Quem são os 3 presos por esquema de venda de remédios falsos contra câncer
Polícia prendeu 3 suspeitos de envolvimento no esquema de venda de medicamentos oncológicos falsificados. Distribuidora foi alvo de operação

São Paulo – Nalva Braz do Nascimento, Petter Gabriel Cavalcante Chagas e Sharlene Chaves Barbosa foram presos na manhã desta quinta-feira (5/11), suspeitos de envolvimento em um esquema de venda de medicamentos oncológicos, usados nos tratamentos de câncer, falsificados. Um paciente do interior de São Paulo chegou a ser tratado com uma unidade de remédio falso.
Os três foram presos durante a segunda fase da Operação Laziosi, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Além das prisões, a ação também cumpre 18 mandados de busca e apreensão em Araraquara, Matão, Marília, Mirassol e na cidade de São Paulo.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasNalva é apontada pela promotoria como a dona da NacionalFarma, distribuidora acusada de ser a autora da venda dos medicamentos falsificados. A suspeita tinha acesso integral e exclusivo aos sistemas internos de gestão da empresa. Ela figurava como a responsável legal perante a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Peter Gabriel atuava como elo da distribuidora com o mercado hospitalar, sendo responsável por negociar cotações com estabelecimentos hospitalares e por providenciar documentação fiscal, afim de justificar a origem ilícita ou fraudulenta de medicamentos falsificados. Além disso, é apontado pela investigação como dono de uma das empresas laranjas usadas no esquema.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPSharlene exercia a função de ligação financeira. Ela é tida como a sucessora de Nalva na gestão de uma das empresas do grupo, detinha o conhecimento financeiro da operação e era responsável por emitir notas fiscais por meio de pessoas jurídicas laranjas, garantindo suporte e fluxo de capitais às demais empresas do grupo.
Esquema de falsificação
- A distribuidora já havia sido alvo da Operação Laziosi em novembro de 2024, quando o laboratório de um imunoterápico de alto custo, usado no tratamento do câncer, noticiou a venda de unidade falsificada a um hospital da capital paulista. À época, uma perícia oficial confirmou a falsificação.
- Segundo o Ministério Público, na primeira fase da operação, realizada em novembro de 2024, as autoridades descobriram que a atuação da distribuidora estava relacionada com uma rede de empresas interligadas, parte delas sem estrutura operacional nos endereços declarados.
- Entre janeiro e novembro de 2024, a distribuidora teria emitido notas fiscais de saída do imunoterápico falsificado que somam mais de R$ 1,5 milhão, para destinatários de sete estados.
- Mesmo depois da ação policial, em abril de 2025, a mesma distribuidora vendeu nove unidades falsificadas de outro medicamento oncológico ao Hospital Unimed de Araras.
- Uma dessas unidades foi administrada em um paciente e as outras oito foram recolhidas pela própria NacionalFarma e substituídas por outro lote que coincide com uma carga roubada em Uberaba, em Minas Gerais, em novembro de 2024.
Na operação desta quinta-feira (5/11), também ficou determinado o bloqueio de até R$ 15 milhões de bens e valores dos investigados, de empresas ligadas aos suspeitos e de laranjas. Sete empresas tiveram a atividade interrompida.
O Metrópoles tenta contato com os suspeitos de envolvimento no esquema. O espaço está aberto para atualizações.
