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SP prende 900 e interna 3.500, mas fluxo da Cracolândia só aumenta

Concentração de usuários de drogas na Cracolândia cresceu 41% na comparação com abril, apesar do alto número de prisões e internações

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William Cardoso/Metrópoles
Imagem mostra concentração de pessoas em esquina durante o período noturno
1 de 1 Imagem mostra concentração de pessoas em esquina durante o período noturno - Foto: William Cardoso/Metrópoles

São Paulo – As polícias realizaram mais de 900 prisões na região central de São Paulo, sendo 177 por tráfico de drogas, enquanto o governo estadual encaminhou 3.500 pedidos de internação de dependentes químicos desde o início de abril. Mesmo assim, o fluxo da Cracolândia cresceu nos últimos meses e chega a concentrar mais de 600 usuários em uma única rua durante as tardes no centro paulistano.

Números da própria Prefeitura de São Paulo mostram que, na semana entre os dias 10 e 16 de abril, as cenas de uso de drogas somavam 768 pessoas nos períodos da manhã e da tarde. Já o último dado disponível, da semana entre os dias 14 e 20 de agosto, mostra que agora são 1.087 usuários concentrados na soma dos dois períodos – aumento de 41,5%.

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Os dados são coletados pelo Programa Dronepol, que usa estimativa com foco em grupos que têm mais de 30 usuários. Não é feita a medição noturna.

Segundo o governo estadual, sob a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), foram 942 prisões em flagrante entre 3 de abril e 20 de agosto na região da Cracolândia.

Análise detalhada das prisões a partir dos dados semanais, disponibilizados entre 10 de abril e 20 de agosto, mostra que, no período, 177 pessoas foram detidas por tráfico de drogas, das quais 127 (72%) tiveram prisão preventiva decretada pela Justiça em audiência de custódia.

O levantamento mostra também que o percentual de prisões por tráfico ratificadas pela Justiça diminui quando o número de detidos chega em grande quantidade às audiências de custódia.

Nas duas semanas entre os dias 17 e 30 de julho, a polícia deteve 42 pessoas por suspeita de tráfico e apenas a metade acabou presa preventivamente – o restante responde em liberdade.

Foi justamente nesse período, em 26 de julho, que o secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite apresentou um homem que tinha consigo 1,5 kg de crack como sendo o principal fornecedor de drogas da Cracolândia. “É a prisão mais importante”, disse, na ocasião.

Na última semana, o Metrópoles mostrou cinco ações frustradas no passado que estão se repetindo agora, entre elas as prisões de supostos pequenos traficantes.

Internações

O governo estadual afirmou que, desde abril, quando o HUB Cuidados em Crack e Outras Drogas foi implantado, já foram realizados mais de 8,2 mil atendimentos na unidade, com 6,1 mil pacientes atendidos. “Destes, 3,5 mil pessoas foram encaminhadas para internação em hospitais especializados e unidades especializadas, e acompanhamento em comunidades terapêuticas”, diz, em nota.

Já a prefeitura afirma que, de 1º de janeiro a 31 de julho, foram feitos 2.421 encaminhamentos para tratamento da dependência química na rede de saúde municipal. “Para a rede socioassistencial, foram 17.926 encaminhamentos no mesmo período. Em média, são realizados 108 encaminhamentos por dia”, diz, em nota. Não há especificação sobre quantas pessoas foram conduzidas à internação.

O que dizem as autoridades

A despeito do aumento do fluxo de usuários, o governo estadual cita a presença de 120 policiais a mais por dia nas ruas, queda nos números de roubos e furtos na região, além de apreensão de entorpecentes associados, pelas autoridades, à Cracolândia.

Também diz que tem investido em tecnologia e inteligência policial para fortalecer provas e identificar criminosos, entre outras.

Já a prefeitura diz que conta com 1.600 agentes da GCM na região, vai aumentar número de câmeras, prendeu suspeito com mais 300 celulares roubados, entre outras coisas.

Sobre as audiências de custódia, o Tribunal de Justiça de São Paulo afirma que não se manifesta sobre questões jurisdicionais. “Os magistrados têm independência funcional para decidir de acordo com os documentos dos autos e seu livre convencimento. Essa independência é uma garantia do próprio Estado de Direito”, diz, em nota.

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