Policial espancado até morrer era réu por tentar matar PM aposentado

Caio Bruno, de 33 anos, foi asassinado após tentar arrombar um apartamento e atirar contra morador de favela; ele seria julgado em dezembro

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Chão manchado com sague, embaçado, ao lado do qual foto de rosto de homem branco com barba e cabelo curto preto - Metrópoles
1 de 1 Chão manchado com sague, embaçado, ao lado do qual foto de rosto de homem branco com barba e cabelo curto preto - Metrópoles - Foto: Reprodução/TJSP

O policial civil Caio Bruno, de 33 anos — espancado até a morte em uma favela no centro paulistano, na terça-feira (2/9) –, seria submetido a um júri popular, em dezembro, pela tentativa de homicídio de um policial militar (PM) aposentado.

Pouco antes de ser assassinado, o agente de 2ª Classe do Departamento de Narcóticos (Denarc) foi agredido após supostamente tentar arrombar um apartamento, sem mandado judicial, e atirar contra William Moreira Mendes — que está preso, juntamente com outros três suspeitos de envolvimento na morte do policial civil.

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Tiroteio ocorreu em frente a galpão de PM aposentado
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Policial militar da reserva usou pistola calibre .45
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Policial militar da reserva usou pistola calibre .45

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Tiroteio ocorreu em frente a galpão de PM aposentado
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Tiroteio ocorreu em frente a galpão de PM aposentado

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“Safado, sem vergonha e ladrão”

Caio Bruno estava em uma viatura da Polícia Civil, estacionada na Rua Guaipá, em 10 de maio do ano passado, nas imediações da estação Imperatriz Leopoldina, da linha-8 Diamante da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Enquanto ele conversava com uma pessoa, não identificada, o policial militar aposentado Amilton Batista Adorno, de 69 anos, olhou “fixamente” para o carro policial, originando uma sucessão de eventos.

Denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP), obtida pelo Metrópoles, afirma que o policial civil foi até a casa do PM da reserva. No local, questionou os motivos de Amilton olhar fixamente para a viatura.

O PM, segue a denúncia, teria afirmado que presenciou Caio Bruno recebendo propina de um vendedor irregular de bilhetes, acusando o agente de “safado, sem vergonha e ladrão”.

Agressões e tiroteio entre policiais

Após ser supostamente difamado, o policial civil teria afirmado a Amilton que estava no local apurando uma denúncia anônima sobre veículos roubados, em um galpão, justamente no endereço do PM da reserva. Os policias, então, começaram a se agredir fisicamente.

A versão de Caio é a de que Amilton começou e, a do PM, a de que o policial civil teria principiado a violência. Testemunhas corroboraram a versão de Amilton, afirmando que Caio Bruno empurrou e socou o PM aposentado, que se desequilibrou e bateu em um batente de portão.

A situação culminou em um tiroteio. Amilton e Caio Bruno sacaram suas armas – uma pistola .45 e uma Glock 9mm, respectivamente — e atiraram um contra o outro, buscando abrigo em estruturas próximas. Amilton foi atingido por três projéteis — no punho direito, tórax e panturrilha esquerda –, enquanto Caio Bruno ficou ileso, conforme laudo médico.

Na casa do PM, policiais encontraram veículos com placas adulteradas, resultando na abertura de outro inquérito, exclusivamente contra ele. A defesa de Almilton não foi localizada até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestações.

Prisão e liberdade provisória

Os dois policiais foram presos em flagrante e soltos, provisoriamente, após audiência de custódia, em 11 de maio de 2024.

O MPSP ofereceu denúncia, de tentativa de homicídio, somente contra Caio Bruno, porque a Promotoria entendeu que o PM da reserva teria agido em legítima defesa.

A defesa de Caio Bruno tentou desclassificar a tentativa de homicídio, solicitando que o crime fosse julgado como lesão corporal ou, pelo menos, para que a qualificadora de motivo fútil, para a tentativa de homicídio, não fosse considerada.

As investidas judiciais ocorreram até 3 de junho deste ano, quando o caso transitou em julgado — ou seja, não se permitindo mais recursos — começando a preparação para o julgamento do policial civil, que seria realizado em sessão plenária, no Tribunal do Júri, em 2 de dezembro, a partir das 12h30. Com a morte dele, o processo será extinto.

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Caio Bruno ingressou na Polícia Civil de SP em 2021
Agente foi espancado até a morte
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Caio Bruno ingressou na Polícia Civil de SP em 2021
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Caio Bruno ingressou na Polícia Civil de SP em 2021

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Agente foi espancado até a morte
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Agente foi espancado até a morte

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Como o policial civil foi morto

O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de São Paulo indiciou, por homicídio qualificado, quatro suspeitos de espancar até a morte o policial civil Caio Bruno, em uma viela da Favela do Gato, no centro paulistano.

O policial foi agredido após, supostamente, tentar arrombar a porta de um apartamento da comunidade carente, sem mandado judicial. A motivação para isso é apurada pelo DHPP.

A ação do policial, que estava sozinho, gerou revolta entre os moradores. Um deles, William Moreira Mendes, partiu para cima do agente.

Caio Bruno, então, sacou sua arma e atirou contra o agressor, acertando-o duas vezes na perna direita. O policial foi desarmado em seguida, imobilizado e espancado violentamente, tendo o rosto desfigurado.

Quando foi encontrado por policiais militares, ele já estava morto. A poucos metros de seu corpo estava sua arma, com um carregador estendido, no qual havia 25 munições intactas.

Suspeito baleado preso em hospital

O caso passou a ser investigado imediatamente, por delegacias da região, com o apoio do DHPP, resultando na localização de William, que era atendido no Pronto-Socorro de Santana, na zona norte.

Foragido da Justiça, ele foi preso em cumprimento a mandados de prisão por porte ilegal de arma de fogo e ameaça, no contexto de violência doméstica. Além disso, também foi preso em flagrante e indiciado pelo homicídio do policial civil.

Durante a madrugada e a manhã desta quarta-feira (3/9), o DHPP identificou, localizou e prendeu, também em flagrante, Thiago Bezerra de Almeida, Vitor Ribeiro de Souza e Júlio César Lopes de Oliveira, o Carioca. Todos também indiciados por homicídio qualificado, por meio cruel. A defesa dos quatro não foi localizada e o espaço segue aberto para manifestações.

O DHPP afirmou ao Metrópoles, por meio de nota, que as investigações prosseguem para identificar “outros possíveis envolvidos” nas agressões, “assim como esclarecer todas as circunstâncias do ocorrido”.

A presença do policial civil na favela e as ações atribuídas a ele, antes do homicídio, serão apuradas “em esfera própria”, diz o texto.

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