Prefeito se exalta com professoras e agride jornalista: “Cala a boca”. Veja vídeo

Prefeito de Bragança Paulista, Edmir Chedid se alterou enquanto educadores protestavam pacificamente por pagamentos não repassados

atualizado

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Edmir Chedid, ex-deputado estadual de São Paulo e atual prefeito de Bragança Paulista - Metrópoles
1 de 1 Edmir Chedid, ex-deputado estadual de São Paulo e atual prefeito de Bragança Paulista - Metrópoles - Foto: Alesp/Reprodução

O prefeito de Bragança Paulista, Edmir Chedid (União Brasil), protagonizou uma confusão na manhã desta quinta-feira (12/2). Além de se exaltar com professoras que se manifestavam pacificamente na área externa da administração municipal, no interior de São Paulo, o gestor arrancou o celular das mãos de um jornalista. A confusão ocorreu por volta das 9h50.

O repórter da rádio Bragança FM, que trabalhava no local e transmitia a ocasião, estava ao lado do prefeito com equipamentos posicionados. No entanto, Edmir Chedid o segurou pelo braço, tomou o celular e perguntou “vai querer gravar?”. O jornalista respondeu que estava ao vivo.

Na sequência, o prefeito guardou o dispositivo do repórter a no bolso traseiro da calça. Nas imagens, é possível ver que em seguida o gestor entregou o aparelho a uma das manifestantes. Além disso, confrontou as participantes do ato: “Querem fazer política? Querem imprensa? Vocês querem confusão.”

Em questão de segundos, Chedid bravejou: “Cala a boca”. Depois, ainda tentou arrancar o microfone do jornalista. Um guarda municipal tentou intervir, mas o gestor municipal reagiu: “Não tenho calma”.

Uma professora, então, tentou argumentar: “Calma é a gente que não pode ter, porque nós estamos desempregadas”. O prefeito retrucou: “E vai ficar desempregada”.

Ao Metrópoles, o jornalista da rádio Bragança FM disse que se sentiu assustado com a atitude de Edmir Chedid.

Manifestação pacífica

Os professores reivindicam regularização nos contratos de escolas terceirizadas de Bragança Paulista, além de pagamentos e direitos trabalhistas que estão pendentes. No ato pacífico, também estavam presentes vereadores.

Segundo apurado pelo Metrópoles, os educadores já haviam protestado no início desta semana. Os docentes são ex-funcionários das Organizações da Sociedade Civil (OSC) contratadas para executar serviços na rede municipal por meio da Promove Ação Sócio Cultural e do Instituto Comunitário de Valorização da Vida (ICVV).

Repasses públicos

Em dezembro do ano passado, uma ação judicial foi movida pelo município de Bragança Paulista contra a Promove e o ICVV devido ao suposto descumprimento de obrigações em contratos de educação. A prefeitura alega que as entidades não pagaram os salários e benefícios dos professores, apesar de terem recebido regularmente os repasses públicos.

Na Justiça, a prefeitura busca o ressarcimento de aproximadamente R$ 22,5 milhões aos cofres públicos. Em 17 de dezembro, a 3ª Vara Cível da Comarca de Bragança Paulista determinou o bloqueio das contas bancárias das organizações, em caráter de urgência, para garantir o pagamento das verbas trabalhistas e proteger o erário.

“O perigo de dano é iminente e gravíssimo. Há provas de descumprimento dos deveres contratuais e indícios claros de dissipação patrimonial. Os extratos financeiros revelam movimentações atípicas e a ausência de destinação dos recursos para as finalidades pactuadas. Mais alarmante ainda é a constatação de que recursos públicos de Bragança Paulista estão sendo drenados para pagar dívidas da requerida com terceiros em outros entes da federação”, apontou a juíza Caroline Oliveira Dias.

O processo demonstra ainda o risco de interrupção dos serviços essenciais nas unidades escolares de Bragança, devido a possíveis paralisações. A sentença também exige que as organizações contratadas pela prefeitura apresentem extratos bancários detalhados para esclarecer o destino dos recursos provisionados.

Em outubro, a prefeitura anunciou que enviou um comunicado às escolas municipais com esclarecimento aos colaboradores sobre a realização dos repasses financeiros destinados ao pagamento dos funcionários das entidades parceiras.

“Para a Promove, a Prefeitura realizou o pagamento do reajuste retroativo de março a agosto no dia 6 de outubro de 2025, no valor de R$ 237.602,19, junto da parcela mensal. Já para o ICVV, a parcela retroativa foi paga no dia 25 de setembro, no valor de R$ 129.584,05, já que data do dissídio ocorreu em março. Os pagamentos referentes a setembro já estão com a inclusão do reajuste”, destacou a administração municipal.

Quem é Edmir Chedid

Edmir Chadid se formou em direito e iniciou a trajetória política como vereador em Serra Negra, no interior paulista. Exerceu o cargo por dois mandatos e até chegou à presidência da Câmara Municipal.

Em 1994, Chedid foi eleito deputado estadual. Na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), integrou a Mesa Diretora. Foi vice-presidente entre 2001 e 2003, e depois 2º secretário, de 2007 a 2009, e 2013 a 2015.

Em 2018, Chedid foi reeleito para o sétimo mandato consecutivo na Alesp. Em 2024, tornou-se prefeito de Bragança Paulista.

Veja nota enviada pela prefeitura:

“A Prefeitura de Bragança Paulista informa que reconhece o direito constitucional de manifestação e a liberdade de imprensa, e lamenta a forma como o diálogo se desenvolveu e reforça o respeito aos profissionais da imprensa. O jornalista em questão trabalha para uma rádio que mantém posicionamento político adversário à prefeitura.

Na manhã desta quinta-feira (12/2), houve uma concentração de uma pequena parte de profissionais ligados a organizações anteriormente responsáveis por serviços educacionais no município. A administração municipal esclarece que questões trabalhistas e contratações são de responsabilidade das entidades executoras, conforme contratos firmados e legislação vigente.

Uma comissão formada por colaboradores e vereadores foi recebida pelo prefeito Edmir Chedid, acompanhado pela vice-prefeita Gislene Bueno, quando foi reiterado que em momento algum a prefeitura deixou de cumprir com os procedimentos explicados desde o início do caso.

A administração municipal adotou uma série de medidas diante do encerramento dos contratos com duas entidades (Promove e ICVV) que atuavam na rede municipal de educação, após o descumprimento de obrigações contratuais. As entidades não repassaram os recursos depositados pela prefeitura para o pagamento de seus colaboradores (valor aproximado R$ 20 milhões).

Desde o primeiro momento, o município priorizou a proteção dos direitos dos trabalhadores e a continuidade dos serviços, buscando respaldo jurídico e obtendo autorização judicial para efetuar diretamente o pagamento dos salários e do décimo terceiro. Durante todo o processo, também foram mantidas reuniões com os colaboradores e sindicato da categoria, para garantir transparência, diálogo e apoio na transição.

Paralelamente, a administração municipal deu início aos novos processos de contratação de novas entidades, por meio de chamamentos públicos e processos seletivos. As contratações estão ocorrendo em regime de mutirão, inclusive neste fim de semana, com etapas concentradas para agilizar as admissões para o início das aulas no dia 19 de fevereiro.”

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