Coronel réu por feminicídio de soldado pede liberdade; MPSP reage à soltura
Defesa pediu revogação da preventiva; Promotoria afirma que coronel ainda pode influenciar testemunhas sobre feminicídio de PM Gisele
07/10/2026 18:41, atualizado 07/10/2026 19:01

A defesa do tenente-coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, pediu à Justiça a revogação da prisão preventiva do oficial. Nesta quarta-feira (7/10), o Ministério Público de São Paulo (MPSP) se manifestou contra a soltura.
Preso desde 18 de março, Geraldo Neto pediu para responder ao processo em liberdade. A defesa sustentou que já não haveria risco de interferência, por parte do oficial, na instrução processual. O MPSP, porém, rebateu que o pedido “não merece ser acolhido”.
“Nenhuma circunstância”
A promotora Ingrid Maria Bertolino Braido afirma que Geraldo Neto “não apresentou nenhuma circunstância fática e processual” capaz de justificar sua liberdade.
O MPSP destaca ainda que, em interrogatório na segunda-feira (5/10), o oficial admitiu ter tentado contato com Sheila Aparecida Magrini, PM e amiga de Gisele, ligando três ou quatro vezes para o batalhão. Para a Promotoria, em liberdade, ele poderia, com isso, influenciar testemunhas.
O órgão acrescentou que medidas alternativas seriam insuficientes e afirmou que Geraldo Neto “não demonstrou qualquer apreço pela vida humana”.
Família também pede prisão
José Miguel da Silva Junior, advogado dos pais de Gisele e assistente de acusação, também pediu a manutenção da preventiva. Miguel cita a exposição de testemunhas protegidas e sustenta que a patente e os contatos acumulados pelo oficial poderiam ser usados para interferir no processo.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesGisele morreu com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro. Geraldo Neto sustenta, desde então, que a esposa se matou.
Laudos revelados pela coluna, porém, apontaram vestígios incompatíveis com suicídio. Em depoimento, o oficial também apresentou versões contraditórias sobre um banho tomado após o disparo, o uso de sabonete e até se teria feito a barba.
Ele segue encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte paulistana.























