Sem operações violentas, mortes por PMs no litoral despencam em 2025

Em Santos, São Vicente e Praia Grande, o número de vítimas passou de 111 em 2024 para 25 em 2025

atualizado

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Policiais militares durante Operação Verão 2026 em Santos, na Baixada Santista - Metrópoles
1 de 1 Policiais militares durante Operação Verão 2026 em Santos, na Baixada Santista - Metrópoles - Foto: Reprodução/Instagram CPI6_PMESP

Após a explosão da letalidade policial na Baixada Santista, impulsionada pela Operação Verão de 2024, o número de mortes provocadas por policiais militares (PMs) nas principais cidades do litoral paulista despencou em 2025. No ano passado, Santos, São Vicente e Guarujá registraram juntas 25 mortes decorrentes de intervenção policial.

No ano anterior, o número era de 111. A queda foi de quase 78%. Os dados são do painel do Grupo de Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

Em números absolutos, Santos teve a maior queda, com 30 mortes a menos. Na sequência vem São Vicente, com uma diferença de 29 homicídios. Em Guarujá, foram 28.

Mortes decorrentes de intervenção policial

Santos

  • 2022 – 8
  • 2023 – 17
  • 2024 – 43
  • 2025 – 13

São Vicente

  • 2022 – 9
  • 2023 – 13
  • 2024 – 36
  • 2025 – 7

Guarujá

  • 2022 – 13
  • 2023 – 32
  • 2024 – 32
  • 2025 – 5

A queda na letalidade não acompanhou a tendência registrada em todo o estado. Em 2025, o número de mortes cometidas por policiais militares em serviço foi o maior dos últimos cinco anos, superando a marca de 2024.  Segundo dados do Gaesp, foram 663 no ano passado, contra 653 no ano retrasado.

Operação Verão no litoral

Em 2024, a tradicional Operação Verão, realizada anualmente para reforçar o policiamento na Baixada Santista durante a alta temporada, ganhou contornos violentos após o policial militar Samuel Cosmo, da Rota, ser morto a tiros na comunidade do Mangue Seco, em Santos. Na semana anterior, o PM Marcelo Augusto, de folga, também havia sido morto.

Após os homicídios, o governo de São Paulo determinou o envio de dezenas de viaturas de batalhões de elite da PM para a Baixada Santista, com a realização de incursões diárias em comunidades. O saldo foi de 66 mortes, com denúncias de tortura e execuções sumárias.

No ano anterior, entre julho e setembro de 2023, uma operação nos mesmos moldes foi realizada. A Operação Escudo, como ficou conhecida, deixou 28 vítimas.

Operação após crise

No fim de 2024, após uma sequência de casos de violência envolvendo policiais militares, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) chegou a reconhecer uma crise na segurança pública e afirmou que seria necessário redesenhar a corporação.

No mês seguinte, teve início a Operação Verão de 2025. Dessa vez, a postura dos policiais foi diferente, com drástica redução do número de incursões nas comunidades. Entre o início de janeiro e o fim de março do ano passado, foram registradas seis mortes considerando as cidades de Santos, São Vicente e Guarujá.

PMs de folga

Ao contrário do que ocorreu com o número de mortes cometidas por policiais militares em serviço no estado, a parcial de 2025 indica que os homicídios envolvendo PMs de folga não deve alcançar o patamar registrado em 2024. No ano passado, foram 127, maior quantidade desde 2022. Até 19 de dezembro, o painel do Gaesp indicava 104 homicídios.

Questionada pelo Metrópoles ao longo do ano sobre episódios de violência policial, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) tem afirmado reiteradamente que “não tolera desvios de conduta,” e que todas as mortes cometidas por policiais são investigadas com acompanhamento da Corregedoria e do Ministério Público. Além disso, diz a pasta, em todos os casos são instauradas comissões para identificar “não conformidades”.

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