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São Paulo

Sicário acessou MPF para enviar ação sigilosa sobre Tanure a Vorcaro

Investigação diz que faz-tudo de Daniel Vorcaro usou senhas de servidores do Ministério Público Federal para obter documentos sigilosos

, 16/06/2026 16:31, atualizado 16/06/2026 19:18
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Arte Gabriel Lucas/Metrópoles
Sicário, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, espião de Vorcaro, tem morte encefálica em Belo Horizonte arte metrópoles 1

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) mostram que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário” do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, usou os logins de servidores do Ministério Público Federal (MPF) para acessar investigações sigilosas e enviá-las para o ex-dono do Banco Master. Segundo a PF, Mourão tinha como atividade fazer ameaças a empresários, ex-funcionários e jornalistas, a mando de Vorcaro.

O processo enviado a Vorcaro diz respeito à construtora Gafisa e foi aberto após denúncia do empresário Vladimir Timermann, da Esh Capital.

Em 15 de fevereiro de 2024, Vorcaro envia a Mourão uma foto com a portaria de um inquérito policial e diz que é a respeito do “caso Vladimir”. Uma semana depois, o ex-banqueiro continua a conversa com Sicário, que diz estar com problemas para acessar a investigação.

“Não deixam [acessar], somente a unidade deles, colocaram sigilo máximo. Amanhã pela manhã vou buscar conseguir acessar, que agora eles tão off-line no sistema”, disse o auxiliar a Vorcaro.

No dia seguinte, Mourão afirma que conseguiu “acesso total nível max.” ao conteúdo. Ele envia documentos com o nome de uma servidora – a PF identificou que as senhas de dois servidores do MPF eram usadas pelo faz-tudo de Vorcaro.

“Até o presente momento, não se sabe se ambos foram alvo de um ataque hacker ou se anuíram com a cessão de seus dados”, afirma a PF.

Os documentos ao qual Vorcaro teve acesso diziam respeito à suposta prática de crimes contra o mercado financeiro feitos pelos administradores da Gafisa, membros do Banco Master e da corretora Planner Trustee.

A suspeita é de que a triangulação entre Gafisa, Master e Planner Trustee foi usada para ocultar bens e inflar títulos de direitos creditórios (como precatórios), que eram vendidos por um preço de face maior do que o valor real.

Sicário acionou “A Turma”

Durante o mês de junho de 2024, a troca de mensagens entre Vorcaro e Sicário foi intensa. No dia 18, o ex-banqueiro foi intimado junto de Nelson Tanure, dono da Gafisa, e Maurício Quadrado, dono da Planner Trustee.

Sicário responde que teria acionado o grupo de capangas que controlava, denominado “A Turma”.

“O que você quer que façam? Acabei de ligar na turma aqui”, perguntou Sicário a Vorcaro.

No mesmo dia, Vorcaro recebeu de seu funcionário dois documentos sobre os demais investigados, salvos como “Maurício Correlatos.pdf” e “Nelso tanure.pdf”.

Em 20 de junho, Sicário enviou documentos e pediu para Vorcaro deletar as mensagens, além de ter perguntado o que mais interessaria ao chefe.

“Dos seus, quais você quer que puxe e te envie?”, perguntou Mourão. “Todos, obviamente”, respondeu Vorcaro, em troca de mensagens do dia 20 de junho de 2024.

Em ato contínuo, Vorcaro recebeu dois documentos, um deles nomeado “PROCESSO SIGILO 2”.

O Metrópoles entrou em contato com a defesa de Daniel Vorcaro, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Vorcaro nem Maurício Quadrado.

Tanure nega conhecer Sicário.

O empresário Nelson Tanure disse, por meio da assessoria de imprensa, que nunca ouviu falar no nome Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “sicário” de Vorcaro, “e que soube somente agora, pela imprensa, que seu sigilo teria sido aparentemente violado”.

Além disso, a assessoria de Tanure diz que o empresário sempre foi representado “por meio de escritórios de advocacia de grande reputação no mercado”, e, portanto, ” não faz ideia da razão pela qual esse indivíduo teria citado o nome de Nelson Tanure numa troca de mensagens sobre um possível acesso ao processo mencionado”.

O dono da Gafisa também destaca que Timerman foi condenado criminalmente por persegui-lo.

“Por fim, que o gestor indicado na matéria, senhor Vladimir Timerman, que seria autor do processo mencionado na reportagem, foi condenado criminalmente, em primeira e segunda instância, justamente por perseguir Nelson Tanure, e deve agora ter que cumprir a pena imposta pela Justiça em razão do grave ilícito praticado contra o empresário.”

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