SPFC: polícia apura se diretoria aumentou salário fraudando assinatura
Suspeita é investigada pela equipe do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania. Envolvidos teriam simulado reunião com conselheiros
atualizado
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O Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) apura a suspeita de que diretores do São Paulo Futebol Clube teriam fraudado assinaturas para aumentar substancialmente os próprios salários em 2025. Segundo denúncias recebidas pela equipe de investigação, os envolvidos simularam uma reunião em que os aumentos teriam sido chancelados por conselheiros.
Enquanto se aprofunda nas investigações sobre a venda ilegal de camarotes e o esquema de lavagem de dinheiro, a polícia ainda não teve tempo para avançar nas suspeitas sobre a fraude nas assinaturas. A expectativa é que a cronologia dos acontecimentos fique mais clara a partir dos depoimentos de alvos de outras frentes da apuração. A equipe do DPPC ainda não obteve a ata da suposta reunião em que os salários teriam sido aumentados.
Até o momento, não se sabe quais diretores teriam sido beneficiados pelo suposto aumento salarial, nem quanto cada um teria recebido.
No último dia 21 de janeiro, a Polícia Civil e o Ministério Público (MPSP) realizaram uma operação contra diretores do clube. Foram alvos de busca e apreensão o então presidente do SPFC, Julio Casares, que renunciou horas depois, a ex-mulher dele, Mara Casares, o diretor adjunto da base, Douglas Schwartzmann, e Rita Adriana Prado, supostamente envolvida no esquema.
Outros diretores e dirigentes do clube também são investigados. As suspeitas envolvendo a cúpula do São Paulo foram divididas em dois inquéritos. Os dois correm em segredo de Justiça.
Ao Metrópoles, um diretor do São Paulo Futebol Clube ouvido informalmente negou irregularidades. Segundo ele, o único aumento da gestão Casares teria ocorrido em 2024. O que se deu em 2025, diz o diretor, foi a oficialização do aumento, de forma retroativa. Questionado pela reportagem, o SPFC ainda não se manifestou de forma oficial.
Entenda o esquema
Julio Casares é investigado por suspeitas relacionadas à exploração clandestina de um camarote no estádio Morumbis, na zona oeste da capital paulista. Segundo o Ministério Público de São Paulo, a irregularidade teria acontecido em um camarote ligado à presidência do clube, no estádio para o show da cantora colombiana Shakira, em fevereiro de 2025. Os crimes suspeitos levantados pelo MPSP são corrupção privada no esporte e coação no curso do processo.
Um áudio revelou o suposto esquema de comercialização irregular do camarote ligado à presidência do SPFC.
Segundo o material divulgado pelo Globo Esporte, o diretor-adjunto das categorias de base do clube, Douglas Schwartzmann, e a diretora feminina, cultural e de eventos (e ex-esposa de Julio Casares), Mara Casares, estariam envolvidos no esquema ilegal.
No áudio, o diretor das categorias de base diz que ele e outras pessoas se beneficiaram financeiramente da prática.
O esquema consistia no repasse do camarote por parte da diretoria do São Paulo Futebol Clube a Mara Casares para a realização de evento durante o show de Shakira. Posteriormente, a mulher chamou uma intermediária para vender os ingressos, com alguns tickets custando até R$ 2,1 mil. Essa prática já é considerada ilegal.
Porém, o caso estourou quando a intermediária entrou na Justiça alegando que foi vítima de um calote por parte de Mara e outro dirigente do São Paulo no pagamento de um pacote de ingressos. Um áudio revelado pela imprensa mostra os dois pressionando a intermediária a retirar a ação judicial, além de confessar que se tratava de um esquema clandestino.
Após a publicação do caso, em dezembro de 2025, Douglas Schwartzmann e Mara Casares pediram afastamento dos cargos.
