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Servidores do BC que atuavam para Vorcaro ganham mais de R$ 40 mil

PF aponta atuação de dois servidores do Banco Central que faziam “consultoria informal” para Vorcaro em processos dentro da instituição

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Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Imagem colorida da fachada do Banco Central (Bacen) - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida da fachada do Banco Central (Bacen) - Metrópoles - Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Os servidores do Banco Central que atuavam dentro da instituição em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, segundo a Polícia Federal (PF), têm salários superiores a R$ 40 mil no BC. Ambos foram alvo da operação da PF que prendeu Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel nessa quarta-feira (4/3).

Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que atuavam no Departamento de Supervisão Bancária do BC, são acusados pela PF de atuar como consultores privados para os interesses do Master e de Vorcaro. A investigação aponta que eles mantinham um grupo de mensagens com o banqueiro a fim de facilitar a discussão de estratégias. Eles foram afastados de suas funções.

Ainda segundo a PF, essa relação extrapolava a esfera administrativa, configurando indícios de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

De acordo com dados do Portal da Transparência do Governo Federal, Belline Santana tem um salário bruto de R$ 44 mil no Banco Central. Já Paulo Sérgio ganha R$ 41,5 mil mensais. De acordo com o relatório da PF, eles atuavam, respectivamente, como chefe e chefe-adjunto do referido departamento.

Após pedido da PF, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a instalação de tornozeleira eletrônica nos servidores, que estão impedidos de deixar a cidade onde residem e tiveram o passaporte retido. Eles também estão proibidos de entrar nas dependências do BC.

O Metrópoles busca contato com as defesas. O espaço segue aberto para manifestação.

Como atuavam os servidores do BC

A Polícia Federal afirma que Paulo Sérgio fornecia orientações sobre como o Banco Master deveria se comportar em processos administrativos e reuniões com a diretoria do Banco Central, sugerindo argumentos e abordagens que pudessem ser feitas por Vorcaro.

O servidor ainda analisava e sugeria alterações em minutas de ofícios e relatórios que o Master deveria enviar ao próprio departamento onde ele trabalhava. A investigação ainda diz que Paulo Sérgio atuava para influenciar análises internas e  alertar Vorcaro sobre movimentações financeiras identificadas pelos sistemas de monitoramento do Banco Central.

A PF aponta indícios de que o servidor recebia pagamentos pela “consultoria”, por meio de “mecanismos indiretos e estruturas financeiras destinadas a ocultar a natureza ilícita dos pagamentos”.

Em um dos episódios citados como “forte indício de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio”, o banqueiro teria contratado serviços de guia para uma viagem de Paulo Sérgio aos parques da Disney e Universal, nos Estados Unidos.

Já Belline Santana, como chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, desempenhava papel semelhante ao de Paulo Sérgio, atuando de modo informal em favor do Banco Master, de acordo com a PF. O servidor ainda teria participado de reuniões privadas com Vorcaro, fora das dependências do BC.

A investigação aponta que Belline recebia pagamentos por meio de um contrato simulado com a empresa Varajo Consultoria Empresarial. Mensagens interceptadas mostram Belline “cobrando” pagamentos, que eram operacionalizados por terceiros para ocultar a origem ilícita.

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