Polícia faz operação contra golpe de R$ 70 milhões na Desenvolve SP.
Golpes teriam ocorrido durante o período da pandemia de Covid-19. Grupo usava empresas de fachada, com documentos falsos

A Polícia Civil de São Paulo realiza na manhã desta quinta-feira (3/9) a 2ª fase da Operação Avaritia, ação que mira um grupo criminoso suspeito de criar e utilizar empresas de fachada para burlar e lesar o programa de créditos e financiamentos de negócios, Desenvolve SP, durante a pandemia. Ao todo, as autoridades acreditam que o prejuízo das fraudes pode chegar a R$ 70,4 milhões.
Segundo as autoridades, as investigações apontaram a atuação de uma estrutura criminosa organizada compostas por diferentes núcleos, que teriam participado da criação e utilização de empresas de fachada, da elaboração de documentos falsos, obtenção irregular de financiamentos e da movimentação dos valores posteriormente distribuídos entre os integrantes do grupo e terceiros beneficiários.
De acordo com os elementos juntados pela investigação, as empresas de fachada teriam sido criadas e usadas no esquema por meio de alterações societárias simuladas, emprego de sócios interpostos e demonstração artificial de capacidade financeira, com a finalidade de viabilizar a aprovação de operações de crédito junto ao programa Desenvolve SP.
Depois da liberação dos recursos por parte da instituição, os valores eram repassados a contas de terceiros e pulverizados por meio de sucessivas transações financeiras, “em dinâmica compatível com ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPDois núcleos
- As autoridades identificaram dois núcleos principais na dinâmica criminosa do grupo.
- O primeiro foi chamado de Núcleo Operacional, que seria o responsável pela interlocução com empresários interessados nos financiamentos, pela condução das operações de crédito e pela articulação necessária à obtenção dos empresários junto à Desenvolve SP.
- O segundo grupo era o Núcleo Documental, que teria a função de manter a aparência de regularidade das empresas utilizadas no esquema, por meio da elaboração de alterações contratuais, registros societários, documentos contábeis, procurações outros documentos destinados a conferir a aparência de legalidade às operações investigadas.
- A polícia acredita que este grupo tinha um papel fundamental na estruturação documental necessária para obtenção dos financiamentos fraudulentos.
A Polícia Civil apurou que as fraudes aconteceram entre 2021 e 2022, durante a pandemia de Covid-19. O prejuízo dos desvios pode chegar a R$ 70,4 milhões.
A quadrilha teria se aproveitado do contexto pandêmico, quando houve uma expansão emergencial do crédito para atender empresas que enfrentavam dificuldades e a transição para o trabalho remoto, para aplicar o esquema.

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Ver todasA operação foi conduzida pelo Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro (Neccold), Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo (Deinter-2) e cumpre 22 mandados busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Mogi das Cruzes, Suzano, Barueri e Rio de Janeiro.
Investigação começou em 2022
As investigações contra o grupo criminoso começaram em janeiro de 2022, quando a Ouvidoria da Desenvolve SP recebeu uma denúncia. O Ministério Público foi acionado e passou a apurar o caso.
Na época, as autoridades identificaram uma organização criminosa estruturada em Campinas, que usava pelo menos três empresas laranjas e falsos balanços financeiros para obtenção fraudulenta de financiamentos da Desenvolve SP. Na época, já se previa um prejuízo de mais de R$ 40 milhões.
Em 2023, a polícia cumpriu mandados judiciais contra o grupo e aprendeu carros, celulares, joias, computadores e documentos que foram analisados e contribuíram para o avanço das investigações.
As apurações internas do programa também resultaram em medidas, como o desligamentos de cinco funcionários com envolvimento no esquema.
Segundo a polícia, o Desenvolve SP “adotou providências imediatas para investigação, mitigação de danos e fortalecimento dos controles internos” desde o começo das investigações.














