Pressão por debandada do governo Lula exclui partido de Tarcísio
Republicanos, de Tarcísio de Freitas, não cogita abrir mão de ministério de Lula, após União e Progressistas anunciarem debandada do governo
atualizado
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Enquanto os dirigentes do União Brasil e do Progressistas (PP) deram um ultimato para os ministros filiados aos partidos abandonarem o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Republicanos, legenda do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, silenciou sobre a permanência do ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos-PB), na gestão petista.
Nos últimos dias, Tarcísio assumiu protagonismo na articulação pela anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, incluindo Jair Bolsonaro (PL), seu padrinho político. O governador é apontado como o nome preferido dos partidos de direita para disputar a Presidência da República contra Lula na eleição do ano que vem, por causa da inelegibilidade do ex-presidente.
Nessa terça-feira (2/9), o presidente do União, Antonio Rueda, e do PP, senador Ciro Nogueira, deram um mês para os ministros do Turismo Celso Sabino (União-PA), do Esporte, André Fufuca (PP-MA), deixarem a Esplanada. Segundo os dois dirigentes, trata-se de um “rompimento institucional”.
O Metrópoles apurou que o Republicanos não interpelou Silvio Costa Filho para desembarcar do governo. Integrantes da legenda dizem que essa conversa não ocorre nos bastidores. O ministério é visto como um acordo pessoal entre Lula e Costa Filho. Procurado, o presidente do partido, deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), não comentou o assunto.
O anúncio da saída do União Brasil e do PP do governo federal ocorreu no mesmo dia que iniciou o julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF), por tentativa de golpe de Estado. Enquanto o ex-presidente, que está em prisão domiciliar, é julgado, as articulações para o projeto de lei que concede anistia aos envolvidos nos atos golpistas esquentaram em Brasília.
Antes do anúncio, os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto; do União Brasil, Antonio Rueda; e do Progressistas, Ciro Nogueira, estiveram reunidos, como mostrou o colunista Igor Gadelha.
Ciro Nogueira, inclusive, tem reivindicado o espaço de vice em uma eventual chapa presidencial de Tarcísio. Valdemar afirmou, na semana passada, que o governador de São Paulo já declarou que iria para o PL, caso concorra ao Planalto.
Em meio ao cenário tumultuado, o próprio Tarcísio foi à capital federal na terça-feira para tratar pessoalmente sobre a anistia. O governador passou a noite em Brasília e liberou a agenda pública para essa quarta-feira (3/9).
No início da semana, o governador recebeu Marcos Pereira no Palácio dos Bandeirantes. O presidente do Republicanos publicou o encontro nas redes sociais e deixou claro que a anistia foi “o cardápio” do café da manhã na sede do governo paulista.
No encontro, ambos conversaram por telefone com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O parlamentar teria dito que o assunto era delicado e iria conversar com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Alcolumbre quer apresentar um texto alternativo à proposta de anistia defendido pela oposição. A matéria diferenciaria as penas dos envolvidos no atentado de 8 de janeiro de 2023, de acordo com o grau de participação nos atos.
Tarcísio articula anistia
A ida à Brasília nesta semana e o café da manhã no Palácio dos Bandeirantes com Marcos Pereira ocorre na esteira de outras movimentações do governador de São Paulo para tentar emplacar a anistia. As articulações acenam para um apoio de Jair Bolsonaro a Tarcísio e reduzem as fricções de bolsonaristas mais aguerridos contra o governador, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
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Na semana anterior, Tarcísio já havia feito movimentos em prol do projeto de anistia. Segundo aliados, o governador é cobrado tanto por bolsonaristas quanto pelo Centrão para intermediar conversas com Hugo Motta, já que ambos são filiados ao mesmo partido.















