Sangue ácido e cérebro inchado: como metanol matou empresário da Mooca

Empresário foi primeira vítima cuja morte está oficialmente ligada à intoxicação por metanol após ingerir bebida adulterada

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O empresário Ricardo Lopes Mira, 54 anos, foi a primeira vítima com morte confirmada por ingestão de bebida adulterada com metanol na onda de intoxicações que atinge São Paulo. Morador da Mooca, ele morreu em 16 de setembro, após quatro dias internado no Hospital Vila Lobos, na zona leste.

De acordo com registros do 57º Distrito Policial (Parque da Mooca), Ricardo era bebedor contumaz e passou mal em casa depois de ingerir a bebida. O irmão o encontrou em estado pré-convulsivo e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O laudo médico indicou intoxicação alcoólica, sangue ácido (cetoacidose) e inchaço no cérebro (edema cerebral).

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O caso integra a série de mortes supostamente provocadas por metanol misturado a bebidas alcoólicas clandestinas. Até o momento, seis pessoas morreram no estado, incluindo um advogado de 38 anos, e outras seguem internadas.

Ricardo Lopes Mira atuou por mais de 30 anos no setor de plásticos. Era sócio da Miraplastic, fundada em 1991, na Vila Tolstoi, e dirigia a 4Plast, criada em 2010, em Indianópolis, e integrava a NRRM Empreendimentos e Participações, de 2005. Com os negócios, ajudou a consolidar a presença da família no mercado paulistano de artefatos e resíduos plásticos.

Alerta do Ministério da Saúde

A onda de intoxicações levou o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) a emitir alerta nacional para que hospitais e unidades de pronto atendimento de todo o país considerem a hipótese de intoxicação por metanol em pacientes que apresentem sintomas como: visão turva, vômitos, dor abdominal, tontura e confusão mental. A pasta também recomendou a bares, restaurantes e comerciantes que reforcem a checagem da procedência das bebidas alcoólicas, observando rótulos, lacres, selos fiscais e rastreabilidade dos lotes.

Paralelamente, a Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para apurar a origem da bebida consumida pelas vítimas identificadas até o momento, e já colhe depoimentos de familiares, amigos e funcionários de estabelecimentos em que bebidas foram adquiridas. O objetivo é identificar possíveis falhas na cadeia de distribuição e localizar lotes adulterados para retirá-los do mercado.

As investigações também consideram a participação do crime organizado no esquema de adulteração. A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) revelou que cargas de metanol importadas ilegalmente — inicialmente destinadas a adulterar combustíveis — podem ter sido desviadas para destilarias clandestinas que produzem bebidas alcoólicas falsificadas. A entidade não descarta a possibilidade de que a substância tenha sido fornecida a distribuidores ligados a facções criminosas.

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou que aguarda os resultados finais dos laudos periciais, enquanto familiares das vítimas cobram celeridade nas investigações e responsabilização dos envolvidos na adulteração das bebidas. As mortes reforçam o alerta sobre os riscos do consumo de bebidas alcoólicas sem procedência comprovada e expõem falhas na fiscalização do setor de bebidas no estado.

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