SP lidera número de denúncias ao Disque 100 por intolerância religiosa
SP lidera lista de estados com casos de intolerância religiosa denunciados ao Ministério dos Direitos Humanos
atualizado
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São Paulo é o estado brasileiro que mais concentra denúncias feitas pelo Disque 100 de casos de intolerância religiosa. O canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) registrou 2.774 queixas entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano – a maior parte no sudeste do país.
Segundo a pasta, o cenário mantém a tendência dos anos anteriores. Em 2024, o Brasil registrou 2.472 violações motivadas por intolerância religiosa. E, considerando apenas os primeiros dias de janeiro, 2026 já acumula 51 denúncias.
A intolerância ou racismo religioso parece como elemento estruturante dessas ocorrências, manifestado por meio de agressões verbais, ameaças, depredações, interrupções forçadas de rituais e discriminação institucional, apontou o MDHC.
Os estados com maior número de denúncias ao Disque 100 são:
- São Paulo: 667
- Rio de Janeiro: 446
- Minas Gerais: 323
- Bahia: 121
O MDHC destaca, no entanto, que as violações ocorrem por todo o país.
Religiões de matriz africana são alvos frequentes
Já as religiões mais atingidas, por sua vez, são a umbanda (228), o candomblé (161) e cultos de ambas em conjunto (47), além de outras religiosidades afro-brasileiras (40).
Na sequência, aparecem denúncias envolvendo pessoas de religião evangélica (72), católica apostólica romana (37), espírita (30) e registros em que a vítima declarou não saber informar sua religião (50).
Há ainda ocorrências envolvendo outras tradições religiosas. É o caso do agnosticismo, ateísmo ou também pessoas sem religião, bem como judaísmo, islamismo e outras denominações cristãs.
A intolerância religiosa, portanto, afeta diferentes crenças, mas tem um impacto “desproporcional”, de acordo com o MDHC, sobre religiões de matriz africana.
“Os registros revelam que a intolerância religiosa no Brasil se manifesta de forma seletiva e estrutural como racismo religioso, tendo em vista a maior incidência de ataques a terreiros e a criminalização de práticas e símbolos religiosos afro-brasileiros”, afirmou o MDCH neste Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa (21/1).
“Respeite Meu Terreiro”
No último novembro, o ministério divulgou o relatório “Respeite Meu Terreiro”. Feito em parceria com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), o levantamento mapeou casos de intolerância religiosa contra religiões de matriz africana em 255 terreiros de todas as regiões do país.
Na pesquisa, 76% dos terreiros participantes afirmaram já ter sofrido algum tipo de racismo religioso, e 80% relataram que membros de suas comunidades foram vítimas diretas dessas violências.
Além disso, 93% dos terreiros com mais de 100 frequentadores já vivenciaram situações de racismo religioso. O documento também indica que 76% dos casos envolvem discriminação; 14% agressões verbais; 8% xingamentos; e 3% agressões físicas.
Como denunciar
Para denunciar casos de intolerância religiosa e outras violações aos direitos humanos, é possível:
- ligar gratuitamente para 100 (24h por dia);
- enviar uma mensagem para o WhatsApp (61) 99611-0100;
- acessar o site Ódio ou Opinião.
“A denúncia de casos de intolerância religiosa por meio do Disque 100 dá visibilidade a essas violações e fortalece a atuação do Estado na prevenção de práticas discriminatórias”, afirmou a coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Loyze.
Segundo a profissional, o aumento dos registros ao longo de 2025 e 2026 já indica maior confiança da sociedade nos canais institucionais.
Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa
O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, foi instituído pela Lei nº 11.635/2007 em homenagem à ialorixá Gildásia dos Santos e Santos, Mãe Gilda, fundadora do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, de Salvador, na Bahia.
Mãe Gilda motivou a criação da data após ser vítima de agressões motivadas por intolerância religiosa. Ela faleceu em 21 de janeiro de 2000, data que passou a representar o compromisso do Estado com o respeito à diversidade religiosa e à dignidade humana, informou o governo brasileiro.

























