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Policial civil delatado por Gritzbach movimentou R$ 2 mi em carrões

Preso por suspeita de participação na morte de delator do PCC, Eduardo Monteiro faturava alto em concessionária de carros de luxo, diz PF

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BARONESA MOTORS VENDIA CARROS DE LUXO E PERTENCIA A POLICIAL DELATADO POR ANTONIO GRITZBACH – METRÓPOLES
BARONESA MOTORS VENDIA CARROS DE LUXO E PERTENCIA A POLICIAL DELATADO POR ANTONIO GRITZBACH - METRÓPOLES
1 de 1 BARONESA MOTORS VENDIA CARROS DE LUXO E PERTENCIA A POLICIAL DELATADO POR ANTONIO GRITZBACH - METRÓPOLES - Foto: BARONESA MOTORS VENDIA CARROS DE LUXO E PERTENCIA A POLICIAL DELATADO POR ANTONIO GRITZBACH – METRÓPOLES

São Paulo — O policial civil Eduardo Lopes Monteiro, preso por envolvimento na morte do delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) Vinícius Gritzbach, executado no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, em novembro do ano passado, movimentou R$ 2 milhões em carros de luxo negociados pela concessionária Baronesa Motors LTDA, da qual era sócio. A movimentação financeira foi apontada em relatório da Polícia Federal (PF). O policial é um dos 14 indiciados nas investigações.

O Metrópoles teve acesso às 376 páginas do relatório final das investigações, que começaram a partir do trecho da delação de Gritzbach que dizia respeito às extorsões que teria sofrido de investigadores e um delegado. A equipe da Polícia Civil era responsável pelas investigações que apontavam o delator como o assassino do traficante Anselmo Santa Fausta, o Cara Preta. Gritzbach morreu negando o crime e afirmou que os policiais levaram relógios de luxo, se apossaram de um sítio e de dinheiro vivo em meio a uma cobrança de R$ 40 milhões.

No capítulo do documento da PF que trata sobre o tema, os investigadores revelam que as anotações e as planilhas relacionadas à contabilidade da concessionária Baronesa Motors, apreendidas na residência de Eduardo Monteiro,  demonstram que ele atuava diretamente na administração e negociação de veículos.

Nos documentos, constam relatos sobre a negociação de vários modelos de luxo importados, como BMW X1, BMW x4, Audi Q5, Jaguar, Porshe, Mercedes-Benz, Mustang, Land Rover Defender, além de Toyota Hilux SW4, Jeep Comander, Jeep Compass, Honda Civic, entre outros (veja abaixo).

Imagens coloridas mostram duas páginas lado a lado com listas de carros importados obtida por investigação da Polícia Federal
Listas de carros importados obtida por investigação da Polícia Federal

Em interrogatório, Eduardo Alves Monteiro alegou que recebia uma pequena quantia como participação na concessionária — que não era administrada por ele, segundo declarado em depoimento — e mencionou ter sofrido prejuízos com o negócio.

No entanto, a planilha apreendida pelos investigadores revela o contrário e indica um negócio altamente lucrativo para os proprietários. Em folha à parte, há uma tabela com as colunas “mês, valor por mês e dividido em 2”, na qual os valores contabilizados superaram R$ 1,4 milhão.

Imagens coloridas mostram lista com valores preenchidos em planilha com três colunas
Planilha revela lucros de concessionária do policial civil Eduardo Monteiro, preso por envolvimento na morte de delator do PCC

Imóveis de alto padrão e carros de luxo

Segundo as investigações, Eduardo Lopes Monteiro teve duas sociedades para construção de imóveis de alto padrão e venda de carros esportivos importados.

Há um ano, Monteiro deixou as empresas e sua mulher permaneceu em seus quadros. Nas empreitadas, ele se associou a um empresário que é filho de Lourival Gaeta, um ex-delegado do Departamento de Ordem Polícia e Social (Dops) acusado de tortura ao lado do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

Monteiro era investigador policial de classe especial e ganhava R$ 11,9 mil líquidos por mês. O policial civil foi citado pelo delator Vinícius Gritzbach como um dos agentes que cometeram “ilicitudes e arbitrariedades” na investigação sobre a morte de Cara Preta.

Os agentes e um delegado citados por Gritzbach foram afastados temporariamente de suas funções. Em dezembro, acabaram presos.

O Metrópoles já havia mostrado que outro policial civil, conhecido como Rogerinho, ganhava R$ 7 mil mensais e era sócio de uma construtora em Praia Grande , no litoral paulista, que ergueu cinco condomínios de 37 casas.

A execução de Gritzbach

Gritzbach foi fuzilado com 10 tiros ao desembarcar no aeroporto de Guarulhos, após voltar de uma viagem a Maceió ao lado da namorada, Maria Helena Paiva Antunes, de 29 anos. Os assassinos foram avisados sobre a chegada do delator do PCC ao aeroporto por um olheiro, identificado como Kauê do Amaral Coelho.

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Empresário, preso sob suspeita de mandar matar membros do PCC, foi solto por determinação do STJ
Delator do PCC, Vinícius Gritzbach foi executado no Aeroporto de Guarulhos
Antônio Vinicius Lopes Gritzbach
Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC, foi morto no aeroporto de Guarulhos
Namorada de Gritzbach é influenciadora e já foi candidata a vereadora
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Empresário, preso sob suspeita de mandar matar membros do PCC, foi solto por determinação do STJ
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Empresário, preso sob suspeita de mandar matar membros do PCC, foi solto por determinação do STJ

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Delator do PCC, Vinícius Gritzbach foi executado no Aeroporto de Guarulhos
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Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC, foi morto no aeroporto de Guarulhos
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Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC, foi morto no aeroporto de Guarulhos

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Namorada de Gritzbach é influenciadora e já foi candidata a vereadora
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Namorada de Gritzbach é influenciadora e já foi candidata a vereadora

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O delator do PCC Vinícius Gritzbach deixa o aeroporto de SP ao lado da namorada, Maria Helena Paiva
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O delator do PCC Vinícius Gritzbach deixa o aeroporto de SP ao lado da namorada, Maria Helena Paiva

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O delator do PCC Vinícius Gritzbach deixa o aeroporto ao lado da namorada, Maria Helena Paiva
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O delator do PCC Vinícius Gritzbach deixa o aeroporto ao lado da namorada, Maria Helena Paiva

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Kit de joias entregue a Gritzbach
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Kit de joias entregue a Gritzbach

Reprodução

Na última quinta-feira (13/2), a Polícia Civil realizou uma operação contra o suspeito de ser o mandante do assassinato de Gritzbach. Ele foi identificado como Emílio Carlos Gongorra Castilho, também conhecido como Bill ou João Cigarreiro.

Emílio é suspeito de ter participado do sequestro de Gritzbach, em 2022, por integrantes da facção e policiais civis que atuavam junto aos criminosos.

Ele é integrante do crime organizado do Rio de Janeiro e teria emprestado dinheiro a Gritzbach. A polícia ainda não confirmou se este seria o motivo da suposta ordem de assassinato. Até o momento, Cigarreiro não foi localizado.

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