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São Paulo

Quem é o "Concierge do PCC", beneficiado por decisão que barrou leilão

Justiça pediu que o imóvel ligado ao chamado "Concierge do PCC", suspeito de comandar rede de influência do crime, organizado fosse suspenso

31/10/2026 15:23
Gui Primola/Arte/Metrópoles
Arte gráfica com homem branco, careca, sem barba e camiseta branca, a esquerda, e navio cheio de contêineres em alto mar, a direita. Concierge do PCC- Metrópoles

São Paulo — Willian Barile Agati, conhecido como o “Concierge do PCC”, dono do apartamento luxuoso, em Indianópolis, área nobre da zona sul de São Paulo, que foi barrado de ir a leilão, é um empresário apontado, segundo a Polícia Federal (PF), como interlocutor entre lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC), entre outros compradores no exterior, e a máfia italiana ‘Ndrangheta na venda de cocaína à Europa. A defesa de Agati nega qualquer relação dele com o crime organizado.

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Willian Barile Agati, conhecido como o “concierge do crime”, tem ligações com o pastor Valdemiro
Willian Agati, indiciado pela Polícia Federal por ligação com o PCC
Willian Barile Agati, conhecido como o “Concierge do PCC"
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Willian Barile Agati, conhecido como o “Concierge do PCC"

Reprodução/Polícia Civil
Willian Barile Agati, conhecido como o “concierge do crime”, tem ligações com o pastor Valdemiro
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Willian Barile Agati, conhecido como o “concierge do crime”, tem ligações com o pastor Valdemiro

PF/Reprodução
Willian Agati, indiciado pela Polícia Federal por ligação com o PCC
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Willian Agati, indiciado pela Polícia Federal por ligação com o PCC

Reprodução

A Justiça Federal de Curitiba, no Paraná, barrou no último dia 27 o leilão de um apartamento luxuoso ligado Agati, no Edifício Saint Barthelemy, zona sul da capital paulista. Entre os argumentos, a defesa conseguiu ter pedido de reconsideração aceito, ao qual, conforme documento obtido pela reportagem, apontou possíveis prejuízos financeiros com a medida dada para leiloar o imóvel.

Localizado em uma das regiões mais caras da capital paulista, o imóvel ligado ao “Concierge do PCC” foi alvo de ação de sequestro, no âmbito da Operação Mafiusi, em outubro do ano passado. As estimativas apontam que, neste mesmo edifício, os imóveis estão estimados entre R$ 3 milhões e R$ 6 milhões.

Rede internacional

Agati foi indiciado em fevereiro do ano passado por gerenciar uma rede de tráfico internacional. A PF o apontou como o interlocutor entre o PCC e a máfia italiana, além de outros compradores que negociavam cargas de drogas ao exterior.

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A forma como conduzia os negócios foi o que rendeu-lhe a Agati o apelido de “Concierge”, já que atendia diferentes demandas e exigências de pessoas envolvidas com o tráfico internacional de drogas, principalmente o PCC.

“Esses pedidos são dos mais diversos tipos, desde a logística para o narcotráfico e lavagem de dinheiro, até o fornecimento de aviões, veículos, imóveis, artigos de luxo e outras necessidades dos criminosos”, diz a PF na representação pela sua prisão.

Por essas conexões com a organização criminosa, ele foi preso no mês passado. A PF encontrou cerca de R$ 2 bilhões em movimentações financeiras feitas por ele e suas empresas entre 2017 e 2024. A suspeita é que os valores são provenientes do tráfico de cocaína.

Segundo a investigação, a escolha de Willian como “concierge” da alta cúpula do PCC se deu por conta de sua “imagem de empresário bem-sucedido”, que justificaria seu estilo de vida luxuoso, podendo se infiltrar na alta sociedade.

A lavagem de dinheiro, no entanto, operava com a ajuda de empresas de fachada e Agati é apontado como controlador de inúmeras delas.

Segundo os agentes, ele também atendia pelos codinomes de “Senna”, “Boxeador”, “Jogador” e “Playboy”, nicknames usados no aplicativo de mensagens criptografadas Sky ECC.

Agati foi indiciado na operação Mafiusi, da PF, junto com outras 13 pessoas. No entanto, foi em outra operação, a Retis, em que foram constatados “fortes indícios” de que o concierge seria o responsável por operacionalizar parte da lavagem do dinheiro proveniente das ações de tráfico internacional de drogas pelo Porto de Paranaguá (PR).

O porto tem relevância nacional por ser o maior na exportação de produtos agrícolas, os quais, segundo a investigação, serviam para transportar a droga do Brasil para o exterior, principalmente a países europeus.

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A defesa de Agati nega que ele tenha envolvimento com o crime organizado.

“Agati é um empresário idôneo em diversos ramos nacionais e internacionais sem nunca ter respondido nenhum processo na justiça, e nunca teve e não tem nenhuma conexão com o PCC ou com a máfia italiana (não conhecendo nenhum membro ou pessoa ligada à facções ou máfia)”, afirma o advogado Eduardo Maurício.

O defensor de Agati também afirmou que o juiz considerou dúvidas legítimas sobre a origem e a integridade das mensagens extraídas do aplicativo Sky ECC. “Embora o juiz tenha rejeitado, neste momento, o pedido de anulação das provas extraídas reconheceu dúvidas legítimas sobre a origem e a integridade das mensagens e determinou que sejam obtidos dados brutos e originais do sistema”, pontuou o advogado Eduardo Maurício.