Policiais são presos acusados de fazer acordo milionário com membro do PCC
Os policiais teriam aceitado um acordo de R$ 1 milhão para interromper um inquérito que revelaria mais nomes da facção criminosa
07/10/2026 19:50, atualizado 07/10/2026 20:10

Os policiais civis Alan Fernandes Dias e Murilo Muniz foram presos preventivamente nesta quarta-feira (7/10) em São Paulo sob acusações de terem feito um acordo no valor de R$ 1 milhão com um membro do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todasSegundo documentos obtidos pelo Metrópoles, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) acusa os policiais dos crimes de corrupção ativa e passiva, afirmando que as autoridades aceitaram um acordo com o PCC, no qual ambos concordaram em interromper um inquérito que buscava a identificação de outros integrantes do grupo criminoso.
O Metrópoles entrou em contato com a defesa dos dois policiais, mas não obteve retorno até o momento de publicação dessa nota. O espaço segue aberto para manifestações.
Advogado também foi preso
Ademilson Alves de Brito, advogado que teria intermediado o acordo entre o membro do PCC e os policiais, também foi preso nesta quarta-feira (7/10) na região metropolitana de São Paulo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPSegundo apuração do Metrópoles, Ademilson se entregou à delegacia de polícia de Arujá, município da Grande São Paulo, acompanhado de seu advogado após tomar conhecimento de que havia um mandado de prisão expedido contra ele, confirmado pelas autoridades do local, que realizaram a prisão.
Entenda o caso
Ademilson Alves de Brito teria oferecido R$ 1 milhão Alan Fernandes Dias e Murilo Muniz para que interrompessem um inquérito que buscava a identificação de outros integrantes do grupo criminoso.
A acusação, feita pelo MPSP, apoia-se no registro de uma videochamada, gravada em 23 de maio de 2024, na qual Ademilson teria conversado diretamente com os policiais sobre a quantia de R$ 1 milhão, o encerramento do inquérito e o compromisso de não investigar mais ninguém da facção.
Cerca de dois meses após a gravação, em 23 de julho de 2024, a investigação aponta que o inquérito policial foi de fato encerrado sem novos indiciamentos, levando o Ministério Público a promover o arquivamento por falta de provas, exatamente como havia sido combinado na videochamada.
A denúncia chegou a ser rejeitada em 1º grau sob o argumento de falta de perícia prévia no vídeo e inépcia formal. No entantanto, MPSP recorreu, e a 5ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) acolheu o recurso. Relator do caso, o desembargador Pinheiro Franco, determinou o recebimento da denúncia por “corrupção ativa majorada, o restabelecimento da prisão preventiva de Ademilson, dos policiais, e a derrubada do sigilo dos nomes dos réus”.



