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São Paulo

SSP nega abordagem a motorista de Haddad após analisar câmeras

Perseguição e abordagem "intimidadora" teria ocorrido na terça (11/8) foi denunciada pelo candidato ao Governo de SP Fernando Haddad (PT)

14/08/2026 17:17, atualizado 14/08/2026 17:28
Reprodução
Imagem colorida mostra suposta abordagem a Fernando Haddad. Metrópoles

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo negou, nesta sexta-feira (14/8) que a Polícia Militar (PM) tenha ocorrido abordagem de uma viatura da corporação ao motorista de campanha do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), candidato ao governo do estado, episódio ocorrido na noite da última terça-feira na zona sul da capital, após o petista ser deixado em sua residência ao retornar de compromisso eleitoral. A conclusão ocorreu após a análise de mais de 40 câmeras de monitoramento instaladas na região do hotel onde o veículo dirigido pelo motorista de Haddad parou, na Rua Joinville, próximo à Avenida 23 de Maio, na região da Vila Mariana.

Segundo fontes ouvidas pela reportagem, as imagens das câmeras mostram que o funcionario do candidato ficou parado em frente ao hotel e ele próprio teria ido até a equipe policial para interagir com os PMs — por sentir que estaria sendo perseguido –, rechaçando a versão contada pelo condutor do carro de Haddad.

“As diligências realizadas até agora não identificaram nenhum indício de abordagem ou procedimento irregular por parte dos policiais nem interação das equipes com o candidato ou membros da sua equipe. Após a checagem visual, a identificação e o percurso das viaturas foram confirmados pelo sistema de geolocalização dos veículos”, já havia sinalizado a SSP oficialmente, em nota, divulgada na noite de quinta (13/8).

Uma reunião deverá ocorrer ainda na tarde desta sexta-feira entre os envolvidos da pasta nas investigações. Posteriormente, a SSP deverá responder aos questionamentos feitos pelo Ministério Público Federal (MPE) sobre o episódio relatado pelo candidato petista ao Palácio dos Bandeirantes — que deu margem à interpretação de uma suposta perseguição política do seu adversario, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e gerou um acirramento entre as campanhas.

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“Não fazia sentido aquela abordagem”

Durante uma agenda em Bebedouro, no interior paulista, na manhã de quinta-feira (13/8), Haddad disse a jornalistas que tem conversado com o secretário da Segurança Pública paulista, delegado Osvaldo Nico, sobre o ocorrido.

“O motorista que trabalha comigo é um pequeno empreendedor, uma pessoa que tem família, e se sentiu muito constrangido porque foi perseguido durante cinco quilômetros, depois de ter me deixado em casa. Eu falei para ele [Nico] por onde eles passaram, onde ele [motorista] foi abordado no hotel”, disse Haddad.

O ex-ministro afirmou que indicou ao secretário câmeras que registraram a movimentação da viatura. “Explicamos exatamente a importância de recuperar da câmera do hotel e, tem Smart Sampa, também tem uma câmera da prefeitura ali, então não deve ser difícil apurar o que aconteceu.”

“Me mandaram um boletim de ocorrência de outro episódio das 11h10 da noite, uma hora e meia depois do que aconteceu, dizendo que aquela abordagem se deveu ao fato de que ocorreu um roubo às 11h10 da noite. Eu falei, o que aconteceu comigo foi às 9h45, então a menos que haja algum programa de inteligência sobrenatural que possa antecipar um crime em uma hora e meia, não fazia sentido nenhum aquela abordagem”, completou.

Câmeras de segurança

Imagens de câmeras de segurança registraram a chegada do candidato ao governo de São Paulo à residência dele, na zona sul da capital. A gravação mostra uma viatura da Polícia Militar passando pela rua pouco antes de o carro que levava o político chegar ao local.

Na sequência, o veículo de Haddad estaciona em frente ao prédio, acompanhado por um carro preto. O candidato desembarca e entra na residência. As imagens foram divulgadas após Haddad afirmar, nessa quarta-feira (12/8), que o carro teria sido acompanhado por viatura da PM depois de deixá-lo em casa.

As imagens foram publicadas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pelo Metrópoles.

Haddad contou que voltava de aula magna na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ele, uma viatura da PM teria “jogado luz no carro” no momento em que o veículo chegava à residência do ex-ministro.

Depois que o candidato entrou no prédio, o motorista seguiu viagem. Ainda de acordo com Haddad, o funcionário continuou sendo acompanhado pelos policiais e, mais adiante, estacionou o carro em frente a um hotel.

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O motorista entrou no estabelecimento e, ao perceber que a viatura permanecia no local, teria ido questionar os policiais sobre o motivo do acompanhamento. Segundo o relato apresentado por Haddad, os agentes estavam armados com fuzis e teriam mandado o funcionário “vazar” após o questionamento.

O candidato classificou a situação como abordagem “fora do padrão” e afirmou que o motorista ficou abalado após o episódio. O advogado de Haddad, Hélio Silveira, disse que, segundo o relato do funcionário, a abordagem teria durado cerca de 40 minutos.

Após o caso ser relatado por Haddad, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP) determinou que a Polícia Militar identifique as equipes que estavam na região. A medida busca esclarecer as circunstâncias da ocorrência e apurar a atuação dos policiais envolvidos.