Caso PM Gisele: coronel será interrogado presencialmente nesta segunda
Tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto será ouvido presencialmente, a partir das 13h, no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste
05/10/2026 08:06

A Justiça ouvirá, presencialmente, a partir das 13h desta segunda-feira (5/10), o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste da capital paulista. O oficial da Polícia Militar é acusado de matar a esposa e também policial, Gisele Alves Santana, em fevereiro deste ano.
O interrogatório de Neto ocorre após novo laudo, realizado pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil, afirmar não ser possível a policial ter atentado contra a própria vida. O documento também apontou para participação de uma segunda pessoa na dinâmica da morte.
O documento, obtido pelo Metrópoles, foi adicionado ao processo na última sexta-feira (2/10) e elaborado para responder os questionamentos feitos pela defesa do oficial.
Entre outros assuntos relacionados ao processo no qual ele é réu por feminicídio e fraude processual, Neto vai ser indagado sobre o novo laudo.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNeto está preso, desde 18 de março, no Presídio Romão Gomes, unidade prisional exclusiva para policiais militares que cometeram qualquer tipo de crime.
A conclusão foi a mesma das perícias anteriores, descartando de forma categórica a hipótese de suicídio. O novo laudo foi assinado pela perita criminal Amanda Rodrigues Marinone.
Relembre o caso
- Gisele foi socorrida gravemente ferida, com um disparo de arma de fogo na cabeça, em 18 de fevereiro, no apartamento do casal no Brás, na região central de São Paulo, e não resistiu.
- Geraldo alega que a mulher cometeu suicídio após ele anunciar que queria encerrar a relação, mas a perícia apontou a impossibilidade da tese. Os dois estavam sozinhos no imóvel.
- O tenente-coronel foi preso em 18 de março, e segue detido preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, sob suspeita de feminicídio.
- O militar foi pronunciado pelo crime e será submetido ao Tribunal do Júri. A audiência ainda não tem data marcada. Ele também responde a um processo administrativo no Conselho de Justificação da Polícia Militar que pode resultar na perda de sua patente.
Em 31 de março, o secretário de Segurança Pública de São Paulo (SSP), Osvaldo Nico Gonçalves, mandou instaurar um conselho deliberativo que vai analisar a demissão do tenente-coronel.
O Conselho de Justificação (CJ) instaurado por Nico é um processo administrativo especial que analisa a incapacidade de oficiais das Forças Armadas de permanecerem na ativa. Ao apurar condutas irregulares, o CJ pode punir um oficial com demissão ou reforma.
O processo inclui a escolha de três oficiais mais antigos do que o tenente-coronel para avaliar a conduta dele. A decisão ou não pela demissão será submetida ao Tribunal de Justiça Militar (TJM). Se, por exemplo, o TJM referendar a demissão, o próximo passo é a sanção do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Após ser preso, Geraldo foi transferido para a reserva da corporação a pedido. A transferência foi publicada no Diário Oficial em 2 de abril. O militar tem 30 anos de carreira e passou a ter o direito de se aposentar por tempo de serviço, em 2016.

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A perita criminal Amanda Rodrigues Marinone concluiu, no laudo, que seria impossível o corpo de Gisele ter sido encontrado na posição em que estava caso se ela tivesse dado o tiro na própria cabeça. A informação sugere o envolvimento de uma segunda pessoa na dinâmica da morte.
Para sustentar a conclusão, Amanda citou os testes e simulações que confrontam a versão do tenente-coronel. Os peritos verificaram, por exemplo, que a arma do crime ficava sobre um guarda-roupa com cerca de 2 metros de altura, fora do alcance de Gisele, que tinha 1,65 metro.
Também foi analisada a visibilidade a partir do banheiro e concluíram que, diferentemente do que alegou Geraldo, ele não tinha como ver a esposa caída de dentro do box onde supostamente estaria tomando banho. Além disso, o sentido do escorrimento de sangue no corpo da vítima contraria a hipótese de suicídio. Segundo registrou a perita, “reexecutados, esses experimentos produzem o mesmo resultado”.

















