Policial penal é demitido por criticar diretor de presídio em poemas

Policial penal criou blog com poemas em que critica o diretor do Complexo Penal de Tremembé e acabou demitido do serviço público

atualizado

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1 de 1 Policial penal é demitido por criticar diretor de presídio em poemas - Metrópoles - Foto: Arquivo pessoal

O policial penal Wilton Borges Viana foi demitido na última quinta-feira (28/5) por ter publicado poemas na internet em que faz críticas à administração penitenciária paulista. Nos cordéis, o agente lotado no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Suzano, na Região Metropolitana de São Paulo, mirou principalmente a direção da Penitenciária Feminina 2 de Tremembé, o antigo “presídio dos famosos”.

Wilton criou o blog Amigos do Poeta Penal em julho do ano passado. Em agosto de 2025, publicou o primeiro poema direcionado a André Luiz Bolognin, a quem se refere como Gordinho do Fundão. Bolognin é diretor do Complexo Penal de Tremembé, que abrigou presas famosas, como Suzane von Richtofen e Elize Matsunaga.

“Assim está acontecendo em Tremembé, na P2 feminina do Gordinho do Fundão, onde a cadeia está à beira de um colapso, por incompetência e má administração”, escreveu em um dos poemas.

Ainda em agosto, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) instaurou um processo administrativo contra o policial penal. A ação concluiu que Wilton feriu o Código de Ética da Administração Pública Estadual ao não manter postura compatível com o cargo.

Na portaria que inaugurou o processo disciplinar, a pasta alegou que Wilton havia “propagado, na referida rede social, conteúdo pertinente ao serviço penitenciário capaz de concorrer para o desprestígio da instituição, além de atacar autoridades da SAP e da Policia Penal”.

“As guardas falam que o cheiro é insuportável, pela quantidade de imundice ali exposta; urubus comendo absorventes e ratos saindo do meio das bostas…”, disse em outro poema.

Para a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), o trecho tem “linguajar chulo” e “provoca repugnância na mente do leitor”. Além disso, “refletem exatamente o contrário da postura ética desejada e prevista pelo legislador no Decreto nº 69.328/2025”.

Demitido a bem do serviço público

Em consultoria jurídica à SAP, a PGE recomendou, em 25 de maio, a pena de 90 dias de suspensão a Wilton, atenuando a pena de demissão a bem do serviço público, sem conversão em multa.

Apesar disso, publicação do Diário Oficial da última quinta-feira mostra que o diretor-geral da Polícia Penal de São Paulo Rodrigo Santos Andrade optou pela punição máxima de demissão.

Wilton, que era policial penal desde 2013, chamou a decisão de absurda. Ao Metrópoles, o ex-servidor afirmou que fez “críticas institucionais” em seus poemas. “Me sinto indignado, porque eu exerço o direito de crítica. E outra coisa, foi a partir das minhas críticas que ele [diretor] consertou lá”, argumentou.

Em nota, o Sindicato da Polícia Penal de São Paulo (Sinppenal) apontou que a demissão “ecoa os métodos da ditadura militar de perseguir quem ousar criticar o poder”. “Ao expor fragilidades do sistema prisional, Wiltinho acabou colocando a própria casa em xeque, algo que a administração não perdoa”, disse a entidade.

Procurada, a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) reforçou que o servidor foi desligado por “violar o Código de Ética da Administração Pública Estadual e a Lei Orgânica da Polícia Penal, ao descumprir orientações diretas de superiores e por colocar em risco a manutenção da ordem e segurança dos presídios ao expor informações pessoais de colegas e do dia a dia das unidades”.

“A SAP esclarece, ainda, que o parecer da Procuradoria-Geral do Estado tem caráter opinativo. A decisão final do processo cabe ao Diretor-Geral da Polícia Penal do Estado de São Paulo após análise de toda a documentação apresentada e a tramitação do devido processo legal.”

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