Curadores de parede: conheça o trabalho de art advisor

De acordo com orçamento e gosto pessoal, esses profissionais ajudam os clientes a comprar obras de arte

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Ênio Cesar / SP–Arte
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Galerias, escritórios e feiras de arte costumam ser espaços pouco amistosos para quem não é desse meio. De olho nessas pessoas que gostariam de comprar uma obra de arte, mas não sabem por onde começar, um profissional tem ganhado cada vez mais espaço: o art advisor. Traduzindo: consultor de arte.

São pessoas com bastante conhecimento de história e do sistema de arte. Relacionam-se bem com artistas, galeristas, colecionadores, leiloeiros, restauradores, curadores, montadores e todos os agentes ligados a esse universo.

“Eu faço uma curadoria de parede”, resume Mariela Terreri, que trabalha como art advisor há 8 anos.

“Percebi que havia um público muito grande de interessados em arte que não era atendido por falta de acesso ou conhecimento. Faltava alguém que desse uma orientação segura e confiável para que essas pessoas efetuassem uma compra. Por isso, resolvi entrar nesse mercado.

Escolhas certeiras

Mariela é formada em jornalismo e estudou história da arte na Itália. Trabalhou no Instituto Figueiredo Ferraz, uma das mais importantes coleções privadas de arte do país e também em galerias de arte. Conhecendo de ponta a ponta o sistema, a advisor oferece a seus clientes uma consultoria para que eles façam “o melhor aproveitamento possível do investimento em uma obra de arte”.

“Acompanho muitos artistas há muitos anos. Conheço jovens, emergentes e estabelecidos. Dentro do gosto e do desejo da pessoa, eu consigo indicar qual seria o melhor investimento, buscando um nome que tenha boa previsibilidade na carreira”, explica Mirela.

A art advisor Georgia Lobacheff, que trabalha no ramo há nove anos, acredita que, além da ajuda para escolher trabalhos de nomes mais promissores, com o auxílio de um bom profissional, o cliente pode ter uma experiência mais aprofundada durante a compra. Ela também é jornalista e estudou curadoria em Nova York.

“Tento fisgar a pessoa para fazer com ela uma formação”, diz Georgia, que oferece aos clientes visitas guiadas a exposições, ateliê de artistas e coleções privadas. Com esses programas, segundo a advisor, ela consegue transformar alguns dos “compradores” em “amantes das artes”. O mais comum, porém, é a consulta para uma compra pontual ou para a decoração de uma casa nova.

Art advisor x arquitetos

Georgia ressalta que, quando se vê um mesmo artista repetido na casa de diferentes clientes, geralmente a compra do trabalho veio por indicação do arquiteto que desenhou o projeto da residência.

“Arquitetos, decoradores podem ser bons arquitetos e decoradores, mas não são curadores e consultores de arte”, afirma. “Eles poluem um pouco o mercado, porque fazem conluio com galerias, vendendo para vários clientes obras de um mesmo artista ou representante.”

Mariela atribui o fato ao trabalho do art advisor ainda ser considerado informal e batalha pela profissionalização do meio. “Eles passam por cima como um trator, é impressionante”, comenta. Quando os arquitetos vendem obras de galerias para os clientes, geralmente ganham uma comissão por venda. Para evitar esse tipo de negociação, ter mais liberdade nas indicações e manter-se independente de galerias, Mariela cobra por projeto e quem efetua o seu pagamento é só o cliente.

“Sou remunerada pelo cliente conforme o projeto. Não fico tão dependente de comissão”, explica. Uma consultoria para compras de obras de arte pode ter uma duração de três meses. Quando ela faz um trabalho comissionado, geralmente é para intermediar a compra ou venda de uma obra específica.

As duas advisors são a favor de trabalharem em parceria com os arquitetos, de modo que o cliente também possa fazer escolhas mais conscientes. “Eu vendo arte. Não tem nada a ver com o trabalho do decorador”, ressalta Georgia.

“O cliente não vai ficar com a cabeça só na decoração da casa. Ele pode viajar. Ensino a fazer escolhas de acordo com orçamento e gosto. Às vezes, o cliente chega achando que quer uma pintura, mas, no meio do processo, ele descobre que gosta mais de fotografia.”

 

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