Quem é MC Negão Original, preso suspeito de integrar grupo criminoso
MC estava foragido desde fevereiro após ser alvo da Operação Fim de Fábula, suspeito de integrar grupo criminoso e aplicar golpes digitais

Nascido na zona leste de São Paulo e com mais de três milhões de seguidores nas redes sociais, o funkeiro João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original, foi preso na manhã desta quinta-feira (25/6), no interior do estado. Ele estava foragido há quatro meses, após ser alvo da Operação Fim de Fábula, deflagrada em 24 de fevereiro contra uma quadrilha suspeita de aplicar golpes por meios digitais.
De acordo com a investigação, o MC integra o grupo criminoso e estaria envolvido em fraudes conhecidas como “golpe do INSS”, “golpe do falso advogado” e “golpe da mão fantasma”. Os criminosos também fariam a clonagem de chaves Pix das vítimas e usavam sites de apostas on-line e fintechs para movimentar os valores obtidos de forma ilícita.
O artista acumula milhões de ouvintes e seguidores nas redes sociais, onde ostenta luxo e dinheiro. No Spotify, o cantor tem mais de 11 milhões de ouvintes mensais e explodiu com hits como Medley de Igaratá, Carnívoro e Pirocada Quente. Seu álbum, A Nata de Tudo – A Ovelha Negra, chegou ao topo do Top Álbuns Debut Global do Spotify.
Em entrevista ao Metrópoles em 2025, o MC definiu sua trajetória como “irônica”, visto que passou já pelo crime, pela igreja e pelo funk. Ele confessou que viveu no mundo criminoso quando era mais novo por “falta de opção”.
“Houve um momento em que precisei escolher entre estudar ou ajudar minha mãe. E, naquela época, a única alternativa viável para mim era essa”, disse o cantor em entrevista.
Ele afirmou que se converteu após uma experiência marcante com a fé e decidiu “seguir um caminho melhor”. “Não em questão de droga, mas de hierarquia mesmo”, revelou.
Conforme apurado pela reportagem, João Victor foi capturado na região oeste do estado, nesta manhã, e está sendo conduzido para a sede da Divisão de Capturas do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE).
MC divulgava plataforma de bet manipulada, diz polícia
Segundo a Polícia Civil, o funkeiro divulgava plataforma de apostas on-line em que a casa sempre vencia. O cantor é acusado de induzir os fãs a apostarem no site para juntar recursos para a quadrilha responsável por golpes digitais em série.
Um imóvel, localizado em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, também liga o MC a quadrilha. A propriedade em que o cantor morou tem conexões financeiras com o grupo e era usada como estrutura central das fraudes. A engrenagem golpista teria lavado aproximadamente R$ 100 milhões obtidos com fraudes em todo o país.
No imóvel onde morava o MC, foram encontrados notebooks, celulares e documentos relacionados com a ação criminosa. As provas foram apreendidas e serão analisadas pela investigação.
Operação policial
O Departamento de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de São Paulo deflagrou, no dia 24 de fevereiro, a operação Fim da Fábula, que investiga um esquema fraudulento de golpes em larga escala.
A investigação revelou que a quadrilha responsável por golpes digitais em série montou uma engrenagem financeira baseada no uso intensivo de fintechs e plataformas de apostas on-line (bets) para lavar aproximadamente R$ 100 milhões obtidos com fraudes em todo o país.
Foram cumpridos 120 mandados de busca e apreensão e 53 mandados de prisão temporária, além do bloqueio judicial de R$ 100 milhões em bens dos investigados. A ação foi coordenada pelo Deic, por meio da Divisão de Crimes contra o Patrimônio, em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp).
O MPSP identificou pelo menos 36 imóveis vinculados aos investigados, além de centenas de veículos e embarcações, muitos registrados em nome de laranjas ou empresas fictícias.
Participam da operação cerca de 400 policiais civis e promotores de Justiça.

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