, a Enel disse que “desde que assumiu a concessão em São Paulo, a Enel tem ampliado os investimentos para melhoria contínua do serviço prestado” e “tem investido na modernização da rede, com avanço na digitalização”.
Além disso, a empresa também afirmou que reduziu, no último verão, em 50% o tempo médio de atendimento (TMA) ao cliente registrando o melhor indicador dos últimos anos. “De 2025 a 2027, a companhia está investindo R$ 10,4 bilhões, montante recorde para a região, principalmente, para fazer frente ao avanço dos eventos climáticos.”



