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MPSP denuncia prefeito afastado de São Bernardo e mais 9 por corrupção

Marcelo de Lima Fernandes, prefeito afastado de São Bernardo do Campo, é acusado de desviar recursos públicos via empresas

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Imagem colorida mostra homem branco sorrindo com os dentes à mostra. Ele olha para o lado direito da foto. O homem é semicalvo e usa óculos com aro preto - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra homem branco sorrindo com os dentes à mostra. Ele olha para o lado direito da foto. O homem é semicalvo e usa óculos com aro preto - Metrópoles - Foto: Reprodução/ Instagram

Marcelo de Lima Fernandes, prefeito afastado de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, foi formalmente denunciado por corrupção à Justiça. Na denúncia, apresentada pela Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ), nesta segunda (18/8), aparecem ainda o presidente da Câmara Municipal, Danilo Lima de Ramos, o suplente de vereador, Ary José de Oliveira,  o operador da organização criminosa, Paulo Iran Paulino Costa, e outras seis pessoas.

De acordo com a denúncia, os envolvidos desviavam recursos públicos por meio de empresas que mantêm vínculos formais com a prefeitura e a Fundação ABC. O esquema teria iniciado em 2022, e vigorado até a última semana, quando foi deflagrada uma operação da Polícia Federal (PF), fruto de uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o bando.

Na quinta-feira (14/8), a PF apreendeu uma “montanha” de dinheiro na operação que mirou o prefeito e seus aliados. Somente Paulo Iran tinha mais de R$ 12 milhões em um ‘bunker’ em sua casa. Ele é considerado peça-chave no esquema e está foragido, após ter a prisão preventiva decretada na quinta.

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Dinheiro em espécie na casa de um servidor público
R$ 210 mil em espécie foram achados na casa do sócio de uma empresa de medicamentos
PF fez apreensões de cédulas de dinheiro em uma empresa de medicamentos
Quase R$ 2 milhçoes foram apreendidos na casa de um sócio de empresa de terraplanagem foi alvo de mandado de busca
Pilhas de dinheiro achadas na casa do sócio de uma empresa de terraplanagem
Dinheiro encontrado na casa de um servidor público
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Dinheiro encontrado na casa de um servidor público

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Dinheiro em espécie na casa de um servidor público
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Dinheiro em espécie na casa de um servidor público

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R$ 210 mil em espécie foram achados na casa do sócio de uma empresa de medicamentos
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R$ 210 mil em espécie foram achados na casa do sócio de uma empresa de medicamentos

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PF fez apreensões de cédulas de dinheiro em uma empresa de medicamentos
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PF fez apreensões de cédulas de dinheiro em uma empresa de medicamentos

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Quase R$ 2 milhçoes foram apreendidos na casa de um sócio de empresa de terraplanagem foi alvo de mandado de busca
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Quase R$ 2 milhçoes foram apreendidos na casa de um sócio de empresa de terraplanagem foi alvo de mandado de busca

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Pilhas de dinheiro achadas na casa do sócio de uma empresa de terraplanagem
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Pilhas de dinheiro achadas na casa do sócio de uma empresa de terraplanagem

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Relógios apreendidos na casa do sócio de uma empresa de exportação e importação
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Relógios apreendidos na casa do sócio de uma empresa de exportação e importação

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Arma e munição apreendidas na casa do sócio de uma empresa de exportação e importação
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Arma e munição apreendidas na casa do sócio de uma empresa de exportação e importação

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Arma e dinheiro apreendidos na casa do sócio de uma empresa de exportação e importação
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Arma e dinheiro apreendidos na casa do sócio de uma empresa de exportação e importação

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Relógios de luxo apreendidos na casa do sócio de uma empresa de exportação e importação
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Relógios de luxo apreendidos na casa do sócio de uma empresa de exportação e importação

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Buscas

Iran é acusado de pagar, com dinheiro de propina, despesas pessoais da família de Marcelo Lima, como cartão de crédito, passagens aéreas e até faculdade de medicina da filha do prefeito. Na residência do foragido, em junho, os policiais encontraram R$ 14 milhões em dinheiro vivo.

Paulo Iran estava lotado no gabinete do deputado estadual Rodrigo Moraes (PL) e foi exonerado na sexta-feira (15/8). Na quinta-feira (14/8), a pedido da PF, a Justiça decretou a prisão preventiva de Iran, mas ele não foi localizado.

PF esteve na casa do servidor pela primeira vez dia 7 de junho deste ano, quando apreendeu mais de R$ 12 milhões e US$ 157 mil, além de R$ 583 mil no carro do servidor. Nessa operação, a equipe também encontrou diversas anotações com codinomes para organizar o dinheiro, que era distribuído aos beneficiários em mochilas e caixas de papelão.

Segundo a investigação, Paulo Iran recebia dinheiro de pelo menos 15 empresas dos setores de saúde e obras da Prefeitura de São Bernardo do Campo. Uma delas, a Quality Medical, que também foi alvo da operação policial, é acusada de ter feito R$ 670 mil em repasses.

Para isso, ele se utilizava de um telefone paralelo para trocar mensagens codificadas sobre os valores com ajuda de Antônio Renê da Silva Chagas, funcionário da prefeitura.


Além do prefeito, quem são os alvos da operação

  • Antonio Rene da Silva Chagas — Ao lado de Paulo Iran Paulino Costa, o servidor Antonio Rene da Silva Chagas, conhecido como “Renegade”, atuava na divisão do dinheiro obtido por meio do esquema, que seria entregue para os beneficiários em mochilas e caixas de papelão.
  • Fabio Augusto do Prado — Apelidado no esquema como “Fabio Campanha” e “Sacolão”, o secretário de Coordenação Governamental, Fabio Augusto do Prado, teria sido flagrado em conversas de WhatsApp com operadores do esquema falando sobre a “chegada de valores”, que seriam recebido por meio de dinheiro fracionado.
  • Roque Araújo Neto — Também apontado como operador do esquema, o servidor da Câmara Municipal de São Bernardo do Campo Roque Araújo Neto aparece em anotações do caixa clandestino de Paulo Iran. Nos papéis encontrados, havia um crédito de R$ 390 mil associado ao nome dele.
  • Sócios da Quality — Felipe Rafael Pereira Fabri e Caio Henrique Pereira Fabri, sócios da Quality Medical Comercio e Distribuidora de Medicamentos, são alvos da operação porque nas anotações de Paulo Iran a empresa é associada a valores expressivos, que somam pelo menos R$ 666 mil.
  • Sócios do Consórcio São Bernardo Soluções — Luís Roberto Peralta e Leonardo Agnello Pegoraro, sócios do Sócios do Consórcio São Bernardo Soluções, também são alvo de mandados de busca por anotações relacionando a empresa a pagamentos, de pelo menos R$ 174 mil.
  • Sócio da Ballarin Imobiliária — Apesar de a empresa, ao contrário de outras investigadas, não prestar serviço para a prefeitura, o sócio Murilo Batista de Carvalho foi alvo de mandado de busca. Em anotações de Paulo Iran, Murilo aparece associado ao número 400, o que, para a PF, também poderia indicar pagamento.
  • Sócio da Terraplanagem Alzira Franco — Assim como no caso da Ballarim, a empresa Terraplanagem Alzira Franco, de Edmilson de Deus Carvalho, também não possui contrato com a gestão municipal de São Bernardo do Campo. No entanto, nas anotações do principal operad0r do esquema conta “Edmilson 30k ok”, o que indicaria a movimentação de R$ 30 mil. A PF cita ainda uma conversa de 2024 em que Edmilson dá a Iran orientações sobre quando quantias em dinheiro deveriam ser entregues.
  • Danilo Lima de Ramos — O vereador Danilo Lima de Ramos, segundo a PF, é mencionado em conversas entre Paulo Iran e Fabio Augusto Prado. “Do Danilo, é uma conta do Danilo, os negócios dele lá… Outras coisas, entendeu?”, diz Iran em um dos trechos mencionados. Há ainda indicação de depósito solicitado por Danilo e feito pelo operador na conta de terceiro.
  • Ary José de Oliveira — O vereador Ary José de Oliveira também aparece em conversas dos operadores do esquema. “Ary até agora 3x de 50”, diz Paulo Iran. Há ainda anotações, diversos valores associados ao nome do parlamentar, diz a PF.
  • Paulo Sérgio Guidetti — Ex-secretário de Administração e atual servidor municipal de São Bernardo do Campo, Paulo Sérgio Guidetti é mais um que aparece em mensagens trocadas por Paulo Iran. “Acabei de pegar… ele disse pra conferir. Provavelmente veio os 150”, afirma o operador.

 MPSP pede prisão de envolvidos

Na denúncia, o MPSP pede a condenação dos denunciados pela prática de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro, além da decretação da perda dos cargos públicos em definitivo. A promotoria pede ainda a fixação do valor de R$ 16.913.124,00 para a reparação dos danos causados à Fazenda Pública de São Bernardo do Campo.

Se condenados, os denunciados estão sujeitos a penas que variam de 3 a 8 anos mais multa para a organização criminosa e de 3 a 10 mais multa para a lavagem de capitais.

Outro lado

Em nota ao Metrópoles, a Prefeitura de São Bernardo do Campo disse que vai colaborar com as informações necessárias em relação ao caso. “A gestão municipal é a principal interessada para que tudo seja devidamente apurado. Reforçamos que o episódio não afeta os serviços na cidade”, diz o texto.

A reportagem também tenta contato com as defesas dos demais citados nas investigações da PF. O espaço segue aberto para atualizações.

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