SP lidera número de denúncias ao Disque 100 por intolerância religiosa

SP lidera lista de estados com casos de intolerância religiosa denunciados ao Ministério dos Direitos Humanos

atualizado

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Fotografia colorida do Abassá Oxum e Oxóssi, terreiro de candomblé em processo de ser tombado e alvo de reintegração de posse, em ação movida por intolerância religiosa. - Metrópoles
1 de 1 Fotografia colorida do Abassá Oxum e Oxóssi, terreiro de candomblé em processo de ser tombado e alvo de reintegração de posse, em ação movida por intolerância religiosa. - Metrópoles - Foto: Material cedido ao Metrópoles

São Paulo é o estado brasileiro que mais concentra denúncias feitas pelo Disque 100 de casos de intolerância religiosa. O canal do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) registrou 2.774 queixas entre janeiro do ano passado e janeiro deste ano –  a maior parte no sudeste do país.

Segundo a pasta, o cenário mantém a tendência dos anos anteriores. Em 2024, o Brasil registrou 2.472 violações motivadas por intolerância religiosa. E, considerando apenas os primeiros dias de janeiro, 2026 já acumula 51 denúncias.

A intolerância ou racismo religioso parece como elemento estruturante dessas ocorrências, manifestado por meio de agressões verbais, ameaças, depredações, interrupções forçadas de rituais e discriminação institucional, apontou o MDHC.

Os estados com maior número de denúncias ao Disque 100 são:

  • São Paulo: 667
  • Rio de Janeiro: 446
  • Minas Gerais: 323
  • Bahia: 121

O MDHC destaca, no entanto, que as violações ocorrem por todo o país.

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Salão do Abassá Oxum e Oxóssi
Representantes do terreiro de candomblé Abassá Oxum e Oxóssi
Jogo de búzios
Terreiro foi fundado em 8 de julho de 1966 e está em processo de ser tombado como patrimônio histórico e imaterial de São Paulo
Terreiro foi fundado em 8 de julho de 1966 e está em processo de ser tombado como patrimônio histórico e imaterial de São Paulo
Cadeira da sacerdotisa do Abassá Oxum e Oxóssi
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Cadeira da sacerdotisa do Abassá Oxum e Oxóssi

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Salão do Abassá Oxum e Oxóssi
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Salão do Abassá Oxum e Oxóssi

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Representantes do terreiro de candomblé Abassá Oxum e Oxóssi
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Representantes do terreiro de candomblé Abassá Oxum e Oxóssi

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Jogo de búzios
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Jogo de búzios

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Terreiro foi fundado em 8 de julho de 1966 e está em processo de ser tombado como patrimônio histórico e imaterial de São Paulo
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Terreiro foi fundado em 8 de julho de 1966 e está em processo de ser tombado como patrimônio histórico e imaterial de São Paulo

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Terreiro foi fundado em 8 de julho de 1966 e está em processo de ser tombado como patrimônio histórico e imaterial de São Paulo
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Terreiro foi fundado em 8 de julho de 1966 e está em processo de ser tombado como patrimônio histórico e imaterial de São Paulo

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Mam'etu Kutala Diamuganga, líder religiosa do Abassá Oxum e Óxossi
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Mam'etu Kutala Diamuganga, líder religiosa do Abassá Oxum e Óxossi

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Religiões de matriz africana são alvos frequentes

Já as religiões mais atingidas, por sua vez, são a umbanda (228), o candomblé (161) e cultos de ambas em conjunto (47), além de outras religiosidades afro-brasileiras (40).

Na sequência, aparecem denúncias envolvendo pessoas de religião evangélica (72), católica apostólica romana (37), espírita (30) e registros em que a vítima declarou não saber informar sua religião (50).

Há ainda ocorrências envolvendo outras tradições religiosas. É o caso do agnosticismo, ateísmo ou também pessoas sem religião, bem como judaísmo, islamismo e outras denominações cristãs.

A intolerância religiosa, portanto, afeta diferentes crenças, mas tem um impacto “desproporcional”, de acordo com o MDHC, sobre religiões de matriz africana.

“Os registros revelam que a intolerância religiosa no Brasil se manifesta de forma seletiva e estrutural como racismo religioso, tendo em vista a maior incidência de ataques a terreiros e a criminalização de práticas e símbolos religiosos afro-brasileiros”, afirmou o MDCH neste Dia Nacional do Combate à Intolerância Religiosa (21/1).

“Respeite Meu Terreiro”

No último novembro, o ministério divulgou o relatório “Respeite Meu Terreiro”. Feito em parceria com a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), o levantamento mapeou casos de intolerância religiosa contra religiões de matriz africana em 255 terreiros de todas as regiões do país.

Na pesquisa, 76% dos terreiros participantes afirmaram já ter sofrido algum tipo de racismo religioso, e 80% relataram que membros de suas comunidades foram vítimas diretas dessas violências.

Além disso, 93% dos terreiros com mais de 100 frequentadores já vivenciaram situações de racismo religioso. O documento também indica que 76% dos casos envolvem discriminação; 14% agressões verbais; 8% xingamentos; e 3% agressões físicas.

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Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia
Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"
Capa do livro "Ciranda em Aruanda", de Liu Olivina, publicado pela Editora Quatro Cantos
No livro, a autora traz desenhos e informações sobre 10 orixás
Liu Olivina, autora de livro que inspirou atividade denunciada à PM
Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana
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Desenhos que alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, fizeram em atividade sobre religiões de matriz africana

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Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia
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Desenho da orixá Iansã que motivou pai de aluna de escola infantil de São Paulo a chamar a polícia

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Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"
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Desenhos de alunos do EMEI Antônio Bento, em São Paulo, em atividade intitulada "Ciranda de Aruanda"

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Capa do livro "Ciranda em Aruanda", de Liu Olivina, publicado pela Editora Quatro Cantos
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Capa do livro "Ciranda em Aruanda", de Liu Olivina, publicado pela Editora Quatro Cantos

Reprodução/Liu Olivina/Editora Quatro Cantos
No livro, a autora traz desenhos e informações sobre 10 orixás
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No livro, a autora traz desenhos e informações sobre 10 orixás

Reprodução/Liu Olivina/Editora Quatro Cantos
Liu Olivina, autora de livro que inspirou atividade denunciada à PM
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Liu Olivina, autora de livro que inspirou atividade denunciada à PM

Acervo Pessoal

Como denunciar

Para denunciar casos de intolerância religiosa e outras violações aos direitos humanos, é possível:

  • ligar gratuitamente para 100 (24h por dia);
  • enviar uma mensagem para o WhatsApp (61) 99611-0100;
  • acessar o site Ódio ou Opinião.

“A denúncia de casos de intolerância religiosa por meio do Disque 100 dá visibilidade a essas violações e fortalece a atuação do Estado na prevenção de práticas discriminatórias”, afirmou a coordenadora-geral do Disque 100, Franciely Loyze.

Segundo a profissional, o aumento dos registros ao longo de 2025 e 2026 já indica maior confiança da sociedade nos canais institucionais.

Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, foi instituído pela Lei nº 11.635/2007 em homenagem à ialorixá Gildásia dos Santos e Santos, Mãe Gilda, fundadora do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, de Salvador, na Bahia.

Mãe Gilda motivou a criação da data após ser vítima de agressões motivadas por intolerância religiosa. Ela faleceu em 21 de janeiro de 2000, data que passou a representar o compromisso do Estado com o respeito à diversidade religiosa e à dignidade humana, informou o governo brasileiro.

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