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São Paulo

STJ mantém prisão de Buzeira, acusado de lavar dinheiro para o PCC

Influenciador foi preso em outubro de 2025 durante a Operação Narco Bet, que investiga crimes por meio de casas de aposta e rifas on-line

17/06/2026 13:39, atualizado 17/06/2026 14:08
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Instagram/Reprodução
Especialista analisa prisão de Buzeira, que denunciou excesso policial - Metrópoles

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou um pedido de habeas corpus para tirar o influenciador Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, da prisão. Ele foi detido em outubro de 2025 durante a Operação Narco Bet, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao tráfico internacional de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC).

No pedido, a defesa de Buzeira contesta a legalidade da prisão, diz que não há indícios de envolvimento do influenciador no esquema e alega que a liberdade não representa risco. Por isso, os advogados solicitaram a revogação da prisão preventiva ou a substituição por medidas cautelares.

O STJ, no entanto, entendeu que não há motivos probatórios para revogar a prisão e que há risco para a ordem pública porque, caso solto, Buzeira poderia “retornar à prática criminosa”. A decisão foi tomada pela 5ª turma do tribunal de forma unânime.

Suposto elo com o PCC

Segundo a Polícia Federal, Buzeira recebeu R$ 19,7 milhões de Rodrigo Morgado, que é investigado por enviar três toneladas de cocaína para a Europa e apontado como líder da organização criminosa. O dinheiro foi depositado em uma conta da empresa do influenciador, a Buzeira Digital.

O influenciador é considerado um dos rostos “legítimos” usados para lavar o dinheiro da facção em apostas e rifas on-line, disfarçadas de promoções e sorteios.

Durante buscas na casa de Buzeira, localizada em um condomínio de alto padrão em Igaratá, no interior de São Paulo, os agentes encontraram o que classificaram como um “arsenal de guerra”. Entre o material apreendido, havia fuzis, pistolas, revólveres, munições, carregadores, radiocomunicadores e roupas de uso tático, todos armazenados de forma organizada em compartimentos da residência.

A PF também encontrou duas pedras brutas na casa do influenciador. A suspeita é de que as pedras sejam esmeraldas de R$ 1,7 bilhão que o influencer comprou para ocultar crimes.

Empresário investigado

Para a polícia, Rodrigo Morgado seria um “possível operador logístico-financeiro” do esquema e atuava como um “verdadeiro banco particular” de outros investigados, movimentando grandes valores em contas pessoais e de empresas sob seu controle, inclusive por meio de conversões em criptomoedas e repasses a terceiros, tudo de maneira ilegal.

As autoridades também apontam uma relação direta entre Morgado e uma embarcação chamada Veleiro Lobo IV, apreendida pela Marinha dos Estados Unidos entre o arquipélago de Cabo Verde e as Ilhas Canárias, por estar sendo usado para o transporte de mais de quatro toneladas de cocaína, fato que originou a Operação Narco Vela — que culminou na operação da última terça-feira (14/10), chamada de Narco Bet.


Operação Narco Bet

  • A Operação Narco Bet foi deflagrada pela Polícia Federal em 14 de outubro de 2025.
  • Ao todo, 11 mandados de prisão e 19 de busca e apreensão foram cumpridos nos estados de Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
  • Um dos mandados de prisão também ocorreu na Alemanha, com apoio da Polícia Criminal Federal do país.
  • As investigações apontam que o grupo criminoso utilizava métodos avançados de dissimulação financeira, movimentando valores em criptomoedas, remessas internacionais e empresas de fachada para ocultar a origem dos lucros do tráfico.
  • Parte dos recursos lavados teria sido canalizada para empresas do setor de apostas eletrônicas, as chamadas bets, com o objetivo de mascarar os ganhos provenientes do tráfico e inserir o dinheiro no sistema financeiro com aparência de legalidade.
  • No total, foram bloqueados R$ 630 milhões em bens e valores. Empresas do ramo de apostas esportivas estão sendo investigadas por suspeita de participação no esquema criminoso.
  • A Polícia Federal não divulgou o nome das empresas de apostas investigadas, mas afirmou que algumas delas são regularizadas e obtiveram licenças com dinheiro ilícito.

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