Troca de nome da rua Peixoto Gomide reacende debate em São Paulo

Câmara de SP aprovou projeto de lei que prevê mudar nome da Rua Peixoto Gomide para Rua Sophia Gomide após debates sobre violência doméstica

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A aprovação na Câmara Municipal de São Paulo do projeto de lei que prevê mudar o nome da Rua Peixoto Gomide para Rua Sophia Gomide, como uma espécie de reparação histórica em relação à história da família, recolocou em pauta o debate sobre memória urbana, violência contra as mulheres e os critérios que orientam as homenagens no espaço público.

A rua, que atravessa os bairros da Bela Vista e Jardim Paulista, na região central da capital paulista, é uma homenagem ao ex-senador Peixoto Gomide, que matou Sophia, sua própria filha, em 1906, por não aceitar o casamento dela. Ele se matou após o crime.

A discussão dialoga diretamente com a pesquisa da historiadora Maíra Rosin, pesquisadora de pós-doutorado vinculada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), junto ao grupo de pesquisa Cidade, Arquitetura e Preservação em Perspectiva Histórica, da EFLCH, que investiga as relações entre mulheres, cidades e circulação urbana.

A partir da pesquisa Quando Elas Passam: o Plano de Avenidas e os Embates Político-Culturais com as Mulheres em São Paulo (1938-1945), ela coloca o debate sobre como políticas urbanas e discursos de modernidade afetaram a presença feminina na cidade.

O debate ganhou repercussão também a partir do artigo Vias Sujas de Sangue, publicado por Rosin. No texto, a autora recupera a história de Sophia Gomide, morta em 20 de janeiro de 1906 pelo próprio pai, Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior. Anos depois, em 1914, ele foi homenageado pela Câmara Municipal com o nome de uma das ruas mais conhecidas da cidade, sem que o assassinato da filha fosse mencionado nas honras oficiais.

A discussão em torno da mudança do nome da rua evidencia como a pesquisa histórica pode contribuir para revisitar narrativas naturalizadas na cidade e trazer à tona personagens, violências e apagamentos que permaneceram por décadas fora da memória pública

Projeto para trocar nome de rua avança na Câmara

O projeto de lei foi aprovado pela Comissão de Justiça da Câmara na quarta-feira (11/3). A proposta, de autoria da Bancada Feminista do PSol e co-autoria de Luna Zarattini (PT), ainda precisa passar por votação no plenário da Casa.

O projeto foi aprovado durante reunião no dia 11 de março com um único voto contrário: o do vereador Lucas Pavanato (PL). Agora, deverá seguir para votação no plenário.

Mais dois PLs foram protocolados para a mudança de mais dois nomes de ruas com nomes de feminicidas. São elas: rua Moacir Piza, também no Jardim Paulista, baseado no mesmo artigo da historiadora Maíra Rosin, e rua Alberto Dias, baseado na dissertação de mestrado de Fabrizio Franco, defendida na Unifesp em 2024 sob orientação do professor José Carlos Vilardaga.

Nunes promete sancionar mudança

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nessa terça-feira (17/3) que pretende sancionar, caso seja aprovado pela Câmara Municipal, o projeto de lei que propõe alterar o nome da Rua Peixoto Gomide, que passa pelos bairros Bela Vista e Jardim Paulista, na região central, por Rua Sophia Gomide.

O prefeito disse que “homenagear alguém que matou uma pessoa já não é correto, ainda mais uma filha” e que irá sancionar a lei, havendo respaldo legal.

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